Na estreia como candidata, ex-primeira-dama Gracinha Caiado é eleita senadora
Gracinha chega ao Senado embalada pela alta aprovação do marido, o ex-governador Ronaldo Caiado, e pelo trabalho feito na área social do governo
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Embalada pela alta aprovação do marido, o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), e pelo trabalho que fez na área social do governo, a ex-primeira-dama Gracinha Caiado (União) se elegeu senadora em Goiás neste domingo (4).
Gracinha conquista o mandato depois de uma campanha eleitoral marcada pela pulverização de candidaturas ao Senado dentro do próprio grupo político ao qual ela pertence. Além dela, a base governista teve, como postulantes ao mesmo cargo, o deputado federal Zacharias Calil (MDB), o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Gustavo Mendanha (PRD) e o hoje senador Vanderlan Cardoso (PSD).
Dos quatro candidatos, ela foi a que mais se aproximou de ter o apoio consensual dos deputados, prefeitos e vereadores do grupo político.
No começo da corrida eleitoral, Gracinha teve um desentendimento com Mendanha – a quem acusou de orquestrar o espalhamento de material ofensivo contra ela nas redes sociais.
Da área social à primeira disputa eleitoral
A disputa pelo Senado em 2026 marcou uma mudança de posição na trajetória política de Gracinha Caiado (União Brasil). Depois de décadas participando da vida política ao lado do marido, o ex-governador e candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD), e de ganhar projeção própria à frente das políticas sociais do Governo de Goiás, ela colocou pela primeira vez o próprio nome nas urnas.
Gracinha chegou à campanha como um dos principais nomes na disputa pelas duas cadeiras de Goiás no Senado. A ex-primeira-dama liderou diferentes pesquisas realizadas ao longo do período eleitoral e permaneceu no primeiro pelotão até a reta final.
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Levantamento Genial/Quaest divulgado ainda em julho apontava Gracinha com 20% das intenções de voto, contra 10% de Vanderlan Cardoso e 9% de Zacharias Calil e Gustavo Gayer.
A liderança também apareceu nas pesquisas encomendadas pelo Mais Goiás. No levantamento Goiás Pesquisas realizado no início de setembro, Gracinha somava 46% quando consideradas as intenções de primeiro e segundo voto. Gayer tinha 36,4% e Zacharias, 34,6%.
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Na segunda quinzena de setembro, ela registrava média de 23,6% considerando as duas escolhas do eleitor, seguida por Gayer, com 19,4%, e Zacharias, com 18,5%.
A distância diminuiu na reta final. Pesquisa Goiás Pesquisas divulgada uma semana antes da eleição mostrou Gracinha com média de 21,6%, Gayer com 21,1% e Zacharias com 18,2%. O cenário indicava os três candidatos no principal pelotão da disputa pelas duas vagas disponíveis para Goiás.

A candidatura de Gracinha também esteve diretamente ligada ao grupo político construído durante os dois mandatos de Ronaldo Caiado no governo de Goiás. Ela participou da chapa majoritária que reuniu União Brasil e partidos aliados e teve como uma das principais bandeiras de campanha a experiência adquirida na coordenação das políticas sociais do Estado.
Projeção durante o governo Caiado
Maria das Graças Landim de Carvalho Caiado, conhecida como Gracinha Caiado, nasceu em Feira de Santana, na Bahia, em 30 de abril de 1959. Advogada formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), também construiu trajetória profissional ligada à atividade rural.
Sua relação com a política começou antes do casamento com Ronaldo Caiado. Na década de 1980, Gracinha participou da União Democrática Ruralista (UDR) na Bahia, entidade ligada à representação de produtores rurais.
Foi nesse ambiente que conheceu Caiado. Os dois se casaram em 1990 e tiveram duas filhas, Maria e Marcela.
Ao longo das décadas seguintes, Gracinha acompanhou a trajetória política do marido, que passou pela Câmara dos Deputados, pelo Senado, por uma primeira candidatura à Presidência da República, em 1989, e finalmente pelo Governo de Goiás.
Foi justamente no Executivo estadual que Gracinha passou a ocupar um espaço público de maior projeção própria.
Com a eleição de Caiado para governador em 2018, ela assumiu a presidência de honra da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) e a coordenação do Gabinete de Políticas Sociais. Também passou a atuar diretamente na articulação das políticas estaduais de assistência social.

O trabalho ganhou maior visibilidade a partir da pandemia de Covid-19, período em que o governo ampliou ações destinadas à população em situação de vulnerabilidade.
Posteriormente, Gracinha passou a coordenar o Goiás Social, estrutura que concentrou e articulou diferentes programas do governo destinados à população de baixa renda.
Entre as iniciativas associadas ao programa estão Mães de Goiás, Aluguel Social, Crédito Social e ações de qualificação profissional, segurança alimentar e assistência a famílias em situação de vulnerabilidade.
A função também colocou Gracinha em contato direto com prefeituras e gestores municipais. Durante os anos no governo, ela participou de encontros e articulações com primeiras-damas, prefeitos e responsáveis pelas políticas de assistência social nos municípios.
Essa atuação acabou formando uma das principais bases para a construção de sua candidatura ao Senado.
De primeira-dama a candidata
Embora acompanhasse a política há décadas, Gracinha nunca havia disputado um cargo eletivo antes de 2026.
A candidatura ao Senado representou, portanto, a passagem de uma atuação predominantemente nos bastidores e na administração estadual para uma carreira eleitoral própria.

Gracinha se filiou ao União Brasil em 2023 e passou a ganhar espaço político dentro da legenda. Seu nome começou a ser citado para o Senado ainda durante o segundo mandato de Caiado.
A movimentação se intensificou à medida que se aproximava a sucessão estadual. Enquanto Daniel Vilela foi preparado para assumir o governo e disputar a permanência no Palácio das Esmeraldas, Gracinha passou a ser projetada para uma das duas vagas ao Senado abertas na eleição de 2026.
A configuração permitiu ao grupo político de Caiado lançar candidatos aos dois principais cargos estaduais em disputa: Daniel ao governo e Gracinha ao Senado.
Com a renúncia de Ronaldo Caiado ao Governo de Goiás, em 31 de março, para disputar a Presidência da República, Gracinha também deixou a condição de primeira-dama. A partir daquele momento, sua atuação passou a se concentrar na própria candidatura.
Na campanha, ela procurou transformar a experiência acumulada na área social em uma das credenciais para chegar ao Congresso. Também defendeu pautas relacionadas ao agronegócio, direito à propriedade e políticas voltadas às mulheres.
Uma trajetória política construída ao lado de Caiado
A chegada de Gracinha à disputa pelo Senado também acrescentou um novo capítulo à trajetória política da família Caiado.
Ronaldo Caiado construiu uma carreira de quatro décadas, iniciada nacionalmente a partir da atuação no setor rural. Foi candidato à Presidência em 1989, deputado federal por cinco mandatos, senador e governador de Goiás por dois mandatos, antes de deixar o Palácio das Esmeraldas em 2026 para voltar a disputar a Presidência.
Gracinha esteve ao lado dele durante a maior parte desse percurso, inicialmente sem ocupar cargos eletivos.
A passagem pelo governo de Goiás modificou esse perfil. Entre 2019 e março de 2026, ela deixou de atuar apenas como uma figura ligada à trajetória do marido e passou a construir exposição própria, principalmente por meio da OVG e da coordenação das políticas sociais.
A eleição de 2026 tornou essa transição explícita: depois de participar de campanhas e governos ao lado de Ronaldo Caiado, Gracinha chegou às urnas pela primeira vez como candidata.