‘Minha confidente, meu tudo’: mãe de dentista que morreu em Formosa escreve carta emocionada
Karla Montalvão contou que a filha teve uma reação alérgica após o parto e publicou uma carta emocionante após a morte da dentista
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Maria Gabriella Dias Montalvão de Moraes, de 24 anos, morreu na terça-feira (29), após apresentar complicações depois do parto da primeira filha, Maria Elisa. A dentista estava internada em um hospital do Distrito Federal. A mãe dela, Karla Montalvão, contou ao Mais Goiás que a filha teve uma reação alérgica após o parto.
“Foi uma reação alérgica. Não houve erro médico, negligência médica ou hospitalar. Tivemos assistência o tempo todo. Ela estava com uma equipe 24 horas”, afirmou Karla.
Segundo a mãe, o parto ocorreu sem intercorrências e Maria Elisa nasceu saudável. Após o nascimento da filha, Maria Gabriella apresentou complicações e não resistiu.
Mãe se despede de Maria Gabriella
Em uma carta aberta enviada ao Mais Goiás, Karla Montalvão homenageou a filha e relembrou a relação de proximidade que mantinha com Maria Gabriella.
“Maria. Gaby. Maria Gabriela. Minha menina. Minha melhor amiga. Minha confidente. Meu tudo”, escreveu.
Na carta, Karla relembrou o período em que estava grávida de Maria Gabriella. Ela contou que já escrevia para a filha durante a gestação e conversava com ela por meio das palavras, antes mesmo de conhecer seu rosto.

“Hoje eu lhe escrevo como escrevi tantas vezes durante toda a minha gestação. Antes mesmo de conhecer o seu rosto, eu já conversava com você através das palavras”, escreveu.
Karla contou que conseguiu dizer à filha o quanto a amava, o orgulho que sentia dela e o quanto era grata por ter sido sua mãe.
“Você me ouviu dizer que eu te amava. Você me ouviu dizer o quanto eu tinha orgulho de você. Você me ouviu dizer o privilégio que foi ser sua mãe. Você ouviu que Samuel, o seu Muny, te ama. Você ouviu o amor da sua família”, escreveu.
A mãe também relembrou uma conversa que teve com Maria Gabriella no sábado. Na ocasião, afirmou que sentia orgulho da filha e destacou o privilégio que seria para Maria Elisa tê-la como mãe.
“Que orgulho eu tenho de você. Que privilégio o meu ser sua mãe e que privilégio da Maria Elisa ser sua filha”, escreveu Karla.
Na carta, ela afirmou que pretende contar à neta quem foi Maria Gabriella e preservar as lembranças da filha.
“Maria Elisa conhecerá a mãe que ela tem. Ela saberá que sua mãe era amável, dedicada, caprichosa, talentosa, inteligente, esperta, amiga, companheira. Mas, acima de todos esses adjetivos, ela saberá que sua mãe amava a Deus”, escreveu.
Família se apega à fé após a perda
Karla também falou sobre a dificuldade de lidar com a morte da filha e sobre a fé que, segundo ela, tem ajudado a família a enfrentar a perda.
“Minha menina, como toda mãe, se me fosse possível, eu teria colocado a minha vida no lugar da sua. Mil vezes”, afirmou.

Em outro trecho da carta, a mãe reconheceu que ainda não consegue compreender tudo o que aconteceu, mas afirmou continuar acreditando em Deus.
“Eu não compreendo tudo o que aconteceu. Não compreendo os caminhos pelos quais fomos conduzidos, não compreendo por que nossa história precisou atravessar uma dor tão profunda”, escreveu.
Karla também falou sobre os últimos momentos e afirmou que, apesar da dor, escolhe continuar confiando em Deus.
“Não porque não dói. Dói profundamente. Não porque eu tenha todas as respostas. Eu não tenho. Mas porque conheço Aquele em quem tenho crido”, escreveu.
A mãe também contou que, dias antes, Maria Gabriella havia dito que ela precisava escrever mais. Segundo Karla, a frase ganhou um significado especial diante da perda da filha.
“Dias antes, Gaby me disse: ‘A senhora precisa escrever mais’. Minha menina, talvez você nem imaginasse a dimensão dessas palavras”, escreveu.
Ao longo da carta, Karla afirmou que não considera o texto uma despedida definitiva e encontrou na fé a esperança de reencontrar a filha.
“Por isso eu não quero chamá-la de despedida. É um até breve na eternidade”, declarou.
Maria Gabriella havia se formado em Odontologia no ano passado. O velório ocorreu nesta quarta-feira (30), na Catedral das Assembleias de Deus – Madureira, em Formosa. A cerimônia foi realizada ao meio-dia, seguida pelo cortejo às 13h e pelo sepultamento, às 13h30, no Cemitério Cruz das Almas.
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