Vanderlan defende adiar reforma tributária por pelo menos dois anos
Senador afirma que empresas precisam de mais tempo para se adaptar e aponta risco de perda de indústrias, empregos e arrecadação em Goiás
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O senador Vanderlan Cardoso (PSD), candidato à reeleição, defende o adiamento da reforma tributária por pelo menos dois anos. Ele afirma que o prazo permitiria ajustar as regras, testar os sistemas de cobrança e preparar empresas e contadores para as mudanças previstas a partir de 2027.
“Quem gera emprego e renda não está preparado para essa mudança. Os contadores estão confusos, as regras ainda não estão claras e o empresário não sabe quanto vai pagar no ano que vem. Não dá para fazer uma mudança desse tamanho no escuro”, declarou.
A proposta do senador é postergar as próximas etapas da implantação. O calendário prevê a substituição do PIS e da Cofins pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) em janeiro de 2027. Vanderlan argumenta que as dúvidas sobre a aplicação das regras e a adaptação dos sistemas de emissão de notas fiscais podem trazer dificuldades aos negócios.
Para Goiás, o senador aponta outra preocupação: os efeitos da cobrança dos tributos no destino, onde ocorre o consumo, e da retirada gradual dos incentivos fiscais. Na avaliação dele, essas mudanças podem reduzir a arrecadação estadual e comprometer a permanência de indústrias atraídas por programas como Fomentar, Produzir e ProGoiás.
“Goiás se industrializou com incentivo fiscal. Se as fábricas perdem o benefício e o consumidor está em São Paulo, o que vai segurar essas empresas aqui? Preciso garantir que nenhum emprego goiano vá embora por causa dessa reforma”, afirmou.
Vanderlan presidia a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) durante a discussão da reforma no Senado. Segundo ele, foram realizadas 30 audiências públicas e incorporadas 42 mudanças ao texto. O senador cita entre os resultados a manutenção de benefícios ligados ao ProGoiás e a prorrogação de incentivos ao setor automotivo, com impacto sobre as fábricas de Anápolis e Catalão.
“Trabalhei para que a reforma não prejudicasse Goiás. Fizemos muito, mas ainda não foi suficiente. Simplificar é necessário, mas não pode custar a indústria, o emprego e a arrecadação de Goiás”, disse.
O senador defende que o período de adiamento seja usado para concluir a regulamentação, testar os sistemas e discutir a compensação aos estados afetados pelo fim dos incentivos. A alteração do cronograma constitucional dependeria de aprovação do Congresso.
“Ninguém é contra modernizar. Sou contra punir quem trabalha e produz com uma regra que nem o governo terminou de escrever”, declarou.