ESTADOS UNIDOS

Criado por Trump, gold card de US$ 1 milhão atrai só 338 pessoas

Programa que acelera visto de residência para alta renda fracassa após declarações de que traria trilhões de dólares

Criado por Trump, gold card de US$ 1 milhão atrai só 338 pessoas (Foto: Montagem/Mais Goiás)
Criado por Trump, gold card de US$ 1 milhão atrai só 338 pessoas (Foto: Montagem/Mais Goiás)

(Folhapress) Apenas 338 pessoas solicitaram o gold card de US$ 1 milhão de Donald Trump, o programa de residência acelerada nos Estados Unidos que foi lançado no ano passado com grande alarde pelo governo do republicano.

Em um documento judicial, funcionários do Departamento de Justiça escreveram que o programa “não impactou o processamento” de outros vistos, que atraíram dezenas de milhares de solicitações.

As autoridades afirmaram que 165 pessoas pagaram a taxa de processamento de visto de US$ 15 mil, e 59 avançaram para uma etapa subsequente com o Departamento de Segurança Interna, que avalia os candidatos com o Departamento de Estado.

Na semana passada, o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, disse durante testemunho ao Congresso que apenas uma pessoa havia sido aprovada para o visto acelerado, enquanto “centenas” estavam “na fila”. O Departamento de Comércio não revelou a identidade do primeiro beneficiário do gold card.

Quando o programa foi anunciado, Lutnick disse que ele substituiria o programa de visto EB-5 para investidores estrangeiros. Posteriormente, ele afirmou que 200 mil vistos poderiam render US$ 1 trilhão para o Departamento do Tesouro.

Trump recepciona rei Charles III em Washington (Foto: Casa Branca)

“Pessoas ricas virão para o nosso país comprando este cartão”, disse Trump no lançamento do programa. “Serão pessoas ricas e bem-sucedidas, que gastarão muito dinheiro, pagarão muitos impostos e empregarão muitas pessoas.”

O programa foi contestado em uma ação judicial de autoria da Associação Americana de Professores Universitários, que afirma que o gold card substitui ilegalmente o sistema existente baseado em mérito e, em vez disso, vende vistos para os ricos.

Lutnick afirmou que a ideia inicial do visto veio do bilionário e doador de Trump, John Paulson, como uma forma de aumentar a receita do governo e ajudar a pagar a dívida pública nacional, na casa dos US$ 37 trilhões.

Em março de 2025, o secretário de Comércio disse ao podcast All-In que havia “vendido mil” vistos, que ele apelidou de “Trump Card”, e afirmou que o presidente achava que poderia vender um milhão deles a US$ 5 milhões cada. “Isso dá US$ 5 trilhões”, disse Lutnick aos apresentadores do podcast.

Trump e o rei Charles III em Washington (Foto: Casa Branca)

Em junho do ano passado, o Departamento de Comércio lançou o site trumpcard.gov para que potenciais candidatos fornecessem informações básicas de contato, incluindo nome, endereço de email e região do mundo em que vivem. Lutnick disse ao Financial Times que quase 70 mil pessoas rapidamente demonstraram interesse no visto.

Em dezembro, o governo reduziu o preço do gold card para US$ 1 milhão, dizendo que o programa proporcionaria a compra de “residência nos EUA em tempo recorde”. O site do governo também anunciou um futuro Trump “Platinum Card” por US$ 5 milhões, que permitiria ao titular “passar até 270 dias nos EUA sem estar sujeito a impostos americanos sobre renda obtida fora dos EUA”.

Em janeiro, a rapper Nicki Minaj agradeceu a Trump por lhe dar um gold card “gratuito”. Funcionários posteriormente esclareceram ao jornal The New York Times que era apenas uma “lembrança” e que Minaj já era residente permanente legal que poderia solicitar cidadania.

Um representante do Departamento de Segurança Interna encaminhou o FT ao Departamento de Comércio, que não respondeu aos pedidos de comentário.