Análise: como foi a primeira semana de campanha de Daniel Wilder, Marconi e Luiz César
Governador começa disputa com maior estrutura política e tempo de TV; PL enfrenta ruído em Anápolis, enquanto tucano tenta compensar coligação menor com presença nas ruas e entrevistas
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A campanha pelo governo de Goiás ainda está no começo, mas os primeiros movimentos já mostram diferenças importantes entre os principais candidatos. Daniel Vilela (MDB) colocou nas ruas a estrutura da base governista, Wilder Morais (PL) tenta organizar o partido nos municípios e Marconi Perillo (PSDB) aposta na presença pessoal diante do pouco tempo que terá na televisão.
Daniel começou a campanha cercado por prefeitos, candidatos proporcionais e lideranças dos partidos de sua coligação. Carreatas e adesivaços passaram pelo interior e pela Região Metropolitana de Goiânia.
Aparecida de Goiânia, onde Daniel construiu parte da trajetória política, recebeu um dos primeiros atos. O governador participou de adesivaço ao lado do prefeito Leandro Vilela, de Gracinha Caiado e Gustavo Mendanha, candidatos ao Senado, além de outros integrantes da base. Depois, seguiu com agendas pelo interior, incluindo Rio Quente e Caldas Novas.
A aposta é fazer com que a extensa rede de prefeitos aliados se envolva diretamente na campanha. Apoio formal, nesse caso, não significa necessariamente prefeito na rua pedindo voto. A capacidade de mobilizar essas lideranças será um dos testes da campanha governista, principalmente fora dos maiores centros.
Daniel também começará a propaganda eleitoral com vantagem sobre os adversários. Terá 4 minutos e 24 segundos por bloco, o maior tempo entre os candidatos ao Palácio das Esmeraldas.
Wilder terá 1 minuto e 48 segundos e enfrenta um desafio anterior à televisão: manter o PL organizado em torno da candidatura. Na última semana, o senador reuniu prefeitos, vice-prefeitos e vereadores para discutir a participação do partido na eleição.
Foi nesse momento que apareceu o primeiro problema. Márcio Corrêa, prefeito de Anápolis eleito pelo PL em 2024, anunciou apoio a Daniel.
O episódio ganha peso pelo tamanho de Anápolis, terceiro maior colégio eleitoral do estado, e pelo fato de Corrêa ter chegado à prefeitura há menos de dois anos pelo próprio partido de Wilder.
A executiva estadual foi convocada para quinta-feira (27/8), e uma ala do PL defende a expulsão do prefeito. A decisão não é simples. Uma reação branda pode estimular outros movimentos semelhantes dentro da legenda. Uma punição mais pesada amplia o rompimento com o prefeito de uma das cidades mais importantes da eleição.
O caso também expõe uma dificuldade para Wilder no interior. O PL tem força eleitoral e conta com o apoio de Jair Bolsonaro, mas há lideranças do partido que mantêm relações políticas e administrativas com o governo estadual. A campanha terá de impedir que essas relações locais pesem mais do que a orientação partidária.
Marconi enfrenta outro cenário. Depois de quatro mandatos como governador, não precisa usar o começo da campanha para apresentar o nome ao eleitor. Mas precisa compensar uma estrutura partidária menor e apenas 30 segundos por bloco no horário eleitoral.
O tucano abriu a campanha com viagens a Rio Verde e Goianésia e intensificou a participação em entrevistas e sabatinas. Segurança, saúde, proteção às mulheres e formação de um eventual governo estiveram entre os assuntos abordados nos últimos dias.
Marconi também afirmou que não pretende dividir cargos entre partidos caso seja eleito. Ao defender uma equipe formada por critérios técnicos, procura apresentar a coligação menor como uma escolha que lhe daria independência para montar o governo.
Luís César Bueno (PT) terá uma situação inversa. Mesmo menos conhecido no estado do que os principais adversários, contará com 2 minutos e 16 segundos por bloco. O horário eleitoral será a primeira oportunidade de apresentar a candidatura diariamente a um público mais amplo.
A campanha petista também deve explorar a ligação com a disputa presidencial e com Lula. O desafio será saber até que ponto o voto nacional poderá ser transferido para a eleição estadual.
A propaganda gratuita começa na sexta-feira (28/8) e muda o ritmo da campanha. Até aqui, carreatas, adesivaços, entrevistas e reuniões partidárias alcançaram principalmente militantes, aliados e eleitores que já acompanham política.
Com o rádio e a televisão, a disputa chega a um público maior. Daniel entra nessa etapa com mais tempo e uma base municipal ampla. Wilder terá de combinar a força do PL com a tarefa de conter dissidências. Marconi dependerá ainda mais das agendas próprias e do conhecimento acumulado em eleições anteriores.
As ruas deram as primeiras pistas. A partir do horário eleitoral, será possível medir melhor quem consegue transformar estrutura política, força partidária e exposição em crescimento na disputa pelo governo de Goiás.