Sábado, 15 de Agosto de 2026
Economia

Guerra tarifária: desvantagem do Brasil nos EUA salta para 7,5 pontos

Tarifa efetiva sobre produtos brasileiros subiu para 16,6%, enquanto média dos concorrentes recuou para 9,1%

Da Redação
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
Donald Trump durante anúncio de tarifas no Salão Oval

A guerra tarifária entre Brasil e Estados Unidos ampliou a diferença entre a tarifa média paga por produtos brasileiros nos Estados Unidos e a cobrada dos principais concorrentes, que aumentou de 0,8 para 7,5 pontos percentuais após a entrada em vigor das novas sobretaxas americanas. Com isso, o Brasil passou a ter o segundo pior nível de acesso ao mercado dos EUA entre os países analisados, atrás apenas da China, segundo cálculo do economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale.

Antes das medidas mais recentes, a tarifa efetiva média sobre os produtos brasileiros era de 10,3%, enquanto a dos concorrentes ficava em 9,5%. Depois das mudanças, a alíquota brasileira subiu para 16,6%, enquanto a média dos demais países recuou para 9,1%. O cálculo considera o volume exportado aos Estados Unidos em 2024, as tarifas aplicadas a cada produto e eventuais reduções ou isenções.

Na nova etapa da guerra tarifária, começaram a valer, no fim de julho, tarifas adicionais de 25% direcionadas exclusivamente a produtos brasileiros, impostas pelo governo de Donald Trump após investigação sobre práticas comerciais consideradas injustas. Também passaram a ser cobradas alíquotas entre 10% e 12,5% de diversos países, inclusive o Brasil, relacionadas a acusações envolvendo importações de bens produzidos com trabalho forçado. Segundo o governo Lula, 47,3% das exportações brasileiras aos Estados Unidos são atualmente atingidas pelas tarifas adotadas pelo governo americano, incluindo medidas sobre aço e alumínio.

“A tarifa que entrou no lugar da sobretaxa global de 10% tem isenções tão amplas que dois terços do comércio mundial ficaram de fora. Para quase todos os países, a troca foi um alívio. Para o Brasil não, porque carregamos em cima uma tarifa exclusiva de 25%”, diz Vale.

Para o economista, a diferença de 7,5 pontos percentuais aumenta a vantagem de fornecedores de outros países na disputa pelo mercado americano.

Vale estima que as exportações brasileiras aos Estados Unidos possam cair entre US$ 1,7 bilhão e US$ 3,6 bilhões no primeiro ano de vigência das novas tarifas. Em um cenário de longo prazo, a perda anual poderia chegar a US$ 10 bilhões em quatro anos.

Em 2025, o Brasil exportou US$ 37,6 bilhões para os Estados Unidos, queda de 6,7% em relação a 2024, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

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