Encontro estratégico

Em meio a desgaste, Flávio Bolsonaro vai aos EUA para encontro com Trump

Senador também deve participar de agendas com integrantes do alto escalão do governo dos EUA ao longo dos próximos dias

Flávio Bolsonaro vai aos EUA para encontro com Trump
Encontro entre lideranças deve ocorrer na próxima terça-feira (Foto: Reprodução/Colagem)

O senador Flávio Bolsonaro (PL) desembarcou em Washington, capital dos Estados Unidos, onde deve se reunir com o presidente americano Donald Trump na próxima terça-feira (26/5). A viagem ocorre em meio ao avanço das articulações para as eleições presidenciais de 2026 e em um momento de pressão política sobre o parlamentar.

Ainda não se sabe, oficialmente, qual será a pauta do encontro. Segundo informações divulgadas pelo jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, Flávio teria mostrado a aliados um e-mail enviado pela Casa Branca com o convite para a reunião com Trump.

SAIBA MAIS:

Além do encontro com o presidente americano, a expectativa é de que o senador participe de agendas com integrantes do alto escalão do governo dos Estados Unidos ao longo dos próximos dias. O retorno ao Brasil está previsto para quinta-feira (28/5).

Nos bastidores, integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acompanham a movimentação com cautela. Lula e Flávio Bolsonaro aparecem entre os principais nomes cotados para protagonizar a disputa presidencial de 2026, que, na avaliação de analistas políticos, tende a repetir o cenário apertado registrado em 2022.

Nos bastidores, também circula a informação de que a agenda entre Flávio e Trump teria sido articulada pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que vive nos Estados Unidos desde o ano passado e mantém proximidade com figuras ligados ao trumpismo.

Reversão do desgaste

A viagem acontece em um momento delicado para Flávio Bolsonaro. O senador enfrenta desgaste político após o vazamento de áudios nos quais negocia o repasse de R$ 134 milhões para financiar um filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro junto ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Apesar de negar qualquer irregularidade, o episódio provocou desgaste dentro da base bolsonarista e começou a se traduzir em recuo das intenção de voto, segundo as últimas pesquisas. A leitura entre aliados é de que o encontro com Trump pode ajudar a construir uma agenda positiva para o senador e contribuir para reverter o declínio registrado nos últimos dias.

O núcleo duro do bolsonarismo avalia que a aproximação pública com Trump também pode ajudar a desviar o foco das polêmicas envolvendo Flávio nas últimas semanas. Entre integrantes da direita, a reunião já era tratada como estratégica após a longa visita do presidente Lula à Casa Branca, ocasião em que o petista permaneceu reunido com autoridades americanas por mais de três horas.

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Apesar do cálculo eleitoral por trás da agenda, articuladores ligados ao senador dizem que o encontro também deve abordar temas considerados prioritários para os dois países, como tarifas comerciais, minerais críticos, atuação das big techs e combate ao crime organizado.

Termômetro da eleição

A pressão sobre Flávio aumentou após a divulgação da primeira pesquisa Datafolha realizada integralmente depois da repercussão do caso “Dark Horse”,n nome do longa sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. No levantamento, Lula ampliou de três para nove pontos sua vantagem sobre o senador em uma simulação de primeiro turno.

Segundo a pesquisa, o petista aparece com 40% das intenções de voto, contra 31% de Flávio Bolsonaro. No levantamento anterior, divulgado uma semana antes, os dois estavam em empate técnico dentro da margem de erro, com 38% para Lula e 35% para o senador.

No cenário de segundo turno, a igualdade de 45% registrada anteriormente deu lugar a uma vantagem de 47% a 43% para Lula. Os números, já esperados até mesmo pela própria direita, indicam o impacto político do episódio sobre a pré-campanha bolsonarista.