GESTÃO MABEL

Com ‘fato novo’, Polícia Civil coloca lixão de Goiânia na mira outra vez

Prefeito já foi indiciado em outubro de 2025 por crime ambiental. Aterro de Goiânia funciona sem licença ambiental

Piscina de chorume do Aterro Sanitário (Foto: Alex Malheiros)
Piscina de chorume do Aterro Sanitário (Foto: Alex Malheiros)

A Prefeitura de Goiânia e o prefeito Sandro Mabel (UB) entraram novamente na mira da Polícia Civil (PC), que investiga possíveis crimes ambientais praticados no aterro sanitário da capital. Vale ressaltar que Mabel e o ex-prefeito Rogério Cruz já foram indiciados em outubro de 2025 por operar o local sem licença ambiental, em inquérito instaurado para apurar um suposto vazamento de chorume para o Córrego Caveirinha, no início de 2024.

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No último dia 6, a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema) enviou um ofício para a Saneago solicitando informações se a empresa tinha capacidade para tratar com eficiência o chorume enviado pela prefeitura. De acordo com o delegado Luziano Carvalho, a especializada ainda aguarda um retorno para dar continuidade à investigação. 

“O fato novo desta investigação é o chorume. Quero questionar como se pega o chorume no aterro e joga no Córrego Caveirinha, [Rio] Meia Ponte. O chorume precisa ser tratado”, reforça.

A polêmica envolvendo o aterro sanitário de Goiânia já virou caso de justiça. No início do ano, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) contestou a decisão da Justiça que autorizou o encaminhamento de chorume do lixão de Goiânia para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Hélio Seixo de Brito, da Saneago. 

No dia 2 de janeiro, a Justiça autorizou, de forma provisória, o envio do chorume para a ETE pelo prazo de 120 dias. Segundo a Semad, a estação possui licença ambiental apenas para o tratamento de esgoto doméstico e não para chorume, que tem carga poluidora e características distintas, exigindo estrutura específica. 

A pasta afirma que, nas condições atuais, o efluente pode estar sendo tratado de forma inadequada, com risco de lançamento de contaminantes no Rio Meia Ponte. A secretaria informou ainda que, durante o processo de renovação da licença, a Saneago solicitou autorização para tratar o chorume, mas não comprovou tecnicamente a capacidade da unidade para receber esse tipo de efluente sem comprometer a qualidade do tratamento. Por isso, a empresa foi notificada a interromper o recebimento, com prazo encerrado em 4 de dezembro de 2025.

Procurada, a Saneago informou que irá responder a DEMA em tempo hábil e que não é responsável pela gestão do Aterro Sanitário de Goiânia e que o recebimento do líquido sempre ocorreu em caráter excepcional e colaborativo, como medida de mitigação de risco ambiental, diante da inexistência, por parte do município, de solução própria para o tratamento do efluente. 

O Mais Goiás também procurou a Prefeitura de Goiânia, que informou ainda não ter sido notificada pela delegacia.