Caiado usa primeiro debate para vender experiência em Goiás e buscar espaço fora da polarização
Sem Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema no palco, candidato do PSD teve mais espaço para falar de segurança, gestão e experiência política
Ir direto pra matéria
Ronaldo Caiado (PSD) aproveitou o primeiro debate presidencial de 2026 para apresentar resultados de Goiás como cartão de visitas para o restante do país.
A ausência de Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) ajudou. Com apenas três candidatos no palco, Caiado teve mais tempo para falar e não precisou enfrentar diretamente os principais nomes da disputa.
Renan Santos (Missão) partiu mais para o ataque. Augusto Cury (Avante) adotou um tom conciliador. Caiado falou da passagem pelo governo de Goiás e tentou mostrar que já colocou em prática parte do que agora promete fazer no país.
Segurança pública foi o assunto mais explorado. Caiado citou números de Goiás e voltou a apresentar a queda nos índices de criminalidade como uma das marcas de sua gestão.
Desde que lançou a candidatura ao Planalto, o ex-governador usa a segurança como uma das principais vitrines. A aposta é levar para o eleitor de outros estados uma marca que já explora politicamente em Goiás.
Na educação, fez o mesmo. Questionado por Augusto Cury, falou das escolas estaduais e das mudanças feitas durante sua gestão. “Eu me empenhei para dar dignidade aos alunos”, afirmou.
Na economia, Caiado saiu um pouco do roteiro goiano. Defendeu controle dos gastos públicos, redução dos juros e medidas para recuperar a confiança na economia. Também criticou a saída de empresas brasileiras para o Paraguai.
As cadeiras vazias também viraram assunto. Antes mesmo do início do debate, Caiado atacou Lula e Flávio Bolsonaro. “Infelizmente dois fujões não estão presentes”, disse.
Foi uma situação conveniente para o candidato do PSD. Ele pôde atacar os dois adversários que concentram boa parte da atenção da eleição sem ouvir resposta.
No último bloco, voltou à carga. Ao falar da posição de Lula e Flávio nas pesquisas, questionou: “Como é que vocês podem aceitar esse café requentado?”.
Zema também não compareceu ao confronto. O governador de Minas e Caiado disputam espaço entre eleitores que não querem votar no PT, mas que também podem buscar uma alternativa ao candidato do PL.
Sem o mineiro, Caiado ficou sozinho no palco com experiência recente à frente de um governo estadual. E usou isso sempre que pôde.
A ausência dos principais candidato também impede uma avaliação mais completa sobre o desempenho de Caiado. Ele falou bastante sobre Goiás, mas não precisou defender os resultados diante de Lula, Flávio ou Zema.
Com três candidatos, o debate funcionou mais como espaço para exposição do que como um confronto entre os nomes que hoje têm maior peso na corrida presidencial.
No encerramento, Caiado voltou ao currículo. “Tudo que eu falei aqui vem de uma experiência de 40 anos de vida na política”, afirmou. Depois, disse nunca ter tido o nome envolvido em episódios que atingissem a honra e citou casos de corrupção no país.
Foi esse o Caiado que apareceu durante boa parte da noite: menos preocupado em acompanhar Renan nos ataques ou Cury no discurso conciliador e mais interessado em mostrar o que fez em Goiás.
Para quem ainda precisa se tornar mais conhecido fora do estado, a Band deu uma boa vitrine. Caiado conseguiu falar dos assuntos que queria e passou boa parte do debate sem ser pressionado pelos adversários.
Mas o confronto de verdade ficou para depois. Se Lula, Flávio Bolsonaro e Zema estiverem nos próximos debates, Caiado terá menos espaço para falar sozinho sobre Goiás. E terá de mostrar como pretende tirar votos justamente dos adversários que precisa superar para entrar de vez na disputa pelo Planalto.