Quinta-feira, 29 de Outubro de 2026
GOLEIRA DA SELEÇÃO

Mais de 20 gols! Goleada sofrida em Trindade iniciou carreira de Nathy rumo à Copa do Mundo

Goleira goiana tinha apenas 10 anos quando trocou o ataque pelas luvas durante uma partida difícil em Goiás; hoje, brilha pela Seleção Sub-17 na Copa do Mundo, no Marrocos

Johann Germano
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
goleira Nathy

Aos 10 anos, Nathália Borges ainda queria fazer gols, driblar adversárias e comemorar como atacante. O destino, porém, reservava uma mudança inesperada. Durante uma partida no Centro Esportivo Wilson Goiano, em Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia, a menina que gostava de balançar as redes e chegou a ser chamada de futura camisa 10 da seleção nas redes sociais decidiu pegar as luvas e tentar impedir que o placar se tornasse ainda mais doloroso. O time, porém, sofreu uma goleada de mais de 20 gols. No entanto, aquela experiência acabou despertando em Nathy uma paixão que mudaria sua trajetória no futebol: defender.

“Eu jogava de atacante, de ponta. Gostava de fazer gol, queria ser atacante. Aí coloquei meu nome assim, e veio a mania de todo mundo me chamar de Nathygol”, relembrou a goleira, em referência ao apelido que também virou nome de seu perfil nas redes sociais.

A mudança de posição aconteceu quase por acaso. Acostumada a atuar na linha, Nathy viu a equipe enfrentar dificuldades em uma partida de um campeonato disputado com meninos. Em meio à goleada, resolveu assumir a responsabilidade de tentar evitar os gols adversários. O resultado não foi o esperado, mas a experiência revelou uma nova possibilidade. “Aí eu falei: ‘Caraca, até que é legal! Acho que gostei, quero evoluir’”, contou em entrevista à CBF TV.

Aquela partida em Trindade se transformou em uma virada de chave. Depois de experimentar a posição, Nathy começou a treinar como goleira com os meninos, enquanto continuava jogando na linha pela equipe feminina da escolinha. Aos poucos, o interesse pelas defesas cresceu, até que ela decidiu seguir definitivamente debaixo das traves.

De Trindade para a base de grandes clubes

A escolha que começou em um dia difícil abriu caminho para novas oportunidades. Em um campeonato disputado em Belo Horizonte, Nathy chamou a atenção de representantes do Atlético-MG durante um confronto contra a equipe mineira. Aprovada em 2023, ela se tornou a única menina a integrar a base masculina do Galo, experiência que contribuiu e muito para o desenvolvimento de suas habilidades como goleira.

Três anos depois, foi aprovada para atuar na equipe feminina sub-20 de outra equipe mineira, o América-MG. Embora tenha permanecido por apenas três meses, a passagem representou uma etapa importante na formação da atleta. “Foi meu primeiro lugar em que integrei o feminino mesmo, em que foquei. Ganhei muita experiência. Não fiquei tanto tempo, mas aprendi muito com elas”, destacou.

O passo seguinte foi uma avaliação no Corinthians, clube que Nathy já admirava pela estrutura oferecida ao futebol feminino. Aprovada, ela chegou à equipe paulista no fim de 2024 e continuou a caminhada para realizar um sonho que, até então, parecia distante: vestir a camisa da seleção brasileira.

A menina que queria fazer gols agora defende o Brasil

A primeira convocação para a Seleção veio em 2025, quando Nathy foi chamada para integrar a preparação da equipe sub-15 para a Liga Evolução. A notícia foi uma surpresa para a goleira, que logo teve a oportunidade de disputar o Sul-Americano da categoria, no Paraguai, e conquistar o título continental.

Em 2026, ela voltou a levantar uma taça sul-americana, desta vez com a Seleção Brasileira Sub-17. A sequência de conquistas culminou na participação na Copa do Mundo Feminina Sub-17, disputada no Marrocos.

Goleira Nathy ao lado das companheiras de Seleção no protocolo inicial da partida contra Canadá pela Copa do Mundo no Marrocos (Foto: Fabio Souza/CBF)

“Foi algo que eu não imaginava. Aconteceu muito rápido, e fiquei muito feliz. Sempre foi meu sonho”, afirmou ao recordar a primeira convocação.

No Mundial, a goleira goiana já teve a oportunidade de mostrar por que a escolha feita ainda na infância se tornou tão importante. Na estreia brasileira contra o Canadá, Nathy destacou uma defesa difícil no segundo tempo, em um lance que exigiu reflexo e rapidez para acompanhar a movimentação da adversária.

“Era uma bola muito rápida, que exigia uma leitura um pouco mais rápida por causa da velocidade com que a menina corta e já entra na área. Fiquei feliz em conseguir fazer essa defesa, porque sinto que foi um lance difícil”, explicou.

Goleira Nathy durante preparação para partida contra Gana pela Copa do Mundo no Marrocos (Foto: Fabio Souza/CBF)

Defesa decisiva coloca Nathy nas quartas de final do Mundial

O protagonismo da goleira ganhou ainda mais força nesta quarta-feira (28), quando o Brasil enfrentou a Polônia pelas oitavas de final da Copa do Mundo Feminina Sub-17. Em uma partida marcada por alternância no placar e empate polonês no tempo normal, a classificação brasileira foi decidida nos pênaltis.

Depois de cobranças convertidas pelas duas equipes e de uma chance brasileira desperdiçada por Helena, a disputa foi para as cobranças alternadas. Foi nesse momento que Nathy voltou a fazer a diferença: a goleira defendeu a quarta cobrança polonesa na sequência decisiva e garantiu a classificação da Seleção para as quartas de final.

O Brasil agora aguarda o vencedor do confronto entre China e França, disputado nesta quinta-feira (29), para conhecer o próximo adversário no torneio.

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