Trecho de Uruaçu lidera acidentes com caminhões na BR-153 em Goiás; veja ranking
Trechos ainda em pista simples concentram tráfego pesado, acidentes e uma espera de décadas pela duplicação da BR-153 no Norte de Goiás
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A pedido do Mais Goiás, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizou um levantamento exclusivo sobre os acidentes envolvendo caminhões na BR-153 Norte, entre os quilômetros 0 e 444, em Goiás. De janeiro de 2022 a julho de 2026, o trecho registrou 628 ocorrências com veículos de carga. Os acidentes deixaram 708 pessoas feridas e provocaram 145 mortes. O balanço corresponde à média de um acidente a cada 2,7 dias no período analisado.
A PRF apontou cinco trechos com maior incidência de acidentes envolvendo caminhões. Na ordem, aparecem: 1º – do km 200 ao km 209, em Uruaçu; 2º – do km 300 ao km 309, em Rialma; 3º – do km 350 ao km 359, em Jaraguá; 4º- do km 320 ao km 329, em Rianápolis; e 5º- do km 310 ao km 319, entre Rialma e Rianápolis. A corporação não informou quantas ocorrências foram registradas em cada faixa. Sem essa divisão, não é possível calcular a diferença entre as posições nem comparar a gravidade dos acidentes.
Rialma e Rianápolis
Três das cinco faixas do ranking ficam em sequência, entre os km 300 e 329. O corredor de 30 quilômetros entre Rialma e Rianápolis reúne o 2º, o 4º e o 5º lugares, o equivalente a 60% das posições.
Juntos, os cinco recortes listados pela PRF somam 50 quilômetros, ou 11,3% dos 444 km analisados. A concentração territorial, porém, não permite afirmar que Rialma e Rianápolis tenham mais acidentes em números absolutos do que Uruaçu.
Média supera duas mortes por mês
Distribuídos pelos 55 meses do levantamento, os dados representam médias de 11,4 acidentes, 12,9 feridos e 2,6 mortes por mês. A relação entre os 145 óbitos e as 628 ocorrências equivale matematicamente a cerca de 23 mortes para cada grupo de 100 acidentes. Isso não significa que 23% das ocorrências tenham sido fatais, pois um mesmo acidente pode provocar mais de uma morte. O total também não revela quantos caminhões estiveram envolvidos, já que uma ocorrência pode reunir diversos veículos.
O recorte considera somente acidentes com participação de caminhões no trecho norte da rodovia. Ele possui abrangência diferente do levantamento que mostrou que a BR-153 concentrou quase 30% das mortes registradas nas rodovias federais de Goiás em 2024. O estudo anterior incluiu outras categorias de veículos e uma extensão diferente da estrada. As diferenças metodológicas impedem a comparação direta entre os percentuais.
Descanso não aparece entre as principais causas
“Não figura entre as principais causas de acidentes envolvendo veículos de carga a questão do não cumprimento do descanso”, informou a PRF ao Mais Goiás. Apesar disso, a corporação identificou problemas em cerca de 50% dos caminhões envolvidos nas
ocorrências analisadas. O percentual reúne casos de descumprimento dos períodos de repouso e veículos com defeitos no equipamento que impediram a verificação da jornada. O dado, portanto, não significa que metade dos caminhoneiros tenha deixado de descansar nem que a falta de repouso tenha provocado metade dos acidentes.
A Lei nº 13.103/2015 estabelece 11 horas de descanso para o motorista profissional dentro de cada período de 24 horas. A norma também proíbe mais de cinco horas e meia de direção ininterrupta e exige pausa mínima de 30 minutos dentro de cada período de seis horas na condução de veículos de carga. A PRF verifica a jornada por meio de documentos, registros e do cronotacógrafo instalado no caminhão. Em operações como a Descanso Legal, a corporação reforça a fiscalização do tempo de direção.
Mais de 15 mil infrações foram registradas em Goiás
Entre janeiro de 2022 e julho de 2026, a PRF registrou 15.513 infrações por descumprimento da Lei do Descanso nas rodovias federais de Goiás. O total abrange todas as estradas federais fiscalizadas no estado, e não apenas a BR-153 Norte. Segundo a corporação, a identificação das autuações ocorridas entre os km 0 e 444 exigiria uma verificação individual dos registros. Por isso, não é possível relacionar as 15.513 infrações aos 628 acidentes com caminhões contabilizados nesse corredor.
Municípios do ranking também recebem obras de duplicação

Uruaçu, Rialma e Rianápolis, municípios presentes no ranking, também recebem obras de duplicação da BR-153. Juntos, eles concentram 46,4 dos 53,44 quilômetros previstos na atual etapa em Goiás, o equivalente a 86,8% das intervenções. Conforme mostrou o Mais Goiás, a concessionária informou novo prazo para concluir as obras, que também abrangem Campinorte. Jaraguá, município que aparece na terceira posição, não integra esse pacote de duplicações.
O levantamento da PRF não estabelece relação causal entre pista simples, frentes de serviço e acidentes. A corporação já havia classificado o trecho norte da BR-153 como uma área com elevado índice de ocorrências graves ao reforçar a fiscalização contra ultrapassagens proibidas. Em agosto de 2026, depois do período analisado, um acidente com quatro veículos deixou oito feridos em Uruaçu. Colisões anteriores com veículos de carga também provocaram mortes em Campinorte e Estrela do Norte.
Ponto de descanso fica próximo ao trecho líder

O Ponto de Parada e Descanso de Uruaçu está localizado no km 211 da BR-153 e possui 78 vagas para caminhões. O intervalo que lidera o ranking termina no km 209, a poucos quilômetros da estrutura. A proximidade geográfica, sozinha, não permite relacionar a oferta de vagas aos acidentes registrados na área. “Quanto maior a oferta de locais que proporcionem condições adequadas e seguras para o cumprimento da legislação, melhor para os motoristas profissionais e para a segurança viária”, informou a PRF ao Mais Goiás.
A corporação não é responsável pela regulamentação ou construção dos pontos de descanso. Durante as fiscalizações, os agentes orientam que o repouso ocorra em postos, estacionamentos, PPDs e outras áreas com condições de segurança e higiene. A parada prolongada em acostamentos, acessos ou locais sem estrutura adequada representa risco aos motoristas e aos demais usuários da rodovia. Segundo a PRF, cabe ao Ministério dos Transportes indicar as regiões prioritárias para receber novas estruturas.
Como o levantamento foi feito
O recorte considera acidentes com participação de caminhões registrados na BR-153 Norte, entre os quilômetros 0 e 444. As informações sobre os locais com maior incidência foram fornecidas diretamente pela PRF ao Mais Goiás. A corporação também mantém arquivos mensais no portal de Dados Abertos da PRF, acompanhados de um dicionário das variáveis utilizadas nos registros. O DNIT disponibiliza ainda um painel de sinistros de trânsito com filtros por rodovia, estado, município, gravidade e causa.