Cachorro morto a tiros no Serra Dourada: veja se bombeiros podem andar armados
Soldado virou alvo de investigação depois de matar cachorro com disparo de arma de fogo em Goiânia
A investigação iniciada pela Polícia Civil (PCGO) contra um soldado do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO), que matou um cachorro no estacionamento do Estádio Serra Dourada, em Goiânia, levantou uma questão: bombeiros militares podem andar armados? A resposta é sim.
LEIA TAMBÉM:
- Bombeiro mata cachorro após suposto ataque no estádio Serra Dourada, em Goiânia
- Homem é preso após matar cachorro a facada em Rio Verde
Todo militar tem porte de arma permanente, visto que eles possuem o direito garantido por lei como integrantes das forças de segurança, conforme portaria publicada em 2005. No entanto, o porte é um direito funcional, não uma obrigatoriedade, e exige autorização do comandante e parecer psicológico favorável.
“Ele pode ter a arma da corporação e a arma particular. A legislação federal autoriza ele a andar armado a qualquer momento, porque, diferente da população, o militar tem o dever de agir. Esse é o motivo que permite ao bombeiro andar armado, independentemente se estiver de serviço ou não”, explica o presidente da Comissão de Segurança Pública e Política da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Goiás (OAB-GO), Tadeu Bastos.
- Homem mata cachorro a pauladas, assa a carne do animal e ameaça mãe em Goiás: “Faço o mesmo”
- Oficial de justiça é procurado após atirar em cachorro em Santa Helena de Goiás
As armas de fogo adquiridas pelo Corpo de Bombeiros são cadastradas no Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Sigma), que é vinculado ao Exército. Já o armamento comprado de forma particular por bombeiros deve ser cadastrado no Sistema Nacional de Armas (Sinarm), administrado pela Polícia Federal (PF).
Cada bombeiro militar pode registrar até seis armas de fogo de uso permitido, sendo duas de porte, duas longas de alma raiada e duas longas de alma lisa. A regra não se aplica a bombeiros civis, que não possuem o direito de portar armas de fogo.
Entenda o caso
O bombeiro matou um cachorro com um disparo de arma de fogo na tarde deste domingo (05/04), no estacionamento do Estádio Serra Dourada, em Goiânia. Segundo a versão oficial da corporação, o soldado teria sido atacado por um grupo de aproximadamente cinco animais antes de efetuar o tiro.
De acordo com o CBMGO, o militar, lotado no Batalhão Especializado de Operações com Produtos Perigosos (BEOPP), realizava atividade física regulamentar e estava uniformizado quando foi cercado pelos animais, descritos na nota como “aparentemente abandonados”. Ainda segundo a corporação, ele teria sofrido múltiplas mordidas e agido em legítima defesa. O cão atingido não resistiu.
Moradores de prédios vizinhos registraram imagens de momentos após o ocorrido, quando o bombeiro militar ainda estava próximo do cachorro caído. As imagens circularam nas redes sociais e geraram repercussão nas últimas horas.
Nota do Corpo de Bombeiros:
“O Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás (CBMGO) informa que, na tarde deste domingo (05/04), um militar da corporação, lotado no Batalhão Especializado de Operações com Produtos Perigosos (BEOPP), foi vítima de um ataque por cães na região do estacionamento do Estádio Serra Dourada, em Goiânia.
O bombeiro realizava atividade física regulamentar, devidamente uniformizado, quando foi cercado por aproximadamente cinco cães aparentemente abandonados. Durante o ataque, o militar sofreu múltiplas mordidas, sendo necessário agir em legítima defesa para preservar sua integridade física, efetuando um disparo contra um dos animais.
O cão atingido não resistiu. O militar foi encaminhado para avaliação médica e seguirá os protocolos preventivos, incluindo medidas relacionadas à profilaxia da raiva, considerando a condição do animal.
O CBMGO ressalta que há registros recorrentes de ataques envolvendo cães errantes na região, o que representa risco à população que frequenta o local para atividades físicas e de lazer.
A corporação destaca que a ação do militar ocorreu em situação de risco iminente e teve como único objetivo cessar a agressão. O caso foi devidamente registrado e será apurado conforme os procedimentos legais.
O CBMGO reafirma seu compromisso com a proteção da vida, a transparência e a correta prestação de informações à sociedade”.