ELEIÇÕES 2026

Ex-STF, Joaquim Barbosa entra na disputa presidencial pelo DC

Confirmado pela direção da sigla, ex-ministro substitui Aldo Rebelo como o pré-candidato da legenda

Ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa
Indicado por Lula, Barbosa atuou no STF de 2003 a 2014 (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, vai disputar a Presidência da República nas eleições de 2026. A candidatura foi oficializada pelo Democracia Cristã (DC), que decidiu substituir o então pré-candidato Aldo Rebelo pelo ex-presidente da Corte.

A leitura interna da legenda é de que Barbosa reúne condições de simbolizar respostas à atual crise ética enfrentada pela política brasileira e de enfrentar o debate em torno da desmoralização do próprio Supremo. O ex-ministro ganhou projeção nacional ao relatar o julgamento do Mensalão, em 2012, episódio que ampliou sua visibilidade junto à opinião pública. Ele também foi o primeiro negro a presidir o STF, cargo que ocupou até 2014.

SAIBA MAIS:

Desde que deixou a magistratura, Barbosa vinha atuando na advocacia privada. Agora, pretende entrar na disputa pelo Palácio do Planalto, atualmente ocupado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tende a concorrer à reeleição.

A entrada do ex-ministro foi confirmada em nota assinada pelo presidente nacional do DC, João Caldas. “o povo brasileiro merece um novo capitulo em sua história”, diz o documento. Segundo a direção partidária, Barbosa representa a possibilidade de reconstrução da confiança da população nas instituições.

“Sua trajetória honra os valores republicanos e responde ao desejo de mudança da sociedade brasileira. O momento exige união, propósito e desprendimento. O Brasil está acima de projetos pessoais. A Presidência Nacional do DC convida toda a sociedade brasileira a abraçar essa candidatura de reconstrução nacional.”, afirma a nota.

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De acordo com informações divulgadas pela CNN Brasil, o nome de Barbosa foi submetido a pesquisas antes da definição. A articulação política em torno de sua candidatura teve início em abril, após interlocutores do ex-ministro procurarem a direção do partido para manifestar disposição em concorrer. O levantamento encomendado pela sigla apontou que Barbosa teria maior potencial de voto do que Aldo Rebelo, até então pré-candidato.

A contragosto

Principal atingido pela mudança, Aldo Rebelo reagiu publicamente. Em publicação nas redes sociais, afirmou que a candidatura de Barbosa “é um afronta a tudo o que defendo como relações políticas”. Para ele, o anúncio teria sido apenas um balão de ensaio.

E emendou: “Candidaturas são projetos coletivos e não de grupos e interesses específicos. Fui escolhido para levar adiante um projeto de união e desenvolvimento do Brasil, ancorado na minha biografia sem mácula e na minha experiência na administração pública e no Congresso Nacional”.

Trajetória

Joaquim Barbosa foi ministro do STF de 2003 a 2014. Vindo de família humilde de Paracatu (MG), ele conseguiu se formar na Universidade de Brasília (UnB) e se tornou, mais mais tarde, mestre em Direito e doutor pela Universidade de Paris II. Além do STF, Barbosa também registrou passagem pelo Ministério Público Federal (MPF) ao longo de sua carreira jurídica.

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Indicado por Lula em 2003, ele foi o primeiro negro a assumir uma cadeira de presidente da mais alta Corte do país. Nesse período, Barbosa ganhou projeção nacional como relator do processo do Mensalão. A postura considerada firme contra a corrupção política transformou o julgamento em um marco histórico no Brasil.

Ele assumiu a presidência do Supremo em 2012 entrando, naquele ano, para a lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista Time. Sua aposentadoria foi voluntária, o que ocorreu em 2014. De lá para cá, Barbosa passou a atuar em processos pontuais da advocacia privada. Seu nome continua frequentemente lembrado em debates políticos, especialmente aqueles que envolvem a atuação das instituições em desfavor dos crimes de colarinho branco.