Se eleito, Caiado considera impeachment de ministros do STF
Pré-candidato afirmou que ministros citados em denúncias deveriam ser afastados para devida apuração dos fatos
Em declarações interpretadas nos bastidores da política nacional como um aceno ao bolsonarismo, o ex-governador de Goiás e pré-candidato à presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou que, em um eventual governo comandado por ele, vai apoiar pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
As declarações foram feitas durante participação no encontro de presidenciáveis promovido pela Amcham Brasil, realizado na última segunda-feira (25). Na ocasião, Caiado afirmou que não gostaria de ver processos de impeachment contra integrantes da Corte, mas avaliou que a medida “vai acontecer” caso assuma o Palácio do Planalto em janeiro de 2027.
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Nos bastidores, o discurso é interpretado como uma tentativa de Caiado de ampliar a interlocução com setores mais identificados com a direita e o bolsonarismo. A avaliação ganha força, especialmente após o vazamento de áudios que expuseram a relação entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Acontece que o episódio provocou desgaste na confiança em meio aos eleitores mais moderados da direita. A leitura, com isso, é que Caiado tenta ocupar esse espaço político e atrair possíveis eleitores insatisfeitos com o episódio envolvendo o nome do senador e o ex-banqueiro.
Segundo o ex-governador, o STF foi atingido por episódios envolvendo questões pessoais de ministros, o que, na avaliação dele, compromete a imagem institucional da Corte. Caiado também argumentou que situações individuais não deveriam contaminar o funcionamento do tribunal nem ser relativizadas por interpretações internas.
As declarações fazem referência a suspeitas envolvendo o Banco Master, que apura supostos repasses e transações financeiras que teriam beneficiado familiares de ministros do STF. O ex-governador comparou a situação ao funcionamento de empresas privadas e afirmou que, quando há denúncias contra ocupantes de cargos relevantes, o afastamento temporário acontece até a conclusão das investigações.
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“Pessoas que são atingidas com denúncias sobre a sua trajetória de vida deveriam ser afastadas para que respondessem”, declarou. “Aí, sim, o Supremo guardaria sua condição de imparcialidade nos julgamentos de temas relevantes, como se precisa”, acrescentou.
Embora não tenha citado nomes, um dos episódios recentes envolvendo familiares dos ministros passa pela identificação de repasses de R$ 80 milhões ao escritório da esposa de Alexandre de Moraes, além de R$ 6,6 milhões ligados a contas relacionadas aos irmãos do ministro Dias Toffoli.
O ex-governador afirmou ainda que, caso não haja o afastamento dos envolvidos em assuntos que coloquem a credibilidade da Corte em cheque, o “segundo passo” necessário seria o impeachment. “É algo que eu não queria, mas que vai acontecer, que vai ser a segunda etapa. Se o Supremo não tomar essa decisão, qual é o segundo passo? O impeachment”, declarou. Na avaliação de Caiado, o STF enfrenta um momento de forte desgaste institucional e, para superar a crise de imagem, a própria Corte deveria demonstrar capacidade de “cortar na própria carne”.