Segunda-feira, 28 de Setembro de 2026
City Tours

Aniversário de Goiânia: ‘city tour’ criado pela prefeitura se propõe a revelar histórias desconhecidas da cidade

City Tours no aniversário de 93 anos levam visitantes por prédios, parques e lugares que ajudam a contar a história da capital

Rafael Oliveira
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
O Lago das Rosas é o mais antigo de Goiânia, fundado em 1941, após o intenso plantio do roseiral que começou em 1930 (Foto: GoiâniaTur)

Quem passa todos os dias pela Praça Cívica talvez já nem repare no Palácio das Esmeraldas. Quem cruza a Avenida Goiás pode atravessar o Coreto e a Torre do Relógio sem imaginar as histórias que eles carregam. E quem caminha pelo Lago das Rosas talvez não saiba que está diante do parque mais antigo de Goiânia, inaugurado em 1941, depois do plantio do famoso roseiral que começou no final da década de 1930.

É justamente essa cidade escondida no caminho de todos os dias que os City Tours preparados para o aniversário de 93 anos da capital querem revelar.

A programação da GoiâniaTur prevê passeios guiados por diferentes regiões da cidade durante as comemorações do aniversário, celebrado em 24 de outubro. Os roteiros serão divididos em duas frentes: uma dedicada ao patrimônio histórico e à arquitetura Art Déco e outra voltada às áreas verdes da capital.

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A proposta, segundo o presidente da GoiâniaTur, Vinicius Gomes do Nascimento, é fazer com que o passeio seja mais do que uma sucessão de lugares vistos pela janela de um ônibus.

“Não é apenas passar na porta e falar que esse é o parque. O guia tem esse papel de apresentar essa história e fazer com que cada pessoa compreenda que cada local tem memória”, afirma.

E Goiânia tem muitas.

Onde a cidade começou

A Praça Cívica será o ponto de partida do roteiro histórico. É ali que estão alguns dos edifícios que ajudam a explicar o nascimento da nova capital de Goiás, como o Palácio das Esmeraldas, a antiga Chefatura de Polícia — hoje sede do Instituto Mauro Borges — e o prédio que abrigou o antigo Fórum e Tribunal de Justiça.

Também ficam na praça o Centro Cultural Marietta Telles Machado e o Museu Zoroastro Artiaga, considerado o primeiro museu estadual de Goiás.

Para Vinicius, existe algo de curioso na relação dos goianienses com esses lugares: eles estão tão incorporados à paisagem que acabam se tornando invisíveis.

Considerados como patrimônio cultural , monumentos Coreto e Torre do Relógio ( Foto: Reprodução e Antônio Silva)

“Goiânia tem muito o que mostrar e contar, como a Praça Cívica. Muitas vezes a gente passa ao lado e se esquece que ali nasce a capital”, diz.

Da praça, o passeio segue pela Avenida Goiás. No início da via estão o Coreto e a Torre do Relógio, inaugurados em 1942, durante o Batismo Cultural de Goiânia.

Mais adiante está o Grande Hotel, aberto em 1937. Primeiro hotel da capital, o prédio foi palco dos bailes e encontros dos primeiros anos da cidade. Entre os nomes ligados à história do local estão o escritor Monteiro Lobato e o poeta chileno Pablo Neruda, que passou por Goiânia.

É o tipo de história que muda a maneira de olhar para uma esquina conhecida.

Prédio do Grande Hotel em Goiânia (Foto: Domingos Ketelbey)

Do trem ao Teatro Goiânia

A próxima parada é a Praça do Trabalhador, onde a antiga Estação Ferroviária preserva outro pedaço da memória da capital.

O prédio guarda dois afrescos de Frei Nazareno Confaloni, um dos pioneiros do modernismo em Goiás, e atualmente abriga um museu dedicado ao artista. Do lado de fora, a locomotiva nº 11, conhecida como Maria Fumaça, permanece como lembrança dos tempos em que os trilhos ajudaram a conectar a cidade ao restante do Estado.

O roteiro passa ainda pelo Teatro Goiânia, inaugurado em junho de 1942. O prédio, na esquina das avenidas Tocantins e Anhanguera, tem capacidade para 850 pessoas e uma arquitetura marcada por curvas que remetem ao formato de um transatlântico.

Praça do Trabalhador com o Monumento ao Trabalhador (Foto: Hélio de Oliveira)
Praça do Trabalhador com o Monumento ao Trabalhador (Foto: Hélio de Oliveira)

Também estão no percurso o câmpus Goiânia do Instituto Federal de Goiás (IFG), cujo pórtico foi construído para a exposição do Batismo Cultural; o Colégio Lyceu de Goiânia; o Goiânia Palace Hotel e o Museu Pedro Ludovico Teixeira.

São lugares que, para quem mora na capital, muitas vezes fazem parte apenas do trajeto. No passeio, ganham contexto.

E quando a cidade fica verde?

A segunda frente dos City Tours será dedicada às áreas verdes. A programação divulgada pela GoiâniaTur ainda não detalha a sequência exata das paradas, mas os roteiros turísticos já estruturados pela agência incluem alguns dos parques mais conhecidos da capital. Entre eles estão o Lago das Rosas, o Vaca Brava, o Areião e o Jardim Botânico Amália Teixeira Franco.

No Jardim Botânico, o visitante encontra cerca de 1 milhão de metros quadrados de área, com remanescentes de Cerrado, trilhas ecológicas, borboletário e teatro de arena. É a maior unidade de conservação de Goiânia.

Jardim Botânico em Goiânia (Foto: Jackson Rodrigues)

Outro roteiro reúne áreas como o Parque Bernardo Élis e o Parque Ambiental Macambira, no Setor Faiçalville. Inaugurado em 2015, o Macambira protege nascentes do córrego que dá nome ao parque e ocupa uma área de 25 hectares de mata nativa. Há ciclovia, pista de caminhada, trilhas, auditório e a Praça das Esculturas.

Também entram no mapa turístico da capital o Bosque dos Buritis, o Parque Flamboyant e o Parque Carmo Bernardes.

No Flamboyant, por exemplo, os visitantes encontram dois lagos, fonte luminosa, ponte de madeira, jardim japonês e a nascente do córrego Sumidouro.

Uma cidade para ser redescoberta

O Lago das Rosas merece uma parada especial. É dali também que parte o Caminho dos Bougainvilles, conjunto de quatro roteiros que conectam patrimônio histórico, gastronomia, arte urbana e áreas verdes.

A ideia da GoiâniaTur é justamente aproximar essas histórias de quem vive na cidade — e não apenas de quem chega como turista.

“Precisamos mostrar isso para as pessoas para que elas entendam que a capital tem potencial turístico”, afirma Vinicius.

A programação ocorre dentro das comemorações dos 93 anos de Goiânia. Os passeios serão conduzidos por guias de turismo credenciados pela GoiâniaTur, contratados por meio de sistema de rodízio.

No fim, talvez a maior descoberta do passeio não esteja em um prédio ou em um parque específico. Pode estar na própria cidade. A Goiânia que se conhece no trânsito, na pressa e no caminho para o trabalho continua sendo a mesma. O que muda é o olhar.

Os passeios poderão ocorrer a pé, de bicicleta ou com o uso de transporte especializado (Foto: Prefeitura de Goiânia)
Os passeios poderão ocorrer a pé, de bicicleta ou com o uso de transporte especializado (Foto: Prefeitura de Goiânia)

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