Sexta-feira, 06 de Novembro de 2026
CRISE NO PARAGUAI

Impeachment de Santiago Peña pode ser votado nesta sexta-feira no Paraguai; veja cronograma

Presidente terá oportunidade de apresentar defesa a partir das 10h; Senado precisa reunir pelo menos 30 votos para destituí-lo, mesmo após o anúncio de renúncia

Por - Goiânia, GO
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Santiago Peña, presidente do Paraguai

O Senado do Paraguai poderá votar nesta sexta-feira (6/11) o impeachment do presidente Santiago Peña, que anunciou sua renúncia ao cargo em meio à crise envolvendo o Ueno Bank. O julgamento terá início às 10h, com a apresentação da defesa do mandatário ou de seu advogado. Para aprovar a destituição, serão necessários pelo menos 30 votos dos 45 senadores.

O cronograma foi anunciado na noite desta quinta-feira (5) pelo presidente do Congresso paraguaio, Basilio “Bachi” Núñez, após a primeira sessão do julgamento político. Segundo ele, o procedimento prevê cinco sessões extraordinárias, que poderão ser concluídas no mesmo dia, dependendo do tempo utilizado pela defesa.

A primeira etapa ocorreu ainda na quinta-feira, com a formação do tribunal responsável pelo julgamento, composto pelos 45 senadores, e a apresentação da acusação pelos deputados designados para o processo. Peña foi notificado naquela noite e recebeu prazo de 12 horas para preparar sua defesa.

A segunda sessão está marcada para as 10h de sexta-feira. O presidente poderá comparecer pessoalmente ou ser representado por advogado, sem limite de tempo para sua manifestação.

A terceira etapa está prevista para começar entre 13h e 14h, com a avaliação das provas apresentadas pelos deputados. Em seguida, os parlamentares passarão à fase de alegações, antes da quinta e última sessão, destinada à votação nominal.

Núñez afirmou que o julgamento poderá terminar ainda na sexta-feira, caso todas as etapas sejam cumpridas. O horário da votação final, entretanto, não foi definido.

Renúncia de Peña ainda não foi aceita

Embora Santiago Peña tenha anunciado sua renúncia na tarde de quinta-feira, ele continua formalmente no cargo. O Congresso chegou a se reunir para analisar o pedido, mas a sessão foi interrompida por falta de quórum depois que parlamentares governistas deixaram o plenário.

Sem uma decisão sobre a renúncia, o Senado deu prosseguimento ao impeachment aprovado horas antes pela Câmara dos Deputados, com o apoio dos 78 parlamentares presentes.

A decisão de continuar o julgamento tem consequências para a situação jurídica do presidente. Pela Constituição paraguaia, ex-presidentes que concluem seus mandatos ou deixam o cargo por renúncia podem ocupar a condição de senadores vitalícios. Essa prerrogativa não se aplica aos que são destituídos por julgamento político.

Parlamentares contrários à aceitação da renúncia argumentam que a medida poderia assegurar prerrogativas parlamentares a Peña e dificultar uma eventual responsabilização judicial.

Crise do Ueno Bank motivou processo

O pedido de impeachment foi apresentado após o Banco Central do Paraguai determinar o processo de resolução do Ueno Bank, instituição financeira à qual Peña esteve ligado como acionista de uma holding controladora.

A acusação aprovada pelos deputados atribui ao presidente suposto mau desempenho de suas funções, conflito de interesses e responsabilidade por decisões envolvendo recursos públicos destinados à instituição financeira.

Entre os pontos questionados estão a nomeação de um ex-dirigente da Financiera Ueno para a presidência do Banco Central e a concentração de recursos do Instituto de Previdência Social (IPS) no banco. As acusações ainda dependem de julgamento no Senado.

O processo segue o artigo 225 da Constituição paraguaia, que atribui à Câmara dos Deputados a apresentação das acusações e ao Senado a responsabilidade de julgar o presidente.

Se obtiver os 30 votos necessários, o impeachment resultará na destituição de Peña. Caso a acusação não alcance essa maioria, o presidente não será removido por esse processo.

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