Terça-feira, 29 de Setembro de 2026
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Zema fica estagnado na corrida à Presidência, deixa disputa em MG de lado e vê baixo desempenho de sucessor

Datafolha mostra presidenciável com 1% das intenções de voto, com dificuldade de crescer fora do estado

Da Redação
Por - Goiânia, GO
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Zema fica estagnado na corrida à Presidência, deixa disputa em MG de lado e vê baixo desempenho de sucessor

BELO HORIZONTE (FOLHAPRESS) – Candidato do Novo à Presidência da República, o ex-governador Romeu Zema não conseguiu, até aqui, repetir nacionalmente o sucesso de suas campanhas ao Governo de Minas Gerais. Estagnado com 1% das intenções de voto, conforme a mais recente pesquisa Datafolha, o candidato também assiste ao baixo desempenho de seu sucessor, Mateus Simões (PSD), nos levantamentos referentes à gestão estadual.

Apesar de declararem apoio mútuo, Zema e Simões não realizaram aparições conjuntas no estado e pouco têm citado um ao outro no horário eleitoral na TV. Nesta terça-feira (29), Zema disse que manterá a candidatura até “o último minuto”, em meio à pressão que tem sofrido de aliados pela desistência.

No último dia 19, Zema esteve em Contagem, cidade vizinha a Belo Horizonte, enquanto Simões participava de encontros em Nova União e Bom Jesus do Amparo, no colar metropolitano da capital mineira.

Já no dia seguinte, em Belo Horizonte, Zema visitou a Igrejinha da Pampulha e a Feira Hippie. Simões não divulgou agenda pública.

“Como eu tenho percorrido todo o Brasil, acabou que não estou tão presente em Minas como gostaria”, disse Zema no dia 20 em entrevista a jornalistas. Ele negou que exista divergência entre os dois, citando apenas a dificuldade de conciliação de agendas.

“Continuo me dando muito bem. O meu apoio é ao Mateus Simões, que foi o meu braço direito em boa parte do primeiro mandato e em toda a segunda gestão como vice-governador”, afirmou o candidato.

No dia 21, durante debate da Record Minas, Simões afirmou que seu palanque é o único capaz de barrar a esquerda em Minas Gerais e, logo em seguida, declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) num eventual segundo turno.

“São momentos distintos do processo eleitoral e posições que não representam mudança em relação ao apoio declarado a Romeu Zema no primeiro turno”, disse a campanha do candidato quando questionada se o gesto significava uma mudança de prioridade em relação à chapa presidencial do Novo.

A assessoria de Simões também afirmou que a ausência de agendas conjuntas “não altera a relação política nem o reconhecimento de Mateus Simões em relação ao ex-governador”.

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Segundo o PSD de Minas Gerais, não há orientação formal do partido sobre apoio a determinada candidatura. A sigla lançou o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado à Presidência da República.

“O partido respeita a autonomia de suas lideranças regionais e entende que qualquer alternativa contrária à reeleição do presidente Lula (PT) é legítima e bem-vinda para o projeto de renovação do país”, afirmou, em nota.

As assessorias de Zema e do Novo não responderam aos questionamentos da Folha.

No cenário nacional, o levantamento do Datafolha do último dia 24 confirma a estagnação nas intenções de voto em Zema. Na simulação anterior, o candidato marcava 2% e, em meados de agosto, 3%.

No recorte em Minas Gerais dos cenários eleitorais para presidente, conforme última pesquisa Datafolha, Zema marca 10% —era 5% no levantamento de 14 de setembro, e 10% em agosto.

“A campanha só acaba quando as urnas são abertas e apuradas, e quem acompanhou a minha eleição de 2018 sabe: tudo ocorre geralmente nos últimos dias, quando o eleitor vai decidir”, disse o candidato durante a agenda na Feira Hippie.

Ele afirmou que essa é uma campanha atípica e que a decepção dos eleitores com a política brasileira, principalmente com o STF (Supremo Tribunal Federal), pode influenciar uma mudança entre as pesquisas e a apuração oficial.

Apesar de vários apoiadores terem acompanhado o presidenciável na visita, vaias e gritos de “Zema lixo” demarcaram a oposição ao presidenciável no compromisso na capital mineira, uma fissura em relação ao desempenho do candidato nos últimos pleitos no estado.

Em 2018, Zema foi eleito governador em segundo turno com 71,80% dos votos válidos, ante 28,20% do ex-senador Antonio Anastasia (PSDB).

À época a campanha do empresário, então estreante na política, conseguiu alinhar o forte discurso antissistema impulsionado pela ascensão do bolsonarismo à capilaridade que seu nome alcançava no interior. Ele é ex-presidente do Grupo Zema, rede varejista com centenas de filiais ativas no estado.

Em 2022, Zema foi reeleito em primeiro turno, tendo Simões como vice, com 56,20% dos votos válidos, contra 35,09% do segundo colocado, o ex-prefeito Alexandre Kalil, que então concorria pelo PSD.

Kalil é hoje candidato pelo PDT ao pleito estadual, e ainda que apareça em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto —atrás do líder, Cleitinho Azevedo (Republicanos), e de Patrus Ananias (PT)—, segue mais bem colocado que o sucessor de Zema na corrida.

Conforme a mesma pesquisa Datafolha, Simões aparece empatado com Flávio Roscoe (PL), marcando 5% das intenções de voto. O candidato tem o maior tempo de tela no horário eleitoral e uma gestão aprovada por 41% dos mineiros.

Para reverter esse cenário a quase uma semana do pleito, a campanha de Simões afirma que pretende levar propostas e uma “visão clara sobre o futuro de Minas Gerais” por meio de agendas públicas, debates, entrevistas e diálogo com diferentes segmentos da sociedade.

“O objetivo é apresentar o que foi realizado, discutir os desafios de Minas e mostrar o que Mateus Simões pretende fazer nos próximos quatro anos”, diz a assessoria do candidato em nota.

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