Justiça concede liberdade provisória a PM que agrediu jovem aprendiz de Catalão após pagar fiança de R$ 3 mil
Sargento acusado de espancar e ameaçar adolescente de 16 anos poderá responder ao processo em liberdade mediante pagamento de R$ 3 mil e cumprimento de medidas cautelares
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O sargento da Polícia Militar R.L.N., preso após agredir e ameaçar um jovem aprendiz de 16 anos dentro de uma loja de motopeças em Catalão, na região Sudeste de Goiás, teve a liberdade provisória concedida pela Justiça durante audiência de custódia. A decisão estabeleceu o pagamento de fiança de R$ 3 mil e o cumprimento de medidas cautelares, mas, até o momento, não havia confirmação de que o PM já havia deixado a prisão. A defesa, representada pelo advogado Everson Rosa, informou que a expectativa é de que a liberação ocorra ainda nesta sexta-feira (17).
Além da fiança, o policial deve manter distância do jovem aprendiz e teve o porte da arma de fogo suspenso, com determinação para o recolhimento do armamento enquanto responde ao processo.
O caso aconteceu na manhã de quinta-feira (16) e ganhou repercussão após a divulgação de imagens das câmeras de segurança da loja de motopeças. O adolescente havia acabado de chegar para trabalhar e preparava o estabelecimento para o início do expediente quando foi abordado pelo policial.
Agressão
As gravações mostram o militar questionando o jovem por supostamente tê-lo “encarado”. Em seguida, ele passa a agredir o rapaz com tapas, o empurra contra uma parede, derruba no chão e chega a apontar uma arma para o adolescente.
Durante a ação, o sargento faz diversas ameaças de morte e insiste para que o jovem deixe o emprego. Em um dos trechos registrados pelas câmeras, ele afirma que “todo vagabundo trabalha com coisa de moto”. Em seguida, ordena: “Pede demissão para esse filho da p*** desse patrão seu”. O adolescente responde que havia começado a trabalhar na loja havia apenas três meses e diz que pediria demissão.
Mesmo depois de o jovem estar caído, ferido e sem reagir, o policial continua as agressões com chutes. Antes de deixar o local, ainda arremessa uma cadeira em direção ao adolescente, que se encolhe no chão para tentar se proteger. O adolescente afirmou em depoimento que nunca havia tido qualquer contato com o sargento antes da agressão.
O jovem aprendiz permaneceu caído dentro da loja por cerca de meia hora até receber ajuda de uma colega de trabalho. Ele sofreu ferimentos no rosto e foi submetido a exame de corpo de delito.
“Meu filho não estava fugindo, estava trabalhando”
Após a repercussão do caso, a mãe do adolescente publicou um desabafo nas redes sociais. Ela reconheceu que o filho já havia cometido erros no passado, mas ressaltou que, no momento da agressão, ele estava apenas trabalhando. “Meu filho não estava fugindo, não estava pilotando moto e nem cometendo qualquer infração naquele momento. Ele estava trabalhando.”
Em nota, a Polícia Militar informou que adotou as providências legais, administrativas e disciplinares para apurar a conduta do sargento e reafirmou que não compactua com desvios praticados por integrantes da corporação. A instituição também confirmou que a liberdade provisória foi concedida durante a audiência de custódia, mediante o pagamento de fiança, conforme decisão judicial.
A defesa do sargento informou que as medidas cautelares determinadas pela Justiça já estão sendo cumpridas e que aguarda a efetivação da soltura do militar. Enquanto isso, a investigação sobre a agressão continua sob responsabilidade da Polícia Civil.
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