Poá, bermudas e amarelo-manteiga: o que deve aparecer na primavera-verão em Goiás
Cores claras, estampas retrô, vestidos soltos, bermudas e tecidos leves saem das passarelas internacionais e chegam ao mercado goiano adaptados a temperaturas que já passam dos 30°C
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A primavera ainda não começou oficialmente, mas em Goiás o termômetro já empurra o guarda-roupa para a próxima estação. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê, para setembro, temperaturas médias até 1,5°C acima da climatologia em grande parte do estado. Em Goiânia, onde dias acima dos 30°C fazem parte da rotina nesta época do ano, a moda precisa passar por um filtro adicional: o calor. Parte desse movimento já aparece no mercado goiano. Nesta semana, 30 marcas ligadas ao Grupo Mega Moda apresentaram coleções de primavera-verão em Goiânia. O encontro, realizado no Nino Cucina, mostrou cores, estampas e modelagens que começam a chegar às vitrines da Região da 44.
Nas passarelas internacionais da primavera-verão 2026 aparecem poás, bermudas próximas aos joelhos, calças com volume, lenços incorporados às roupas, franjas e florais. A temporada mistura referências de décadas anteriores com novas proporções e combinações de cores, segundo levantamento da Vogue sobre os desfiles da estação.
No Brasil, e especialmente no Centro-Oeste, essas referências não chegam intactas. Tecidos, quantidade de camadas e modelagem precisam se adaptar a temperaturas elevadas. A consequência é uma presença maior de peças leves, roupas afastadas do corpo e combinações com menos sobreposição.

Poá volta e bermuda desce até perto dos joelhos

Quem guardou roupa de bolinha encontra uma das estampas mais recorrentes da temporada. O poá reaparece em vestidos, saias, blusas e acessórios, inclusive em versões maiores e menos discretas.
A Vogue Business já apontava o crescimento das bolinhas e de outros desenhos gráficos entre as projeções para a primavera-verão 2026. Nas coleções, algumas marcas mantêm o tradicional preto e branco, enquanto outras ampliam a escala ou misturam cores.

A mudança também aparece no comprimento das peças. As bermudas chegam mais perto dos joelhos e transitam entre alfaiataria, jeans, tecidos esportivos e versões fluidas. A Vogue já apontava a bermuda de alfaiataria entre as peças da temporada.
Calças mais volumosas seguem a mesma direção. Modelos balloon e outras silhuetas largas aparecem ao lado de franjas e lenços usados como top, faixa, cinto ou parte da própria roupa.
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Amarelo-manteiga continua

O amarelo-manteiga permanece em 2026, mas deixa de aparecer sozinho. Rosa, azul, verde, vermelho, laranja e roxo dividem espaço com branco, bege e off-white.
A seleção da Vogue para a primavera 2026 aponta justamente a convivência entre tons fortes, pastéis e neutros. A lógica permite manter uma base mais discreta e concentrar a cor em uma única peça.
A Pantone também trabalha uma temporada menos dependente de uma cor dominante. Os relatórios das semanas de moda reúnem tonalidades saturadas e bases neutras, o que amplia as possibilidades de combinação.

No mercado goiano, rosa-bebê, azul-bebê, amarelo-manteiga, laranja, verde-água, bege e off-white aparecem entre as cores já presentes nas coleções. O levantamento de tendências do Mega Moda mostra uma cartela próxima ao movimento observado fora do país.

Para a estilista Samara Almeida, a temporada abre espaço para combinações menos rígidas. “A primavera-verão não chega presa a uma única cor. O amarelo-manteiga continua, mas divide espaço com rosa, azul, verde e tons mais fortes. Em Goiás, acredito que veremos muito essa mistura com bases claras e peças mais leves, porque a pessoa quer acompanhar a tendência sem abrir mão de uma roupa que funcione no calor.”
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Em Goiás, o termômetro interfere no que chega às ruas

