Banco Central mantém juros a 13,75% ao ano e interrompe sequência de cortes
Decisão do Banco Central mantém taxa básica no patamar de setembro; expectativas de inflação e incertezas fiscais estão entre preocupações do mercado
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano nesta quarta-feira (4). A decisão interrompe uma sequência de cinco reduções consecutivas, iniciada em março, e ocorre em meio à elevação das expectativas de inflação e às incertezas sobre a política fiscal do próximo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A manutenção era esperada pela maioria das instituições financeiras consultadas em levantamentos divulgados antes da reunião. A decisão é a primeira do Copom desde a reeleição de Lula, em 25 de outubro.
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Na reunião anterior, realizada em 16 de setembro, o Banco Central havia reduzido a Selic de 14% para 13,75% ao ano. Na ocasião, o comitê apontou desaceleração gradual da atividade econômica e da inflação, mas destacou a necessidade de cautela diante dos riscos para a trajetória dos preços.
A Selic chegou a 15% ao ano em junho de 2025 e permaneceu nesse patamar até março de 2026. Desde então, foram realizados cinco cortes de 0,25 ponto percentual, totalizando uma redução de 1,25 ponto percentual.
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Inflação e contas públicas
A decisão desta quarta-feira ocorre em um cenário de deterioração das expectativas de inflação para os próximos anos.
Segundo levantamento divulgado pela Folha de S.Paulo, economistas passaram a considerar a manutenção dos juros mais provável após a eleição presidencial, diante da desvalorização do real, da alta dos juros futuros e das dúvidas sobre a condução das contas públicas.
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As expectativas de inflação para 2027, apuradas pelo boletim Focus do Banco Central, chegaram a 4,76%, acima do limite de tolerância de 4,5% estabelecido para a meta.
O Banco Central trabalha com uma meta contínua de inflação de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Em setembro, último dado mensal mencionado nas análises que antecederam a reunião, a inflação acumulada em 12 meses estava em 4,58%.
Como a Selic afeta o crédito
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e serve de referência para operações de crédito, financiamentos e investimentos.
Sua manutenção em 13,75% ao ano preserva o patamar de referência para os juros cobrados de consumidores e empresas. As taxas efetivamente praticadas pelos bancos também dependem de fatores como risco de inadimplência, custos operacionais e condições de mercado.
Juros elevados tendem a restringir o consumo e os investimentos financiados por empréstimos. O mecanismo é utilizado pelo Banco Central para conter pressões sobre os preços.
A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 8 e 9 de dezembro, quando o comitê voltará a avaliar a trajetória da inflação e da atividade econômica.