Condenado por mandar matar instrutor de autoescola em Goiás é preso após 14 anos de fuga
Vargas Quintiliano da Costa foi localizado em uma chácara no Paraguai; polícia cruzou impressões digitais e monitorou rotina do foragido antes da prisão
Ir direto pra matéria
Após 14 anos de fuga, a polícia prendeu no Paraguai o homem condenado a 24 anos de prisão por mandar matar um instrutor de autoescola em Rio Verde, no sudoeste de Goiás. Vargas Quintiliano da Costa foi localizado em uma chácara e preso por policiais goianos na quarta-feira (13), depois de uma operação que envolveu monitoramento, drones e o cruzamento de impressões digitais compartilhadas entre as polícias do Brasil e do Paraguai.
Vargas foi condenado pela morte de Eduardo Henrique Cabral, instrutor de autoescola assassinado em 2011. Segundo a investigação, o crime teria sido motivado por ciúmes: Vargas desconfiava da relação da esposa com o instrutor, que dava aulas de direção para ela.
Segundo a Polícia Civil, Vargas Quintiliano ainda não tem advogado de defesa.
LEIA MAIS
- “Por pouco não vira uma chacina”, revela irmão de jovem morto a mando do pai em Goiás
- Filho morto pelo pai em Trindade tinha acabado de comprar uma roça e sonhava com uma vida tranquila, diz irmã
- Filho assassinado em Trindade acreditava que pai matou a mãe há 20 anos, diz delegado
- Policial penal é preso por mandar matar a ex-namorada, em Formosa (GO)
Na época, Vargas chegou a ficar preso por cerca de um ano em Rio Verde, mas conseguiu escapar do presídio. De acordo com a Polícia Civil, a fuga contou com a colaboração de um agente prisional, que posteriormente foi condenado pelo envolvimento.

Dez anos no Pará
Depois de escapar da prisão, Vargas fugiu inicialmente para o Pará. Segundo o delegado Danilo Fabiano, responsável pela investigação, ele conseguiu obter um novo CPF e documentos falsos e passou a viver no estado como produtor rural.
Durante os cerca de dez anos em que permaneceu no Pará, ele teria adquirido propriedades e construído uma nova identidade para se manter longe das autoridades.
“Assim que ele foge do presídio de Rio Verde, ele vai para o Pará, local onde ele tem um RG falso expedido, oriundo de um documento que ele tem de um cartório de Goiás, que será investigado”, explicou o delegado à TV Anhanguera.
Ainda conforme Danilo Fabiano, Vargas deixou o Pará depois de enfrentar problemas no estado e seguiu para o Paraguai. Lá, passou a viver em uma propriedade rural e chegou a obter cidadania paraguaia utilizando a identidade falsa produzida no Brasil.
Característica no pé ajudou polícia
Mesmo vivendo com documentos falsos e circulando por diferentes estados e países, Vargas continuou sendo monitorado pelas autoridades brasileiras. A polícia afirma que a investigação avançou a partir do cruzamento de informações e de impressões digitais compartilhadas com as autoridades paraguaias.
Uma característica física também ajudou na confirmação de que o homem procurado era Vargas: ele não possui o penúltimo dedo do pé direito.
A partir do cruzamento das informações e da confirmação de características físicas, a polícia brasileira alertou as autoridades paraguaias. A rotina do foragido passou a ser acompanhada e ele foi monitorado, inclusive com o uso de drones, até que os policiais conseguissem realizar a prisão. A localização ocorreu na propriedade rural onde Vargas vivia no Paraguai.

Falsificação de documentos
Segundo o delegado, o longo período sem ser localizado foi possível porque Vargas deixou poucos rastros e utilizou diferentes identidades durante a fuga.
“Ele, inclusive, adquiriu propriedades no estado e consequentemente por problemas lá, ele vai para o Paraguai, onde tinha uma propriedade rural, onde foi preso”, afirmou Danilo Fabiano.
Vargas já foi julgado e condenado pelo homicídio do instrutor da autoescola. Agora, a investigação deverá avançar sobre a utilização dos documentos falsos e a possível falsidade ideológica relacionada à identidade construída durante os anos em que permaneceu foragido.
A polícia também deverá investigar a origem do documento utilizado para a produção do RG falso que permitiu a Vargas obter novos registros e permanecer durante anos sem ser identificado pelas autoridades.
