Eduardo Bolsonaro é cotado para Ministério de Relações Exteriores se Flávio vencer eleição
Irmão do presidenciável promete “faxina” no Itamaraty e diz já ter mapeado diplomatas que, segundo ele, atuaram contra o governo de Jair Bolsonaro
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Eduardo Bolsonaro é apontado por aliados como um dos nomes que podem assumir o Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL). Outra possibilidade discutida no entorno do candidato seria a indicação do ex-deputado para a Embaixada do Brasil em Washington, segundo informações publicadas pela imprensa.
A eventual participação de Eduardo na política externa ganhou atenção depois de ele prometer uma “faxina” no Itamaraty caso o irmão seja eleito presidente. Em vídeo publicado nas redes sociais, Eduardo afirmou que já teria identificado diplomatas que, na avaliação dele, “sabotaram” o governo de Jair Bolsonaro.
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“Eu vou estar na cola de vocês”, afirmou o ex-deputado ao se dirigir aos integrantes da carreira diplomática que acusa de terem agido contra a gestão do pai. Segundo a Folha de S.Paulo, Eduardo também disse que os nomes estariam mapeados e prometeu mudanças no ministério em caso de vitória de Flávio.
As declarações foram feitas ao comentar a atuação do corpo diplomático brasileiro. Eduardo citou, entre outros episódios, a atuação da representação do Brasil na Espanha em relação aos filhos de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e defendeu a retirada do embaixador que responsabiliza pelo episódio.
Eduardo pode enfrentar disputa pelo Itamaraty
A escolha do chanceler, porém, ainda não está definida e pode provocar uma disputa dentro do grupo de Flávio Bolsonaro.
Segundo informações divulgadas pelo UOL, há uma ala que defende uma condução mais técnica e pragmática das relações exteriores. Nesse grupo, ligado ao senador Rogério Marinho, um dos nomes mencionados é o do economista Marcos Troyjo, que já ocupou a Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia e presidiu o Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como Banco dos Brics.
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Do outro lado estão Eduardo e seus aliados, que defendem uma mudança mais profunda na condução do Itamaraty e uma política externa de perfil ideológico mais próximo da direita internacional.
Um dos integrantes desse grupo é Marcos Degaut, aliado de Eduardo. De acordo com a Folha, ele defende uma reforma na estrutura diplomática inspirada em medidas adotadas pelo secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, com maior cobrança por desempenho e meritocracia. Degaut, contudo, nega que a proposta represente perseguição política a diplomatas.
Relação com Estados Unidos e China
Uma eventual nomeação de Eduardo Bolsonaro para o Itamaraty teria repercussões também sobre as relações do Brasil com Estados Unidos e China.
Eduardo mora nos Estados Unidos desde 2025 e desenvolveu relações com integrantes da direita norte-americana. Sua atuação no país incluiu uma campanha para pressionar autoridades dos EUA pela adoção de sanções contra autoridades brasileiras, especialmente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A possibilidade de ele comandar a diplomacia brasileira também tem sido acompanhada na China. Análises repercutidas pela imprensa chinesa após o primeiro turno apontaram que uma eventual administração de Flávio Bolsonaro poderia aproximar politicamente Brasília de Washington, embora a dimensão das relações comerciais entre Brasil e China seja vista como fator capaz de limitar mudanças mais radicais. A eventual escolha de Eduardo para chanceler foi citada como potencial ponto de tensão, em razão dos atritos que ele manteve com Pequim durante o governo do pai, sobretudo no período da pandemia.
Apesar das especulações sobre os nomes para o Ministério das Relações Exteriores, Flávio Bolsonaro não anunciou quem comandaria o Itamaraty caso vença a eleição. Neste momento, portanto, Eduardo aparece como uma possibilidade discutida por aliados, e não como uma escolha confirmada.