Segunda-feira, 21 de Setembro de 2026
parque de diversões

Jovem perde movimentos após andar em montanha-russa do Hopi Hari, em SP

Ministério Público de São Paulo investiga o caso

Por - Goiânia, GO
Publicado em: • Atualizado em:
Jovem perde movimentos após andar em montanha-russa do Hopi Hari, em SP Ministério Público de São Paulo investiga o caso

Via O Globo – O Ministério Público de São Paulo (MPSP) investiga o caso de Júlia Rimoli Bossoni, de 28 anos, que perdeu parte dos movimentos do corpo após andar em montanha-russa do Hopi Hari, parque no interior do estado de São Paulo. O acidente aconteceu em 20 de abril deste ano, quando a jovem embarcou na atração do parque consciente e, ao final do passeio, aparece desacordada.

Em abril, Júlia e o seu marido João Pedro Bossoni saíram de Londrina, no Paraná, rumo a Vinhedo. No Hopi Hari, conseguiram ficar entre os primeiros na fila para entrar. O casal decidiu andar na Montezum, a maior montanha-russa de madeira da América Latina. Inaugurada em 1999, ela tem cerca de de 42 metros de altura e pode alcançar uma velocidade de até 103 km/h em pouco mais de um quilômetro de extensão.

Durante o dia, o casal foi em outros passeios do parque. Até que, no fim da tarde, João Pedro se lembrou que tinha direito a uma promoção do passaporte VIP e decidiram andar novamente na Montezum. Ao entrar no carrinho da atração, o casal registrou a cara de apreensão.

As câmeras do parque registraram o momento que Júlia e João Pedro se sentam em um dos bancos de trás. Na subida, Júlia aparece consciente e tranquila. Não há imagens do restante do percurso. Dois minutos depois, o carrinho retorna à plataforma e Júlia está desacordada.

Os funcionários do parque se aproximam. Depois de seis minutos, Júlia é colocada em uma maca e removida e a montanha-russa volta a funcionar. Júlia foi levada para a Santa Casa de Vinhedo, que fica a cerca de 15 quilômetros do parque de diversões. Ao chegar, ela já foi encaminhada diretamente para a UTI, devido à gravidade do caso.

Segundo o Fantástico, os primeiros exames feitos pela equipe médica da unidade mostraram uma hemorragia intracraniana e um grande edema cerebral. Por causa desse quadro, ela precisou ser operada às pressas.

“Foi uma craniectomia descompressiva. Essa cirurgia visa a retirada de uma grande porção da calota craniana para permitir o cérebro fazer esse processo de inchaço”, disse o neurocirurgião Victor Batistela ao programa.

Júlia passou 57 dias internada em Vinhedo. O diagnóstico foi de traumatismo cranioencefálico, o TCE. De acordo com o laudo médico emitido pelo especialista, o traumatismo de Júlia Bossoni foi causado por mecanismo de contragolpe durante ida na montanha-russa.

“Apenas um movimento brusco de aceleração e desaceleração e rotação do crânio pode fazer a ruptura de vasos sanguíneos cerebrais, causando uma hemorragia intracraniana e levando a um edema cerebral, que foi o caso da Júlia em especial”.

Segundo a família, a jovem não tinha doenças pré-existentes. “Ela perdeu o movimento do lado esquerdo completamente. O braço e a perna, ela não movimenta. Ela tem dificuldade de fala, memórias turvas”, conta João ao Fantástico.

No mês passado, o Ministério Público de São Paulo abriu uma investigação para apurar o caso e pediu uma perícia policial na montanha-russa. O processo ainda está em andamento.

Em nota ao Fantástico, o Hopi Hari disse que a Montezum possui certificação internacional emitida pelo grupo TÜV Nord e que as inspeções são feitas anualmente. Informou também que segue rigorosamente as normas nacionais para parques de diversões.

A assessoria do parque informou ainda que placas e avisos sonoros alertam sobre restrições, informando “a atração como radical, pela força e movimentos nela envolvidos, e contraindicando para pessoas com problemas na coluna, gestantes e portadores de condições clínicas específicas”.

A nota destacou um parecer do Ministério Público de São Paulo, de agosto de 2026, que descarta o risco coletivo da montanha-russa. O documento foi emitido depois que uma mulher foi levada à enfermaria com dores no pescoço, em julho.

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