Cotado para ministério de Lula foi anunciado por Caiado para o mesmo cargo na campanha
Promotor Lincoln Gakiya havia sido escolhido pelo ex-governador goiano para comandar Segurança em eventual governo; agora, circula no Planalto
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O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, apontado pela imprensa nacional como um dos principais cotados para comandar o novo Ministério da Segurança Pública do presidente Lula (PT), é o mesmo nome anunciado por Ronaldo Caiado (PSD) para ocupar o cargo durante a campanha presidencial deste ano. Em agosto, o ex-governador de Goiás afirmou que convidaria Gakiya para ser ministro caso fosse eleito. Agora, o integrante do Ministério Público de São Paulo está entre os nomes considerados pelo governo federal e já declarou que aceitaria um convite de Lula.
A sinalização de Caiado ocorreu em 10 de agosto, durante a apresentação de seu programa de segurança pública, denominado Operação Reconquista, em São Paulo. Na ocasião, o então candidato à Presidência defendeu a criação de um ministério exclusivo para o setor e apontou Gakiya como o profissional que pretendia colocar à frente da pasta. O promotor, entretanto, afirmou que soube da intenção pela imprensa e que não havia recebido um convite formal.
Na ocasião, Caiado elogiou a trajetória de Gakiya nas investigações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC). “Talvez seja um dos homens que eu mais admiro pelo combate que ele tem durante uma vida”, declarou o ex-governador. A escolha também foi divulgada oficialmente pelo PSD, partido pelo qual Caiado disputou a Presidência.
Gakiya já foi sondado pelo governo Lula
A possibilidade de Gakiya assumir o ministério ganhou força após a reeleição de Lula. Em reportagem publicada no dia 3 de novembro, o UOL informou que o promotor havia sido sondado informalmente por integrantes do Palácio do Planalto e demonstrado interesse no cargo.
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As conversas não resultaram, até a última manifestação pública localizada, em um convite formal. Em entrevista ao Metrópoles no dia 3, Gakiya reafirmou sua disposição para assumir o posto. “Não recebi nenhum convite. Mas, claro, se recebesse seria uma honra servir ao Brasil”, declarou.
O posicionamento difere daquele adotado em agosto, quando Caiado o apresentou como futuro integrante de seu governo. Na época, o promotor explicou que não poderia ocupar um cargo no Executivo enquanto permanecesse na ativa no Ministério Público. Ele informou que preencheria os requisitos para se aposentar em dezembro.
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Apesar das notícias que colocam Gakiya entre os principais nomes considerados, a escolha permanece aberta. O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, também é cotado, assim como os ex-governadores Camilo Santana e Rui Costa, ambos do PT. Em 29 de outubro, a CNN publicou que Lula havia sinalizado a aliados preferência por um nome com experiência política, o que poderia dificultar a indicação do promotor.
Quem é Lincoln Gakiya
Integrante do Ministério Público de São Paulo e com atuação no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em Presidente Prudente, Lincoln Gakiya investiga o PCC desde o início dos anos 2000. Entre suas principais atuações está o pedido de transferência de líderes da facção, incluindo Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, para presídios federais de segurança máxima, em 2019.
As investigações também fizeram dele um alvo da organização criminosa. O promotor vive sob escolta policial há mais de uma década, após sucessivas ameaças de morte. Em 2020, investigadores descobriram um plano para assassiná-lo, relacionado à transferência de integrantes do PCC para penitenciárias federais. Outros planos de ataque foram identificados posteriormente.

Gakiya também participou da elaboração do projeto que deu origem à Lei Antifacção, aprovada em 2026. Em novembro de 2025, foi ouvido pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado, onde apresentou informações sobre a estrutura do PCC e suas atividades dentro e fora do sistema prisional.
Uma das posições defendidas pelo promotor é a distinção entre organizações criminosas e grupos terroristas. Em depoimento ao Senado, Gakiya afirmou que o PCC e o Comando Vermelho praticam atos de natureza terrorista, mas não possuem a motivação política ou ideológica que caracterizaria uma organização terrorista. Caiado, por sua vez, defendeu durante a campanha a criação de uma lei de terrorismo doméstico para enquadrar facções e milícias.
Lula prepara criação do ministério
O presidente Lula anunciou na quinta-feira (5) que pretende encaminhar ao Congresso uma medida provisória para criar o Ministério da Segurança Pública. A declaração foi dada durante uma transmissão ao vivo com o deputado André Janones (Rede-MG). O presidente informou que discutiria a proposta nesta sexta-feira (6), com integrantes de seu governo.
A iniciativa ocorre após a aprovação da PEC da Segurança Pública pelo Senado, na terça-feira (3). O texto recebeu 73 votos favoráveis no primeiro turno e 75 no segundo, sem votos contrários. A proposta amplia a participação da União na segurança pública e inclui o Sistema Único de Segurança Pública na Constituição.
A nova pasta deverá ser formada a partir do desmembramento do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Ainda estão em discussão a distribuição dos órgãos federais, os cargos e o orçamento. Segundo a Folha de S.Paulo, a estrutura poderá ser criada neste ano, mas seu funcionamento pleno deve ficar para 2027.