Após passar por casa de acolhimento, irmãos goianos são adotados juntos por casal italiano
A adoção foi autorizada pela Justiça de Goiás
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Dois irmãos goianos, de 8 e 9 anos, foram adotados por um casal italiano e vão morar em Bari, no sul da Itália. O suboficial da Marinha italiana Nicola D’Alba, de 52 anos, e a professora Maria Cristofaro, de 50, concluíram o processo de adoção internacional acompanhado pela Justiça de Goiás. A decisão do juiz Ageu de Alencar Miranda garantiu que as crianças fossem adotadas juntas, preservando o vínculo entre elas.
Os irmãos foram afastados da família biológica em 2022, por negligência familiar. Entre 2023 e 2025, viveram com uma família acolhedora em Vianópolis, no interior goiano. Depois, foram encaminhados a uma casa de acolhimento em São Luís de Montes Belos, onde permaneceram até a conclusão do processo de adoção.
Antes de conhecerem pessoalmente os futuros pais, as crianças participaram de seis videochamadas acompanhadas pela Comissão Estadual Judiciária de Adoção Internacional de Goiás (Cejai-GO), vinculada ao Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO). Durante os encontros virtuais, os irmãos chegaram a apresentar um teatro de bonecos ao casal, que vive na Itália.

Após essa primeira aproximação, Nicola e Maria viajaram ao Brasil e passaram 30 dias com as crianças em Goiânia. O estágio de convivência permitiu fortalecer os vínculos afetivos e adaptar a rotina da nova família, apesar das diferenças de idioma. Durante esse período, a aproximação foi acompanhada por profissionais responsáveis pela avaliação do processo. Desde o início, o casal manifestou o desejo de adotar os dois irmãos juntos.
Desejo de adotar surgiu durante viagem religiosa
Juntos há cerca de oito anos, Nicola e Maria começaram a considerar a adoção a partir de experiências pessoais e profissionais. Ele trabalhou em um centro de recepção para migrantes, enquanto ela participou de viagens ligadas à Igreja Católica, incluindo uma experiência na África.
Segundo Nicola, o desejo de formar uma família por meio da adoção ganhou força durante uma vivência religiosa na França. “Nós tínhamos esse desejo e, durante uma viagem a Lourdes, aconteceram coisas que nos fizeram entender que talvez esse fosse o nosso caminho. Então, olhamos um para o outro e decidimos que queríamos construir algo lindo”, contou.
A habilitação do casal para a adoção internacional começou em 2025 e foi concluída em março de 2026. Em 9 de junho deste ano, teve início o processo de adoção no Brasil. Antes da decisão judicial, a Cejai-GO realizou 15 visitas técnicas e elaborou 15 relatórios para acompanhar a aproximação entre os pretendentes e as crianças.
Após a autorização judicial e a emissão dos documentos necessários, os irmãos embarcaram para a Itália com os pais adotivos. A família continuará sendo acompanhada durante dois anos, com relatórios periódicos sobre a adaptação das crianças, a vida escolar, a saúde e o bem-estar no novo país.
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Entenda como funciona a adoção internacional
Em entrevista ao Mais Goiás, o advogado Marco Baroni explicou que o processo começa no país de origem dos pretendentes e exige avaliações técnicas e judiciais antes da adoção de crianças brasileiras.
Na Itália, o casal precisa obter um decreto de idoneidade no Tribunal de Menores. O documento atesta a capacidade dos pretendentes para adotar e define o perfil autorizado, considerando fatores como renda, ocupação, histórico de vida e condições para receber uma ou mais crianças, inclusive irmãos.
Com o decreto, os interessados procuram uma associação especializada em adoção internacional, responsável por representá-los no Brasil. A entidade solicita a habilitação perante uma Comissão Estadual Judiciária de Adoção Internacional (Cejai). Após a aprovação, os pretendentes podem participar da busca por crianças compatíveis com o perfil autorizado em todo o território nacional.
Identificada uma possível correspondência, a associação confirma se o casal mantém o interesse. Com a abertura do processo judicial e a autorização do juiz, começam as videochamadas acompanhadas pela Cejai, seguidas da viagem ao Brasil para o estágio de convivência.
Ao final desse período, a equipe técnica apresenta sua avaliação e, se o resultado for favorável, o juiz pode conceder a adoção. Em seguida, são providenciados documentos como a nova certidão de nascimento e os passaportes, necessários para a viagem das crianças com os pais adotivos.
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