Veto da União Europeia à carne brasileira acende alerta em Goiás; veja o que diz secretaria de agricultura e pecuária
Seapa destaca força sanitária e capacidade de adaptação do agro goiano
A decisão da União Europeia de vetar a importação de carne bovina, frango e outros produtos de origem animal do Brasil acendeu um sinal de alerta no agronegócio goiano. O estado, que tem forte participação nas exportações do setor, movimentou 26,3 mil toneladas embarcadas em 2025, totalizando US$ 189 milhões, segundo dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa).
O bloqueio europeu passa a valer a partir de 3 de setembro e inclui, além das carnes, produtos como pescado e mel. A medida foi formalizada pela Comissão Europeia após o Brasil ser retirado da lista de países considerados aptos a atender às exigências do bloco relacionadas ao uso de medicamentos antimicrobianos na produção animal.
De acordo com o regulamento europeu, o Brasil não apresentou garantias suficientes de que adotou as medidas necessárias dentro do prazo estipulado. A decisão chama atenção porque o país foi o único retirado da lista, enquanto outros membros do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem autorizados a exportar normalmente.
Fator de atenção
Diante do cenário, a Seapa informou que a exclusão do Brasil da lista europeia representa um fator de atenção para a pecuária nacional e, especialmente, para Goiás. Apesar disso, a secretaria destaca que o estado possui bases sólidas para enfrentar o novo contexto internacional.
No campo sanitário, o Brasil é reconhecido como zona livre de febre aftosa sem vacinação. Em nível regional, Goiás reúne capacidade sanitária consolidada, estrutura produtiva competitiva e experiência em rastreabilidade — fatores considerados estratégicos para a adaptação às exigências de mercados mais rigorosos.
A pasta também afirma que realiza acompanhamento permanente das dinâmicas dos principais segmentos do agronegócio goiano, com análise de indicadores econômicos e monitoramento de mercado. Essas informações, segundo a secretaria, ajudam na tomada de decisão dos produtores rurais, orientam políticas públicas e ampliam a transparência do setor para a sociedade.
Além disso, a Seapa mantém interlocução com outras instituições do setor agropecuário para acompanhar possíveis desdobramentos da decisão europeia e articular medidas que possam ser necessárias diante do novo cenário.
A restrição imposta pela União Europeia pode gerar impacto relevante nas exportações brasileiras, com estimativas do setor apontando perdas de até US$ 2 bilhões por ano. Mesmo assim, o governo brasileiro já havia adotado medidas para atender às exigências do bloco, como a restrição ao uso de determinados antimicrobianos, embora prazos de adaptação tenham sido considerados incompatíveis com o calendário europeu.