Goiás triplica exportação de vísceras de frango graças a hábitos da China e África
Vendas de miudezas de frango ao exterior cresceram 303% em valor em julho, puxadas por mercados como China, África do Sul e Gana
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As exportações de miudezas de frango produzidas em Goiás cresceram 303% em valor em julho, na comparação com o mesmo mês de 2025. Em quantidade, o avanço foi de 131%. Entre os mercados que ajudam a explicar esse movimento estão China, África do Sul e Gana.
O comércio internacional desse tipo de produto é relativamente novo para Goiás. Os primeiros embarques começaram em agosto de 2024 e, desde então, o mercado vem ganhando espaço. O miúdo de frango é o conjunto de órgãos internos e vísceras comestíveis da ave, que geralmente inclui o fígado, o coração e a moela.
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Segundo levantamento da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), parte da explicação está justamente nos hábitos alimentares e culturais dos países compradores. O que tem pouco espaço na mesa de alguns consumidores goianos pode ter tradição e procura em outros.
E é aí que um pedaço aparentemente pequeno do frango ganha uma história bem maior.

Frango goiano ganhou o mundo
Os miúdos não estão sozinhos nessa viagem. A avicultura goiana também vem ampliando sua presença no mercado internacional. Entre janeiro e julho deste ano, o estado exportou 181,9 mil toneladas de carne de frango, que renderam US$ 370,5 milhões.
Na comparação com os sete primeiros meses de 2025, o volume embarcado cresceu 18,2%, enquanto a receita aumentou 23,3%. Entre os cortes mais vendidos estão as coxas com sobrecoxas desossadas, com 33,3 mil toneladas exportadas no período, e as asas não desossadas, com 15,5 mil toneladas.
Os dois produtos também cresceram em relação ao ano passado. O volume de coxas com sobrecoxas avançou 20,8%, enquanto o de asas teve alta de 52,3%.
Mas são os miúdos que chamam atenção pela velocidade com que ganharam espaço. Em apenas dois anos desde o início do fluxo comercial, o produto passou de uma novidade nas exportações goianas a uma das peças de um mercado que encontra consumidores em países com hábitos alimentares diferentes dos brasileiros.
Pressão no mercado interno
Enquanto o frango goiano encontra espaço fora do país, o mercado brasileiro vive outro movimento: há mais oferta.
Dados preliminares do IBGE mostram que 3,3 bilhões de frangos foram abatidos no Brasil no primeiro semestre, alta de 3,8% em relação ao mesmo período do ano passado.
Com mais produto disponível, os preços internos vêm sofrendo pressão. Em agosto, o frango resfriado teve cotação média de R$ 7,15 por quilo, valor 1,4% menor que o registrado em julho.