Segunda-feira, 27 de Julho de 2026
FORÇA TAREFA

A Itália e o drama da Azzurra na busca por um treinador

Seleção italiana está há 115 dias, quase quatro meses, sem treinador para iniciar o ciclo até a Copa de 2030

Johann Germano
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
Andrea Pirlo Juventus

A tetracampeã mundial Itália já está próxima de chegar a quatro meses sem um treinador. Já faz 115 dias que Gennaro Gattuso deixou o cargo, após não conseguir classificar a seleção para a terceira Copa do Mundo seguida. O ex-volante permaneceu no comando da seleção italiana por 9 meses.

Para liderar a reconstrução da Azzurra, a Federação Italiana de Futebol (FIGC) apostou forte em uma nova cúpula de ídolos, contratando Paolo Maldini como diretor de seleções e o brasileiro Leonardo, tetracampeão na Copa de 1994 sobre os próprios italianos, como consultor.

Carlo Ancelotti, da seleção brasileira, e Pep Guardiola, ex-Manchester City, foram os primeiros nomes da lista de possíveis sucessores de Gennaro Gattuso (Fotos: Rafael Ribeiro/CBF | Manchester City/Divulgação)

A força-tarefa de Maldini e Leonardo, no entanto, tem mirado alto: sondar os “melhores do mundo”. Os dirigentes conversaram inicialmente com Carlo Ancelotti — que permaneceu na Seleção Brasileira com contrato até a Copa de 2030 —, e viajaram até Barcelona para tentar convencer Pep Guardiola, ex-Manchester City, oferecendo um projeto robusto para o ciclo até o próximo mundial. No entanto, ambos os treinadores deram respostas negativas à federação.

Andrea Pirlo atualmente comanda o Dubai United, dos Emirados Árabes Unidos (Foto: @utdfc_official)

O último grande nome e alvo da Itália foi Andrea Pirlo, de 47 anos, que chegou a ser anunciado pela FIGC. Contudo, a própria federação voltou atrás, após suspeitas de ligação do tetracampeão de 2006 com uma casa de apostas da Rússia. Pirlo é garoto propaganda da bet russa.

Além disso, o governo italiano é contra o regime de Vladimir Putin, na Rússia. Políticos italianos criticam o ex-atleta por ter sua imagem associada aos russos. Após saber que não estava mais nos planos da Azzurra, Pirlo, atual técnico do Dubai United, clube dos Emirados Árabes Unidos, se pronunciou nas redes sociais. Leia o pronunciamento a seguir:

“Por respeito às instituições, à Federação Italiana de Futebol e a todas as pessoas envolvidas, optei até agora por manter o silêncio. Mas, depois de saber na noite de ontem que deixei de ser candidato ao cargo de técnico da seleção italiana, considero meu dever esclarecer alguns pontos.

Nos últimos dias, acompanhei com grande tristeza o debate que surgiu em torno do meu nome e da possibilidade de assumir o comando da seleção italiana.

Ao longo da minha carreira, primeiro como jogador e agora como treinador, sempre exerci minha profissão em total respeito às leis dos países onde trabalhei e aos contratos que assinei. A parceria profissional que foi alvo das recentes polêmicas surgiu no contexto da minha trajetória de trabalho nos Emirados Árabes Unidos e tem natureza exclusivamente comercial e esportiva.

Pirlo está no comando do Dubai United desde julho de 2025 (Foto: @utdfc_official)

Atribuir a essa colaboração um significado político significa atribuir a mim convicções que jamais expressei e que não me representam.

Quero agradecer a Paolo Maldini e Leonardo pela estima e pela confiança que demonstraram em mim. Conheço a competência, a seriedade e o amor que ambos sempre dedicaram ao futebol italiano.

Lamento que uma decisão de caráter esportivo tenha sido rapidamente transformada em um debate público que acabou atribuindo à minha pessoa significados e intenções que não me pertencem.

Meu amor pela Itália não depende de um cargo. Ele faz parte da minha história, da minha identidade e continuará a me acompanhar, para sempre.”

Após tentativas malsucedidas com Ancelotti, Guardiola e, por último, Pirlo, a Itália corre contra o tempo para encontrar um treinador que recoloque a Azzurra nos trilhos.

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