Mais de 20 gols! Goleada sofrida em Trindade iniciou carreira de Nathy rumo à Copa do Mundo
Goleira goiana tinha apenas 10 anos quando trocou o ataque pelas luvas durante uma partida difícil em Goiás; hoje, brilha pela Seleção Sub-17 na Copa do Mundo, no Marrocos
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Aos 10 anos, Nathália Borges ainda queria fazer gols, driblar adversárias e comemorar como atacante. O destino, porém, reservava uma mudança inesperada. Durante uma partida no Centro Esportivo Wilson Goiano, em Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia, a menina que gostava de balançar as redes e chegou a ser chamada de futura camisa 10 da seleção nas redes sociais decidiu pegar as luvas e tentar impedir que o placar se tornasse ainda mais doloroso. O time, porém, sofreu uma goleada de mais de 20 gols. No entanto, aquela experiência acabou despertando em Nathy uma paixão que mudaria sua trajetória no futebol: defender.
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“Eu jogava de atacante, de ponta. Gostava de fazer gol, queria ser atacante. Aí coloquei meu nome assim, e veio a mania de todo mundo me chamar de Nathygol”, relembrou a goleira, em referência ao apelido que também virou nome de seu perfil nas redes sociais.
A mudança de posição aconteceu quase por acaso. Acostumada a atuar na linha, Nathy viu a equipe enfrentar dificuldades em uma partida de um campeonato disputado com meninos. Em meio à goleada, resolveu assumir a responsabilidade de tentar evitar os gols adversários. O resultado não foi o esperado, mas a experiência revelou uma nova possibilidade. “Aí eu falei: ‘Caraca, até que é legal! Acho que gostei, quero evoluir’”, contou em entrevista à CBF TV.
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Aquela partida em Trindade se transformou em uma virada de chave. Depois de experimentar a posição, Nathy começou a treinar como goleira com os meninos, enquanto continuava jogando na linha pela equipe feminina da escolinha. Aos poucos, o interesse pelas defesas cresceu, até que ela decidiu seguir definitivamente debaixo das traves.
De Trindade para a base de grandes clubes
A escolha que começou em um dia difícil abriu caminho para novas oportunidades. Em um campeonato disputado em Belo Horizonte, Nathy chamou a atenção de representantes do Atlético-MG durante um confronto contra a equipe mineira. Aprovada em 2023, ela se tornou a única menina a integrar a base masculina do Galo, experiência que contribuiu e muito para o desenvolvimento de suas habilidades como goleira.
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Três anos depois, foi aprovada para atuar na equipe feminina sub-20 de outra equipe mineira, o América-MG. Embora tenha permanecido por apenas três meses, a passagem representou uma etapa importante na formação da atleta. “Foi meu primeiro lugar em que integrei o feminino mesmo, em que foquei. Ganhei muita experiência. Não fiquei tanto tempo, mas aprendi muito com elas”, destacou.
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O passo seguinte foi uma avaliação no Corinthians, clube que Nathy já admirava pela estrutura oferecida ao futebol feminino. Aprovada, ela chegou à equipe paulista no fim de 2024 e continuou a caminhada para realizar um sonho que, até então, parecia distante: vestir a camisa da seleção brasileira.
A menina que queria fazer gols agora defende o Brasil
A primeira convocação para a Seleção veio em 2025, quando Nathy foi chamada para integrar a preparação da equipe sub-15 para a Liga Evolução. A notícia foi uma surpresa para a goleira, que logo teve a oportunidade de disputar o Sul-Americano da categoria, no Paraguai, e conquistar o título continental.
Em 2026, ela voltou a levantar uma taça sul-americana, desta vez com a Seleção Brasileira Sub-17. A sequência de conquistas culminou na participação na Copa do Mundo Feminina Sub-17, disputada no Marrocos.

“Foi algo que eu não imaginava. Aconteceu muito rápido, e fiquei muito feliz. Sempre foi meu sonho”, afirmou ao recordar a primeira convocação.
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No Mundial, a goleira goiana já teve a oportunidade de mostrar por que a escolha feita ainda na infância se tornou tão importante. Na estreia brasileira contra o Canadá, Nathy destacou uma defesa difícil no segundo tempo, em um lance que exigiu reflexo e rapidez para acompanhar a movimentação da adversária.
“Era uma bola muito rápida, que exigia uma leitura um pouco mais rápida por causa da velocidade com que a menina corta e já entra na área. Fiquei feliz em conseguir fazer essa defesa, porque sinto que foi um lance difícil”, explicou.

Defesa decisiva coloca Nathy nas quartas de final do Mundial
O protagonismo da goleira ganhou ainda mais força nesta quarta-feira (28), quando o Brasil enfrentou a Polônia pelas oitavas de final da Copa do Mundo Feminina Sub-17. Em uma partida marcada por alternância no placar e empate polonês no tempo normal, a classificação brasileira foi decidida nos pênaltis.
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Depois de cobranças convertidas pelas duas equipes e de uma chance brasileira desperdiçada por Helena, a disputa foi para as cobranças alternadas. Foi nesse momento que Nathy voltou a fazer a diferença: a goleira defendeu a quarta cobrança polonesa na sequência decisiva e garantiu a classificação da Seleção para as quartas de final.
O Brasil agora aguarda o vencedor do confronto entre China e França, disputado nesta quinta-feira (29), para conhecer o próximo adversário no torneio.