Terça-feira, 01 de Setembro de 2026
HOMENAGEM

‘Era uma mãezona’: quem foi Thaísa Castro, diretora de CMEI que faleceu em Anápolis

Em entrevista ao Mais Goiás, Gleiciane Peixoto conta como conheceu Thaísa Castro e relembra a amizade que se tornou um vínculo de família

Por - Goiânia, GO
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Thaísa Castro aparece sorrindo em uma foto

A morte de Thaísa Castro Maga, diretora do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Nazaré Cunha Leão, causou comoção neste domingo (30), em Anápolis. Aos 47 anos, ela deixou familiares, colegas de trabalho e amigos que lembram da educadora pela dedicação à profissão, pelo cuidado com a família e pela capacidade de construir relações próximas com quem fazia parte de sua rotina.

Entre as pessoas que conviveram de perto com Thaísa está Gleiciane Peixoto, também gestora da rede municipal de educação de Anápolis e amiga íntima da diretora. Em entrevista ao Mais Goiás, Gleiciane relembrou a trajetória da amizade entre as duas e contou detalhes da convivência que começou no ambiente de trabalho e se tornou um vínculo familiar.

As duas se conheceram em 2020, quando Gleiciane ainda atuava como assessora na educação infantil e acompanhava a unidade onde Thaísa trabalhava como coordenadora geral.

Naquele período, porém, a amizade ainda não havia começado. O contato era limitado pelas restrições da pandemia. A aproximação aconteceu de fato em 2021, quando as duas passaram a ocupar cargos de gestão em unidades recém-inauguradas.

Thaísa Castro e Gleiciane Peixoto durante a posse como gestoras da rede municipal de educação de Anápolis, em 2022 (Foto: Arquivo pessoal)

As escolas enfrentavam desafios semelhantes, principalmente relacionados à estrutura, ao mobiliário e à formação das equipes. Durante reuniões de gestores, Thaísa e Gleiciane começaram a trocar experiências e pedir conselhos uma à outra sobre as dificuldades da administração.

Thaísa já tinha experiência em equipes gestoras e conhecia os procedimentos da rede municipal. Gleiciane passou a procurá-la com frequência para tirar dúvidas sobre questões do cotidiano, como prestação de contas e organização das unidades.

O que começou como uma relação profissional se transformou em uma amizade que ultrapassou os limites do trabalho. As duas passaram a sair juntas, fazer happy hours, conversar sobre problemas pessoais e compartilhar momentos importantes da vida.

“Ela me adotou. Era como se eu fosse uma irmã mais nova dela”, contou Gleiciane ao Mais Goiás.

Uma amizade que saiu do trabalho para a vida

Com o passar dos anos, Thaísa e Gleiciane se tornaram presença constante uma na vida da outra. As duas tinham o hábito de se encontrar pelo menos uma vez por mês e mantinham uma rotina de comemorações, aniversários, encontros entre amigas e momentos mais simples, como receber uma à outra em casa.

Para Gleiciane, Thaísa era uma daquelas amizades em que não era necessário esconder fragilidades. Ela afirma que podia conversar com a amiga sobre qualquer assunto sem medo de ser julgada.

“Se eu precisasse da Thaísa três da manhã, eu podia contar com ela”, relatou.

A proximidade fez com que Gleiciane acompanhasse também momentos importantes da vida da amiga. Em 2022, Thaísa ajudou na organização do chá de casamento dela e esteve presente em diferentes acontecimentos familiares e profissionais.

Thaísa Castro e Gleiciane Peixoto durante o chá de casamento de Gleiciane, em 2022 (Foto: Arquivo pessoal)

A amiga descreve Thaísa como uma pessoa acolhedora, de sorriso fácil e que costumava tratar os outros com atenção. Segundo Gleiciane, mesmo quando discordavam sobre opiniões ou crenças, as duas mantinham o respeito e priorizavam aquilo que tinham em comum.

A relação era tão próxima que elas brincavam que eram amigas “de esconder o cadáver” uma da outra, uma forma bem-humorada de dizer que poderiam contar com a outra em qualquer situação.

Dedicação à educação e à equipe

No trabalho, Thaísa também era reconhecida pela forma como conduzia a gestão do CMEI Nazaré Cunha Leão. Para Gleiciane, o cuidado que a amiga tinha com a unidade era uma extensão da própria personalidade.

Ela era descrita como uma profissional exigente e criteriosa, mas que também valorizava as pessoas que trabalhavam com ela. Segundo a amiga, Thaísa fazia questão de reconhecer os servidores, organizava comemorações e comprava lembranças em datas especiais para demonstrar que a equipe era importante.

