Terça-feira, 15 de Setembro de 2026
CROCHÊ E SUPERAÇÃO

Diabética há 41 anos, mulher faz crochê para custear tratamento em Goiânia: ‘Estou lutando pela sobrevivência’

Diabética tipo 1 desde os 10 anos, Adriana perdeu a visão de um olho e encontrou no crochê uma forma de ajudar a pagar o tratamento

Por - Goiânia, GO
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Adriana, de 51 anos, produz peças de crochê para ajudar nas despesas do tratamento do diabetes

Adriana Moreira de Castro, de 51 anos, convive com o diabetes tipo 1 desde os 10 anos e encontrou no crochê uma forma de ajudar a custear o próprio tratamento. Moradora de Goiânia, ela produz canetas e outras peças artesanais que são vendidas com a ajuda da mãe, Maria Helena Moreira do Nascimento, de 70 anos.

A mãe, Maria Helena, ajuda Adriana a vender as peças de crochê produzidas pela filha (Foto: Arquivo pessoal)

Adriana perdeu a visão do olho direito por causa da retinopatia diabética e hoje usa uma prótese ocular. Para manter o diabetes controlado e cuidar da saúde, ela precisa fazer cinco aplicações de insulina por dia, medir a glicose cerca de seis vezes e praticar atividade física diariamente. Também tem gastos com colírios, suplementos, alimentação e academia.

A prótese ocular custou cerca de R$ 7 mil e precisa passar por manutenção anual, que custa aproximadamente R$ 1 mil. Diante dos gastos, o artesanato passou a ser uma fonte de renda para ajudar nas despesas.

“Eu faço as canetas, o meu trabalho em crochê, e a minha mãe acaba me ajudando a vender para custear o tratamento, que não é fácil”, explica Adriana.

Uma história que começou em Uruaçu

Adriana descobriu que tinha diabetes quando ainda morava em Uruaçu, no interior de Goiás. Na época, aos 10 anos, passou mal e foi levada a um hospital. Segundo ela, recebeu soro com glicose sem ter feito exames e entrou em coma.

“Eu fui para o hospital andando e conversando, mas sentindo muito mal. Sem fazer nenhum exame me aplicaram soro de glicose e no mesmo dia entrei em coma”, lembra.

O pai decidiu levá-la para Goiânia em busca de atendimento. Adriana chegou à capital e foi encaminhada para uma UTI, onde permaneceu em coma por três dias.

“Os médicos diziam que eu morreria na estrada, mas meu pai disse que, se isso acontecesse, pelo menos estava tentando me trazer para onde tivesse recurso”, conta.

Ao acordar, a primeira coisa que viu foi o nome do hospital escrito na fronha do travesseiro. “A única coisa que me lembro é que, quando acordei, eu li na fronha do travesseiro ‘Hospital Santa Genoveva’ e perguntei: ‘Cadê meus pais?’. Era a última cena que eu tinha visto.”

Ao longo dos 41 anos convivendo com o diabetes, Adriana ainda passou por outros dois períodos em coma. Um deles ocorreu por hipoglicemia e o outro após uma pneumonia.

Mãe ajuda nas vendas das canetas

A relação de Adriana com Uruaçu continua mesmo depois da mudança para Goiânia. Como é conhecida na cidade, a mãe passou a ajudar nas vendas das peças produzidas pela filha. Maria Helena costuma ficar aos domingos na feira, na banca do Joel da Melancia, onde oferece as canetas e outros produtos.

Adriana mostra algumas das peças que produz em crochê e que ajudam a complementar a renda para o tratamento (Vídeo: Arquivo pessoal)

“Minha mãe me ajuda a vender as canetas porque eu morava no interior. Sou muito conhecida em Uruaçu”, explica Adriana.

As canetas de crochê, assim como os marca-páginas de tulipa e amor-perfeito, custam R$ 20 cada. Adriana também produz tapetes, jogos americanos e outras peças. Em pedidos maiores, os produtos podem ser enviados pelos Correios para outras cidades do Brasil.

Canetas de crochê fazem parte dos produtos produzidos por Adriana para gerar renda e ajudar no tratamento (Vídeo: Arquivo pessoal)

A ideia das canetas surgiu depois de um período de oração. Adriana conta que pediu a Deus uma forma de produzir algo que fosse bonito, útil e acessível. “Vi em sonho as canetas exatamente desse jeito que faço. Deus é maravilhoso!”, afirma.

Além de ajudar com os próprios gastos, ela conta que utiliza parte do dinheiro das vendas para ajudar outras pessoas.

“Com a renda das coisas que vendo ainda ajudo levando alimento físico e espiritual aos outros”, diz.

As encomendas podem ser feitas pelo Instagram @adrianamoreiracroche ou pelo telefone (62) 98186-0151. O pix para quem quiser contribuir com o tratamento é CPF: 76431401115. As peças também podem ser compradas diretamente com Maria Helena aos domingos, na Feira Coberta de Uruaçu, conhecida como CEPALUR, na Rua Anápolis, 615-649, Vila Santana, na parte de baixo da feira, na banca do Joel da Melancia, pai de Adriana.

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