Em resposta às críticas da direita, Lula lança programa de combate às facções
Com R$ 11 bilhões em investimentos, programa surge como resposta às acusações de leniência do governo e projeta segurança entre prioridades
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresenta nesta terça-feira (12/5) o programa Brasil Contra o Crime Organizado, um conjunto de medidas com o objetivo de endurecer o enfrentamento às facções criminosas no Brasil. A iniciativa mobiliza R$ 11 bilhões em recursos. Do total, R$ 1 bilhão virá do orçamento da União e R$ 10 bilhões serão destinados aos estados por meio de financiados em linhas de crédito com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Segundo a Presidência, o plano foi elaborado em articulação com governadores, especialistas e representantes das forças de segurança. A meta, conforme comunicado oficial, é enfraquecer as estruturas econômicas, operacionais e sociais que sustentam as organizações criminosas no país.
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A proposta será organizada em quatro frentes principais: bloqueio de recursos financeiros das facções; reforço da segurança nos presídios; aprimoramento das investigações e da elucidação de homicídios; e combate ao tráfico de armas. O governo sustenta que a estratégia busca atacar não apenas a atuação direta dos grupos, mas também suas fontes de financiamento e articulação.
Na última semana, Lula afirmou que é necessário “destruir o potencial financeiro do crime organizado e das facções”. Após encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no dia 7 deste mês, o chefe do Executivo declarou que o Brasil está aberto à cooperação internacional no combate às organizações criminosas. Em entrevista, reforçou que algumas dessas estruturas atuam de forma transnacional, com presença em diferentes setores e países.
Em ano de eleição
O lançamento ocorre em meio às pressões da oposição, que tem acusado o governo de leniência diante do avanço das facções criminosas em território nacional. A menos de seis meses das eleições, a segurança pública passou a protagonizar o debate, tanto pela repercussão eleitoral quanto pelos índices de percepção da violência.
Levantamento do Datafolha divulgado naa última segunda-feira (10/5), por exemplo, apontou que 41% dos brasileiros afirmam perceber a atuação do crime organizado no bairro onde vivem. Para 51%, o problema não está presente na vizinhança, enquanto 7% não souberam responder. A pesquisa também indica que 96,2% da população relata medo de ao menos uma situação de violência.

Diante desse cenário, Lula afirmou que as medidas serão aplicadas com rigor. “Quem escapou até semana que vem, tudo bem. Mas quem não escapou, não vai escapar mais”, declarou, ao defender uma ofensiva mais incisiva contra as facções.
Entre os críticos mais incisivos do governo está o ex-governador de Goiás e presidenciável, Ronaldo Caiado (PSD), que tem defendido a classificação das facções como como organizações terroristas. Em entrevistas recentes, ele rebateu o argumento de que tal medida poderia implicar perda de soberania nacional, como insinuado pelo governo.
“Isso é mais uma tese absurda para justificar a omissão do governo. Nenhum país perdeu soberania por combater suas próprias facções. O que está destruindo a soberania do Brasil é a inação do PT”, disse Caiado.
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O senador Flávio Bolsonaro, que também é pré-candidato à presidência, também fez críticas ao político. Em entrevista à CNN Brasil, declarou que o presidente teria deixado de apresentar propostas de cooperação internacional no combate ao crime organizado e questionou os resultados da reunião com o governo norte-americano. Para ele, o presidente só foi aso EUA para “defender seus eleitores do PCC e CV” e teria perdido a “oportunidade de trazer algo concreto para o Brasil”.