Quanto custa votar em Cavalcante? Para morador Kalunga, são 22 km até a urna
Levantamento mostra que índice de ausentes no pleito foi maior que a média nacional em cidades onde ao menos 5% dos habitantes vivem distantes da urna
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Para um produtor rural que vive no território Kalunga, em Cavalcante, no norte de Goiás, votar começa muito antes de chegar à seção eleitoral. São 22 km entre sua casa e o local de votação mais próximo. Como o acesso de carro é difícil, o trajeto pode ser feito a pé ou a cavalo, quando há animal disponível.
Em relato ao jornal O Globo, o morador contou que precisa sair por volta das 4h da manhã para chegar ao destino perto do meio-dia. Às vezes, é necessário partir no dia anterior. Quando chove, a viagem pode ficar inviável. O custo do voto, nesse caso, não está em uma passagem: está nas horas de deslocamento, no esforço físico e na dependência das condições da estrada.
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O caso de Cavalcante aparece em um levantamento feito por O Globo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Censo de 2022. Nos municípios onde pelo menos 5% da população mora a mais de 40 km, em linha reta, do local de votação mais próximo, a abstenção nas eleições de 2022 foi de 27,9%. A média nacional usada na análise foi de 20,8%. A distância medida no estudo não corresponde necessariamente ao caminho percorrido por estrada, que pode ser maior.
O levantamento mostra uma associação entre isolamento e ausência nas urnas; não permite afirmar que a distância, sozinha, explique cada abstenção. Em Cavalcante, a pergunta para a eleição deste domingo (4) é concreta: que transporte chegará às comunidades Kalunga, por quais trajetos e em quais horários?
A legislação eleitoral prevê transporte gratuito para eleitores da zona rural em dias de votação. O TSE também informa que o programa Seu Voto Importa contempla comunidades quilombolas sem meios próprios de deslocamento. Isso, porém, não esclarece quais rotas estarão disponíveis especificamente no município.
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O problema ultrapassa Goiás. Na mesma reportagem, O Globo relata dificuldades de deslocamento em comunidades do Pará e do Amazonas. Em Maraã (AM), a abstenção chegou a 39,4% em 2022. Os exemplos mostram que aproximar a urna ou oferecer transporte capaz de alcançar quem vive longe dela pode ser decisivo para transformar o direito ao voto em uma possibilidade real.