Entrevista

‘Simples narrativa não significa que houve crime’, diz defesa de médico suspeito de abusos em Goiás

Advogado Rodrigo Lustosa questiona impacto da exposição mediática sobre investigação de ginecologista

Imagem do médico
Número de pacientes que denunciam supostos abusos subiu para 12 (Foto: redes sociais)

A defesa do ginecologista Marcelo Arantes criticou o que classificou como “linchamento moral” contra seu cliente após a divulgação de novas denúncias de crimes sexuais. Em entrevista ao Mais Goiás, o defensor sustentou que a exposição mediática do caso tem atropelado princípios fundamentais do direito e afirmou categoricamente que “a simples narrativa de um fato não significa que ele tenha acontecido ou que tenha acontecido exatamente da forma como narrado”.

Para o advogado Rodrigo Lustosa, a apuração precisa ser profunda e respeitar rigorosamente o devido processo legal, demonstrando preocupação com o desrespeito à presunção de inocência. Segundo ele, o prejulgamento coloca a própria justiça em risco e pontuou que “é princípio basilar do estado de direito que alguém só pode ser tomado por culpado após sua condenação definitiva”, ressaltando que o fenômeno de novas denúncias surgirem após a divulgação da imagem de um suspeito é comum, mas perigoso.

Sobre o histórico do médico, o defensor revelou que Arantes já obteve uma absolvição em um caso anterior. Embora o processo tenha sido anulado recentemente por vícios processuais e voltado a tramitar, Lustosa reforçou que a anulação não se deu pelo mérito da decisão, mantendo a confiança na inocência de seu cliente. Ele chegou a comparar o cenário atual ao caso da Escola Base, ocorrido nos anos 90, como um exemplo de como o clamor público pode induzir a erros judiciários graves. “Ninguém ganha com isso, nem investigado, nem vítimas. Todos perdem e, em especial, perdem a sociedade e a justiça”, concluiu.

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O caso

O ginecologista Marcelo Arantes é alvo de uma investigação da Polícia Civil de Goiás que tomou novas proporções nesta sexta-feira (17). Após a divulgação da identidade do médico pela corporação, o número de mulheres que relatam ter sido vítimas de crimes sexuais durante consultas subiu para 12.

As denúncias apontam que os abusos teriam ocorrido em unidades de saúde em Goiânia e Senador Canedo. A delegada responsável pelo caso, Amanda Menuci, que já descreveu o investigado como um “predador sexual”, estuda apresentar um novo pedido de prisão preventiva à Justiça. Um pedido anterior havia sido negado, resultando, por enquanto, em medidas cautelares severas, como a suspensão do direito de exercer a medicina e a proibição de contato com as vítimas.

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