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STF registra 40% de reprovação e se mantém no pior patamar da série histórica, diz Datafolha

STF vive desgaste em meio a revelações do caso Master e enfrenta racha interno. Petistas são menos críticos ao tribunal

STF registra 40% de reprovação e se mantém no pior patamar da série histórica, diz Datafolha (Foto: Divulgação)
STF registra 40% de reprovação e se mantém no pior patamar da série histórica, diz Datafolha (Foto: Divulgação)

(Folhapress) Em meio a um racha interno e às revelações do caso Master, o STF (Supremo Tribunal Federal) se mantém em seu pior patamar de avaliação, mostra pesquisa Datafolha. A marca, similar à de março, só é equivalente à de dezembro de 2019, início da série histórica, e à de dezembro de 2023.

No total, 40% dos entrevistados avaliam o trabalho dos ministros da corte como ruim ou péssimo. Outros 34% o classificam como regular, e 22%, como ótimo ou bom. Os índices se mantiveram estáveis em relação a março, considerando-se a margem de erro de dois pontos. Eram de 39%, 34% e 23%, respectivamente.

Ministro André Mendonça, do STF (Foto: Divulgação)

O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas, com 16 anos ou mais, pelo método de abordagem pessoal em pontos de fluxo, nos dias 12 e 13 de maio. A margem de erro máxima para o total da amostra é de dois pontos percentuais dentro do nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o código BR-00290/2026.

A avaliação dos integrantes do Supremo se dá em meio ao envolvimento do nome de ministros no escândalo do Banco Master, a críticas sobre penduricalhos salariais no Judiciário e ao debate em torno de uma reforma do Poder.

O caso Master atingiu diretamente os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. O primeiro deixou a relatoria do inquérito sobre o tema após a Polícia Federal identificar que fundos ligados ao banco compraram participação de uma empresa de sua família em um resort de luxo. Já Moraes sofreu desgaste após serem divulgadas mensagens que ele trocou com Vorcaro às vésperas da prisão do ex-banqueiro, além do contrato milionário do escritório de sua esposa com o banco.

Ministro Zanin, do STF (Foto: Divulgação)

Em 2019, o tribunal também tinha alta reprovação (39%), na esteira de decisões contrárias à operação Lava Jato e de outras que geraram controvérsia, como a que livrou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) da investigação sobre as “rachadinhas” e a que criminalizou a homofobia e transfobia.

Em dezembro de 2023, a rejeição alcançou 38%, em meio ao acirramento das tensões entre bolsonaristas e os ministros.

Mas nem naquele ano nem em 2019 a corte vivia o racha visto agora. A divisão interna no tribunal hoje tem Moraes e os ministros Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin de um lado, e Edson Fachin e Cármen Lúcia de outro.

Presidente do STF, ministro Fachin (Foto: Divulgação)

O quarteto tem se articulado para cobrar de Fachin, presidente da corte, uma defesa mais enfática dos colegas e para tentar emplacar pautas de grande repercussão —a exemplo das restrições aos penduricalhos. O presidente do Supremo defende a implementação de um código de conduta para lidar com a crise de imagem do tribunal.

Petistas e bolsonaristas

No geral, o Supremo manteve boa relação com Lula (PT) ao longo da maior parte do atual mandato do presidente. Não à toa, a avaliação da corte é melhor entre quem tem avaliação positiva do trabalho do petista. Nesse segmento, 50% classificam o desempenho dos ministros do tribunal como ótimo ou bom, e 12% como ruim ou péssimo.

Já entre quem vê a gestão petista como ruim ou péssima, 5% dizem que o trabalho dos magistrados é positivo, e 71%, negativo.

Ministro Luiz Fux, do STF (Foto: Divulgação)

Os dados também mostram que, no grupo dos que declaram voto em Lula, 40% avaliam de forma positiva o STF, enquanto 16% classificam o trabalho da corte como negativo.

Por sua vez, entre quem pretende votar no senador Flávio Bolsonaro (PL), 8% dizem que o desempenho do Supremo é ótimo ou bom, e 64% o veem como ruim ou péssimo.

Um dos principais motes do bolsonarismo nas eleições deste ano é a eleição de uma bancada grande no Senado para conseguir o impeachment de ministros da corte, que condenou Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

A maioria das entrevistas do Datafolha foi feita antes da repercussão envolvendo Flávio e a cobrança de dinheiro feita pelo senador a Daniel Vorcaro, do Banco Master, segundo ele para financiar um filme sobre o pai.

Ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do STF (Foto: Divulgação)

No recorte sociodemográfico, a avaliação negativa do STF é maior entre homens do que entre mulheres, replicando a divisão de gênero no apoio a Lula e ao filho de Jair Bolsonaro. No total, 45% dos homens avaliam o trabalho dos ministros como ruim ou péssimo. Dizem o mesmo 36% delas.

A reprovação à corte também é maior entre os mais escolarizados e os mais ricos.

Afirmam avaliar negativamente o trabalho do tribunal 34% dos entrevistados com ensino fundamental, 40% dos que têm ensino médio e 48% dos que possuem diploma de ensino superior

Nas faixas de renda familiar mensal, entre aqueles com até dois salários mínimos, 33% avaliam o desempenho da corte de forma negativa, ao passo que esse percentual vai a 63% no grupo de pessoas com mais de dez salários mínimos.