De Goiás para Nova York e para a Globo: designer goiana conquista espaço com joias autorais
Eleonora Hsiung já levou criações à New York Fashion Week e à SPFW; agora, peça usada por Mariana Ximenes em novela virou sucesso de vendas
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Quando a atriz Mariana Ximenes apareceu na TV usando a choker Suma, a surpresa não ficou restrita aos telespectadores. Eleonora Hsiung, designer que criou a peça em Goiânia, também não sabia que sua criação faria parte do figurino de Dora, personagem da atriz na novela Quem Ama Cuida, da Globo.
A escolha, desta vez, nem sequer partiu diretamente da equipe de figurino. A choker já pertencia ao acervo pessoal de Mariana Ximenes, que decidiu incorporá-la à personagem. A aparição foi suficiente para transformar a peça em um dos destaques de venda do Atelier Eleonora Hsiung, tanto na loja física quanto pela internet.
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Para Eleonora, ver uma criação produzida em Goiás ganhar projeção nacional representa mais do que uma boa vitrine para a marca. “Eu diria que é uma justiça”, responde, aos risos. “Afinal, somos tão talentosas como em qualquer outro estado, mas não temos necessariamente a facilidade de acesso que quem está no eixo Rio-São Paulo tem.”
Uma história com a Globo que começou há 15 anos
A aparição da choker Suma pode ter sido inesperada, mas a relação do atelier goiano com os figurinos da Globo é antiga. Ela começou em 2011, justamente quando a marca dava seus primeiros passos. Naquele ano, uma criação do atelier foi usada por Carolina Ferraz, protagonista do remake de O Astro.
“Desde então, sempre que há um personagem estratégico somos acionadas. Certamente, apenas em novelas da emissora, já fizemos mais de 15 personagens”, conta Eleonora.
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A parceria deve ganhar novos capítulos. Segundo a designer, a produção selecionou outras peças do atelier para personagens da atual trama. A orientação foi buscar criações sofisticadas, com identidade, trabalho artesanal marcante e predominância do dourado.
Eleonora diz que há possibilidade de outras duas personagens centrais aparecerem usando suas criações. “Vai ser divertidíssimo se as peças realmente entrarem”, afirma.
Quatro horas para produzir uma choker
A Suma que chegou à televisão não nasceu pensando em uma personagem de novela. A inspiração veio da figura mítica da Sacerdotisa. Eleonora descreve essa personagem como uma mulher sábia e introspectiva, que busca internamente suas próprias verdades sem necessariamente sentir necessidade de anunciá-las. Foi dessa ideia que nasceu toda a coleção Suma. “Por isso ela tem linhas delgadas, trabalha com ponto, linha e plano. O essencial, que brilha, em silêncio.”
Apesar da aparência minimalista, há horas de trabalho por trás da choker. A produção de uma unidade leva aproximadamente quatro horas de bancada. Isso porque o primeiro molde já foi esculpido em metal. Outras criações da mesma coleção podem exigir um dia inteiro de trabalho.
De Goiânia para as passarelas
Eleonora contabiliza quase dez participações em desfiles da São Paulo Fashion Week. Em 2025, o atelier também chegou à New York Fashion Week. Segundo a designer, foi a primeira marca goiana do segmento a desfilar no evento em Nova York.
A presença de Goiás, no entanto, não está apenas no endereço onde as peças são criadas. Duas coleções desenvolvidas a convite da marca Thear para a São Paulo Fashion Week buscaram inspiração diretamente no Estado. Relicário teve como referência a obra e o universo de Cora Coralina, enquanto Drão voltou os olhos para o Cerrado.
Já a ascendência oriental de Eleonora ainda não apareceu explicitamente nas coleções, mas isso pode mudar. Uma viagem à China, realizada em março deste ano, despertou novas possibilidades criativas. “As influências orientais ainda não vieram de maneira explícita, mas creio que estão a caminho”, antecipa.

Criar fora do eixo
Construir uma marca autoral em Goiás, segundo Eleonora, também significou enfrentar um mercado que durante muito tempo considerou mais conservador diante de propostas estéticas ousadas. Ela acredita que esse comportamento vem mudando.
“Tenho orgulho em saber que eu e minha sócia, Julliana, junto com todos os colaboradores que já trabalharam conosco, contribuímos para isso. Para mostrar às pessoas que elas podem, sim, ousar, que podem — e devem — buscar uma identidade e uma estética próprias.”
Para a designer, a expansão das redes sociais também ajudou a derrubar fronteiras. O público passou a ter contato direto com marcas, estilos e propostas estéticas que antes dificilmente chegariam até ele. E Goiás, avalia, encontrou espaço nesse movimento.
“Somos um estado jovem e naturalmente amadurecemos em um ritmo diferente das capitais que estão estabelecidas há séculos. Mas acho que estamos criando nossa história de maneira brilhante, com todas as belezas e idiossincrasias que fazem de nós quem somos.”