É no clima que a moda internacional encontra a principal diferença em Goiás. O Inmet prevê setembro mais quente que a média em grande parte do estado, enquanto o Cimehgo aponta possibilidade de temperaturas de até 42°C em áreas do Norte e Nordeste goiano.
Esse cenário reduz o espaço de combinações com várias camadas e favorece vestidos, saias, bermudas, camisas amplas e calças que não ficam aderidas ao corpo.
A ciência dos tecidos ajuda a explicar a escolha. Pesquisa publicada em 2025 analisou malhas de algodão, linho e misturas das duas fibras e mediu permeabilidade ao ar, resistência térmica e passagem de vapor. O estudo mostra que o desempenho térmico não depende apenas da fibra: estrutura e acabamento também interferem no resultado. O artigo está disponível na revista científica Textile and Apparel.
A modelagem também conta. Estudos sobre conforto térmico mostram que o espaço entre pele e tecido interfere na circulação de ar e na transferência de calor. Por isso, uma peça afastada do corpo pode responder de maneira diferente a altas temperaturas.
Samara Almeida afirma que esse é um dos principais pontos da adaptação local.“Em Goiás, não basta a peça aparecer em uma passarela ou virar tendência nas redes sociais. Ela precisa funcionar numa tarde quente. Tecido, corte e caimento passam a ser fundamentais. Vestidos fluidos, bermudas, saias e peças que deixam o corpo respirar tendem a fazer mais sentido para a rotina daqui.”
Floral, listras e lenços permanecem no radar

O poá não estará sozinho. Florais e listras continuam entre os padrões da nova temporada, mas ganham mudanças de escala, composição e forma de uso.
A análise da Vogue sobre a primavera de 2026 identifica a recuperação de elementos de outras décadas, mas com alteração de proporção, material e combinação. No floral, por exemplo, aparecem desenhos maiores e menos delicados. As listras transitam entre versões clássicas e combinações de cor.

O lenço talvez seja o melhor exemplo dessa releitura. A peça deixa de ocupar apenas pescoço ou cabelo e aparece amarrada no quadril, transformada em top ou incorporada a vestidos. A Vogue aponta o chamado scarf dressing entre as referências da temporada.
Em Goiás, essas tendências tendem a chegar em versões menos pesadas. O floral pode aparecer em um vestido sem mangas, o lenço vira um detalhe do look e as listras passam por camisas, saias e conjuntos destinados aos meses mais quentes.
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Região da 44 já incorpora referências da nova estação
O mercado goiano começa a incorporar essas referências antes mesmo da primavera. Na quinta-feira (3), 30 marcas ligadas ao Grupo Mega Moda apresentaram coleções da estação em um encontro no Nino Cucina, em Goiânia.
A apresentação reuniu moda feminina, masculina e infantil. Mais do que o evento, as peças ajudam a mostrar o que já atravessou o caminho entre passarelas internacionais, confecções e comércio local.
Entre as referências aparecem cores claras e intensas, estampas, vestidos, conjuntos e modelagens destinadas aos meses de temperaturas mais altas.
Paula Sepúlveda, gerente de Marketing do Grupo Mega Moda, afirma que a apresentação buscou aproximar o público das peças. Segundo ela, “a verdadeira conexão acontece no detalhe, no contato próximo com as peças”.
Das redes sociais para o guarda-roupa

A internet reduz a distância entre uma passarela internacional e uma confecção goiana. Fotografias e vídeos circulam no mesmo dia e permitem que fabricantes, comerciantes e consumidores acompanhem quase simultaneamente aquilo que aparece em Nova York, Londres, Milão ou Paris.
A cadeia produtiva de Goiás também ultrapassa a capital. Dados oficiais do Governo de Goiás mostram que o Programa Cinturão da Moda conecta municípios do interior à produção destinada, entre outros mercados, à Região da 44. O anuário da Secretaria de Indústria e Comércio registra a expansão das ações de capacitação e produção no setor.
O caminho da tendência, portanto, encurtou. Uma referência aparece no exterior, circula pelas redes, chega à indústria e passa rapidamente às vitrines.
A escolha final, porém, continua sendo do consumidor. Poá, bermuda, amarelo-manteiga, floral ou lenço só permanecem nas ruas quando conseguem atravessar preço, rotina e conforto.
Em Goiás, há ainda um último teste: o termômetro.