Ídolo no Japão, ex-técnico de Goiás e Atlético admite ‘coração dividido’ para jogo da Copa
Ex-treinador do Atlético-GO e ex-jogador da seleção japonesa acredita em jogo equilibrado e diz que vive sentimento especial por ter construído sua carreira nos dois países
Poucas pessoas conhecem tão bem Brasil e Japão no futebol quanto Wagner Lopes. Ex-jogador da seleção japonesa e com passagem pelo comando do Atlético-GO, o treinador acompanha de perto o crescimento do futebol asiático sem deixar de reconhecer o peso da tradição brasileira.
Às vésperas do confronto entre as duas seleções, Wagner afirmou que espera uma partida equilibrada, marcada por intensidade, organização tática e qualidade técnica.
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“É um jogo muito esperado, não só no Brasil, mas no Japão também. Tenho muitos amigos ligando para comentar sobre essa grande partida de mata-mata. Acho que vai ser um jogo bonito, aberto e de muita transição”, afirmou.

(Foto: Arquivo pessoal)
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Evolução do Japão
Natural do Brasil, Wagner construiu praticamente toda a carreira como atleta no futebol japonês e chegou a defender a seleção do país. Para ele, a equipe comandada por Hajime Moriyasu vive seu melhor momento desde a primeira participação em Copas do Mundo.
Segundo o treinador, o crescimento passa pela experiência internacional dos jogadores.
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“Vejo a seleção japonesa com muita evolução tática, amadurecimento dos jogadores e experiência em grandes competições. Dos 26 convocados, cerca de 23 atuam na Europa. Isso qualificou muito a seleção japonesa”, destacou.
Wagner lembra que o Japão sempre foi reconhecido pela disciplina tática, mas considera que o nível atual é superior ao de qualquer outra geração.
“É a melhor seleção japonesa que vi desde 1998. É a mais entrosada, mais forte fisicamente e defensivamente. Ainda precisa evoluir na bola aérea, mas cresceu muito nesses últimos 20 anos”, avaliou.

Conhecimento do treinador japonês
Outro ponto destacado por Wagner é o trabalho desenvolvido por Hajime Moriyasu, treinador que ele conhece desde os tempos em que ambos atuavam no futebol japonês.
Segundo ele, o comandante mantém uma identidade de jogo consolidada há vários anos. “O Moriyasu sempre gostou de jogar com três zagueiros. O sistema dele varia bastante durante a partida. Às vezes o 3-4-3 vira um 3-2-5 ou até um 3-1-6, com liberdade para os zagueiros apoiarem o ataque. É um time muito organizado e que dificilmente se desorganiza”, explicou.
Brasil segue favorito
Mesmo elogiando a evolução japonesa, Wagner acredita que a qualidade individual da seleção brasileira pode fazer a diferença. Na avaliação dele, o Brasil precisará controlar principalmente as transições ofensivas do adversário.
“O Brasil vai precisar ter bastante atenção no contra-ataque japonês. Vai ser importante atacar já preparado para defender, principalmente com Bruno Guimarães e Casemiro controlando o meio-campo”, afirmou.
Para Wagner, o elenco brasileiro reúne condições de conquistar qualquer competição. “O Brasil tem total condição de vencer não só o Japão, mas qualquer outra seleção. Individualmente, tem muita qualidade. Vai depender das estratégias dos treinadores e de como essa qualidade vai encaixar durante o jogo”, disse.
O treinador também ressaltou a importância de Neymar em uma competição como a Copa do Mundo. “O Neymar é um jogador fora de série e isso tem um peso em Copa do Mundo. Os jogadores japoneses sabem disso”, comentou.

Passagem pelo futebol goiano
Antes de seguir carreira internacional como treinador, Wagner Lopes também deixou sua marca no futebol goiano. Em 2019, comandou o Atlético-GO, período em que conheceu de perto a força do futebol do estado e reforçou sua ligação com o cenário esportivo brasileiro.
A experiência no futebol goiano soma-se a uma trajetória construída entre Brasil e Japão, o que faz do treinador uma das vozes mais qualificadas para analisar um confronto entre as duas seleções.
“Meu coração está dividido”
Com laços profundos nos dois países, Wagner admite viver um sentimento especial sempre que Brasil e Japão se enfrentam.
“Para ser sincero, estou com o coração dividido. Quero muito que seja um grande jogo. Se o Brasil ganhar, vou ficar triste pelos japoneses. Se o Japão perder, vou ficar triste pelos brasileiros. Tenho a honra de poder torcer pelos dois times. Que vença o melhor e quem errar menos”, afirmou.
Por fim, ele destacou a tradição brasileira e o sonho japonês de conquistar o primeiro título mundial. “O Brasil é o único país pentacampeão e isso tem um peso enorme em Copa do Mundo. O Japão busca esse sonho desde 1998 e existe um projeto de longo prazo para conquistar um título mundial. Acredito que, pela evolução dos jogadores, isso é apenas uma questão de tempo”, concluiu.
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