Duplicação da BR-153 pode reduzir em 23 minutos tempo de viagem em Goiás
Cálculo do Mais Goiás aponta diferença teórica de 23 minutos para carros nos 421,7 km associados à pista simples; obra também pode reduzir conflitos em ultrapassagens e melhorar a fluidez
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A duplicação da BR-153 pode representar mais do que um aumento de 10 km/h no limite de velocidade.Em uma rodovia marcada pelo tráfego intenso de caminhões e por longos trechos de pista simples, a mudança também pode reduzir a formação de filas, facilitar ultrapassagens e tornar o deslocamento mais regular.
Uma simulação feita pelo Mais Goiás mostra que, considerando exclusivamente os limites gerais previstos pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a diferença teórica chega a cerca de 23 minutos nos 421,7 quilômetros ainda associados à pista simples no Centro-Norte de Goiás. Dos 703,6 quilômetros da BR-153 no estado, 281,9 quilômetros estavam duplicados no levantamento publicado em agosto, equivalente a 40% da extensão.
A conta considera um cenário sem qualquer interrupção. Dividindo 421,7 quilômetros por 100 km/h, limite geral para automóveis, camionetas, caminhonetes e motocicletas em rodovias de pista simples onde não exista sinalização específica, o percurso levaria aproximadamente 4 horas e 13 minutos.
A mesma distância a 110 km/h, limite geral para esses veículos em pista dupla nas mesmas condições, seria percorrida em aproximadamente 3 horas e 50 minutos, uma diferença de 23 minutos. O cálculo não representa o tempo real de uma viagem pela BR-153, porque não inclui trechos com velocidades regulamentadas abaixo desses limites, praças de pedágio, obras, acessos urbanos, acidentes, filas ou outras interferências no trânsito.
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Para caminhões o ganho está na fluidez
Para os veículos pesados, a lógica é diferente. O CTB estabelece limite geral de 90 km/h tanto em rodovias de pista simples quanto de pista dupla, quando não existe sinalização determinando outra velocidade. Dessa forma, a duplicação não produz, para um caminhão, economia matemática decorrente apenas do aumento do limite, mas pode reduzir perdas de velocidade causadas pela interação entre veículos com desempenhos diferentes.
“A principal vantagem da duplicação não está necessariamente nos 10 km/h a mais permitidos para os veículos leves. O ganho está na regularidade do fluxo. Quando existem duas faixas por sentido, um veículo mais lento deixa de determinar a velocidade de toda a sequência que vem atrás”, afirma Tiago Andrade, engenheiro especializado em tráfego.
Segurança também entra na conta
A mudança de pista simples para duplicada também altera a dinâmica das ultrapassagens. Nas rodovias federais de Goiás, 69 sinistros provocados por ultrapassagens indevidas deixaram 118 feridos e 29 mortos em 2025, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Até o início de abril de 2026, já haviam sido registrados outros 21 sinistros, com 28 feridos e nove mortes relacionados a esse tipo de infração. No ano passado, a PRF contabilizou quase 18 mil infrações por ultrapassagens irregulares no estado, e a BR-153 em Goiás apareceu na quinta posição entre as rodovias com maior número de autuações desse tipo no país.
No trecho Norte da BR-153, onde estão parte das pistas simples e das obras atuais, a questão já levou a PRF a intensificar a fiscalização. Durante uma operação realizada em julho de 2025, quase mil ultrapassagens indevidas foram registradas em um trecho considerado crítico da rodovia.
A duplicação não elimina acidentes nem substitui fiscalização, sinalização e comportamento seguro dos motoristas, mas reduz a necessidade de utilizar a faixa destinada ao sentido contrário para realizar uma ultrapassagem, um dos conflitos existentes nas rodovias de pista simples.
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Economia real
A ANTT informou em setembro que acompanha obras de duplicação, implantação de vias marginais, acessos, passarelas e dispositivos de segurança na concessão das BRs 153, 080 e 414. O programa em andamento prevê 60,48 quilômetros de duplicação em Goiás e Tocantins, enquanto o levantamento do Mais Goiás aponta 53,44 quilômetros em obras no território goiano, em Rialma, Rianápolis, Uruaçu e Campinorte.
Para descobrir quantos minutos a pista dupla efetivamente reduz de uma viagem, seria necessário comparar velocidade média operacional, quantidade de caminhões, volume de tráfego, formação de filas e tempo de percurso antes e depois das intervenções. “Os 23 minutos mostram apenas o efeito matemático da diferença entre os limites. Para medir o ganho real, é preciso saber quanto tempo a viagem efetivamente leva, quantas vezes o motorista reduz a velocidade e quanto tempo perde em filas e interrupções”, explica Andrade.
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