Quarta-feira, 09 de Setembro de 2026
RELACIONAMENTO

‘Olham com preconceito’: trisal de Goiânia, apontado como o mais antigo do país, está junto há 15 anos

Família tem dois filhos e passou a compartilhar a rotina nas redes sociais há quase dois anos

Luanna Marques
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
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O trisal formado por Jucimara Chaveiro, de 41 anos, conhecida como “Juba”, Renaultt Câmara Chaveiro, de 40, e Wanessa Pereira Martins, de 34, vive junto há 15 anos em Goiânia. Apontados pela organização do 2º Encontro Nacional de Trisais como o trisal mais antigo do país de que se tem conhecimento, os três estarão entre os participantes do evento, que começa nesta quinta-feira (10), em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro.

Segundo eles, um dos motivos que os faz continuar participando do encontro é a repercussão que o grupo alcançou e a possibilidade de, com isso, ajudar a combater o preconceito. “As pessoas que não aceitam sempre olham com preconceito, no sentido de achar que somos promíscuos. Mas não somos, temos filhos, temos nossa família e lutamos por dignidade e reconhecimento, como qualquer outra.”

A relação começou com Juba e Renaultt, que já estavam juntos havia quatro anos quando Wanessa passou a fazer parte da relação. O início do relacionamento a três foi conturbado e chegou a colocar o casamento em crise. “A forma como começou não foi das mais legais, porque foi através de uma traição”, conta Juba. Segundo ela, houve resistência e tentativa de afastamento no começo, mas, com o passar do tempo, eles decidiram continuar juntos.

A adaptação à nova configuração envolveu ciúmes, inseguranças e acompanhamento psicológico. Eles fizeram terapia em conjunto, individualmente e também em diferentes duplas para compreender melhor a dinâmica da relação. Quando os três decidiram ficar juntos, Juba conta que acreditavam que aquela configuração era algo raro. “A gente achava que era coisa de outro mundo, que era só nós no mundo inteiro que era trisal”, disse.

Medo de expor a relação

O trio também precisou lidar com o receio da reação de outras pessoas. Nos primeiros anos, Juba conta que os três evitavam demonstrar publicamente que estavam juntos. “A gente ficava morrendo de vergonha às vezes de sair os três juntos. Quando a gente ia no shopping, ficava cada um de um lado, sem pegar na mão, porque ficava com vergonha.”

(Foto: Reprodução)

A relação segue o formato que Juba define como “V”. Ela e Wanessa se relacionam com Renaultt, enquanto as duas mantêm uma relação de amizade e companheirismo. Os três também trabalham juntos em um depósito de materiais de construção em Goiânia. A família tem dois filhos. Juba tem uma filha de 8 anos com Renaultt, enquanto Wanessa tem um filho de 6 anos com ele. As duas crianças nasceram quando a relação entre os três já estava estabelecida.

Trio criou perfil nas redes sociais

Durante boa parte dos 15 anos de relacionamento, a família manteve a vida privada longe das redes sociais. A exposição começou há quase dois anos, quando os três passaram a compartilhar a rotina e experiências da família na internet. O perfil no Instagram soma mais de 190 mil seguidores.

Eles conheceram o encontro nacional por meio da amizade construída com Priscila Mira, uma das organizadoras do evento e integrante do trisal Amor ao Cubo. Juba conta que o contato mostrou ao trio que havia outras famílias vivendo relações semelhantes.

A repercussão nas redes sociais também influenciou a decisão de participar do encontro. Para eles, conhecer outras famílias com histórias semelhantes mostrou que não estavam sozinhos. A identificação com esses grupos foi um dos motivos que os levou a participar da primeira edição e a retornar neste ano.

(Foto: Reprodução)

Encontro Nacional de Trisais

O trio estará entre os trisais confirmados para a segunda edição do encontro, que deve reunir cerca de 130 pessoas até domingo (13). A programação acontece em uma pousada reservada exclusivamente para os participantes e inclui momentos de convivência, confraternização e troca de experiências.

Segundo Juba, a repercussão do grupo nas redes sociais ajudou a mostrar que existem outras famílias que vivem relações semelhantes. Para ela, o encontro também representa uma forma de combater o preconceito e buscar mais respeito. “A gente quer mostrar que somos família, que devemos ter o direito de reconhecimento ou, ao menos, respeito pelas nossas escolhas”, afirma.

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