“Tudo o que a Thaísa fazia era de excelência. Ela era muito dedicada ao trabalho”, afirmou Gleiciane em entrevista ao Mais Goiás.

A diretora também era conhecida por enxergar os servidores para além da função que exerciam. Na avaliação da amiga, Thaísa conseguia conciliar firmeza na gestão com sensibilidade para compreender as dificuldades de quem trabalhava ao seu lado.

Mãe dedicada e filha presente

Fora da escola, Thaísa tinha na família uma de suas principais prioridades. Ela criou o filho, Arthur, hoje com 13 anos, com o apoio da mãe, e acompanhava de perto todas as etapas da vida dele.

Segundo Gleiciane, a amiga levava o filho para atividades como futebol, catequese e curso de inglês e fazia questão de estar presente na rotina dele.

A relação com a mãe também era marcada pelo cuidado. Thaísa a acompanhava em consultas e tratamentos médicos e, na semana anterior à morte, esteve ao lado dela após uma queimadura na mão. A diretora chegou a acompanhá-la em procedimentos e atendimentos em Goiânia.

Gleiciane conta que nunca ouviu a amiga reclamar das responsabilidades que carregava, mesmo conciliando a administração do CMEI, a criação do filho e os cuidados com a mãe.

“Ela era uma mãezona e uma filha incrível”, afirmou.

A família também era marcada pela religiosidade. Thaísa era descrita como uma mulher de fé e bastante envolvida com atividades da igreja, enquanto a mãe, Dona Virgínia, também mantinha forte participação na comunidade religiosa.

Últimos dias foram de planos e momentos felizes

A lembrança dos últimos dias de Thaísa ganhou um significado especial para Gleiciane. Na quarta-feira anterior à morte, as duas passaram o dia juntas durante uma formação para diretores. À noite, ainda participaram de um encontro entre amigas em um restaurante de Anápolis.

Segundo Gleiciane, aquela noite foi marcada por risadas, conversas e brincadeiras. Thaísa também falava sobre os planos para o futuro.

Thaísa Castro e Gleiciane Peixoto em um dos encontros que mantinham na rotina de amizade (Foto: Arquivo pessoal)

Aos 47 anos, ela planejava se aposentar da prefeitura em aproximadamente cinco anos. Também estava vivendo um novo relacionamento havia cerca de seis meses e, segundo a amiga, estava feliz com a nova fase.

As duas chegaram a brincar sobre um possível casamento. Gleiciane dizia que queria ser madrinha, enquanto Thaísa respondia que ainda não sabia se queria se casar.

Ela também gostava de viajar e, em julho, conseguiu fazer duas viagens, uma para o litoral e outra para Caldas Novas, destino que apreciava.

Para Gleiciane, saber que a amiga viveu momentos de felicidade nos últimos meses é uma das lembranças que ajudam a enfrentar a perda.

“Esses últimos meses foram muito felizes para ela. Ela estava com alguém de quem ela gostava muito e fazendo coisas que ela gostava muito também”, contou ao Mais Goiás.

Durante a internação, o namorado também permaneceu próximo. Para Gleiciane, saber que Thaísa esteve ao lado de pessoas que amava nos últimos momentos traz algum conforto diante da morte repentina.

“Minha irmã de outra mãe”

A notícia da morte de Thaísa foi recebida por Gleiciane como um choque. A amizade, que começou de maneira despretensiosa dentro da rede municipal de educação, havia se transformado em uma das relações mais importantes de sua vida.

Durante o velório, Gleiciane chegou a dizer à mãe da amiga que Thaísa era sua “irmã de outra mãe”.

Ela também lembra que as duas nunca tiveram uma grande briga. Existiam diferenças de opinião, mas, segundo Gleiciane, o respeito sempre prevaleceu.

Thaísa Castro e Gleiciane Peixoto durante um dos encontros entre as amigas (Foto: Arquivo pessoal)

Para ela, a amiga deixa não apenas uma trajetória profissional marcada pela dedicação à educação, mas também uma rede de pessoas que se sentiram cuidadas e acolhidas por ela.

“Ela era uma pessoa muito especial. Perder ela está sendo muito difícil, porque as amizades verdadeiras são muito difíceis”, afirmou Gleiciane.

Thaísa deixa o filho Arthur, a mãe, familiares, amigos e colegas de trabalho. Para Gleiciane, fica a lembrança de uma mulher que esteve presente na vida de quem amava e que transformou uma amizade nascida no ambiente de trabalho em um vínculo que, para ela, era de família.

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