Aos 10 anos, bailarina goiana é escolhida para representar o Basileu França em final nacional
Clarice Rolo Reis começou no balé aos 3 anos e, aos 10, se prepara para representar o Basileu França em uma competição nacional
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Aos 10 anos, Clarice Rolo Reis se prepara para levar a dança goiana a um dos palcos mais importantes de sua trajetória. Aluna da Escola do Futuro de Goiás em Artes Basileu França, em Goiânia, a bailarina foi escolhida para representar a instituição na final nacional do Youth Grand Prix (YGP) Brasil, realizada entre os dias 20 e 24 de outubro, em Barueri (SP). A competição reúne jovens talentos do balé e pode abrir caminhos para oportunidades de formação artística.
A participação marca uma nova etapa para Clarice, que começou a dançar aos 3 anos e, desde então, acumulou premiações em concursos realizados em Goiás e no Distrito Federal. Agora, ela se prepara para apresentar uma variação de La Fille mal gardée (A Filha Mal Guardada), obra tradicional do repertório clássico. Em entrevista ao Mais Goiás, a menina fala sobre a expectativa de participar do evento, enquanto a mãe, Viviane Rolo Reis, conta como a família acompanha o desenvolvimento da bailarina e enfrenta os desafios de uma rotina dedicada à dança.
“Eu fiquei muito feliz, porque desde pequenininha, eu assistia pela TV. Era um dos meus sonhos”, afirma Clarice sobre a escolha para representar o Basileu França. Para ela, a oportunidade vai além de subir ao palco: é também a chance de aprender com professores experientes, conhecer outros bailarinos e mostrar o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos.
Da primeira aula às premiações
A história de Clarice com o balé começou ainda na infância, nas aulas oferecidas pela escola onde estudava como uma alternativa de atividade física. Segundo a mãe, Viviane, a menina já demonstrava habilidade para a dança. Em casa, a música clássica também fazia parte do cotidiano, o que tornava as melodias familiares para ela.
Quando Clarice completou 6 anos, a família decidiu investir no aprimoramento da técnica e a matriculou em escolas particulares de Goiânia. O interesse e a dedicação da menina chamaram a atenção das instituições, que ofereceram bolsas de estudo para ela continuar os treinamentos.

Aos 8 anos, Clarice participou de suas primeiras competições e conquistou o segundo lugar na categoria estilo livre clássico do CBDD Kids Goiânia. Naquele mesmo ano, ficou na segunda colocação do Festival Brasília em Dança. No ano seguinte, voltou a receber premiações nas categorias em que competiu e foi indicada como bailarina revelação em uma das disputas.
Em 2025, a menina conquistou outro resultado importante em uma competição on-line promovida pela Angel Shine Foundation, dos Estados Unidos. O concurso permitiu a participação de crianças de diferentes países, e Clarice ficou em primeiro lugar em sua categoria. Como prêmio, recebeu um valor equivalente a uma bolsa de estudos, destinado a despesas da formação, como sapatilhas, roupas de balé e outros materiais necessários para a prática.
A sequência de conquistas foi acompanhada por uma mudança importante na formação. Em fevereiro de 2026, Clarice ingressou no Basileu França, após participar do processo seletivo realizado por edital. A instituição oferece formação profissionalizante em artes, incluindo cursos de dança e balé clássico, e exige uma rotina de estudos mais intensa do que a vivenciada anteriormente.
Viviane conta que a filha ficou nervosa durante a audição, uma reação que considera natural para uma criança de 10 anos diante de uma oportunidade tão importante. Depois da aprovação, a família precisou reorganizar os horários para conciliar os estudos artísticos com a escola regular e os momentos de descanso.
A escolha de Clarice para representar a instituição na final nacional do YGP foi recebida com surpresa. Para a mãe, o reconhecimento teve um significado especial justamente porque a escola reúne outras crianças com talento para a dança.
“Recebemos a notícia com muita alegria. A princípio, não esperávamos, pois na escola há muitas crianças talentosas”, relata Viviane.
Uma rotina de treino sem deixar a infância de lado
A preparação para o Youth Grand Prix exigiu mudanças na rotina da bailarina. Com os ensaios intensificados, Clarice passou a dedicar ainda mais tempo ao aperfeiçoamento da variação que apresentará na competição. A rotina pode chegar a cinco horas diárias de balé, além das aulas na escola, do pilates e dos exercícios de fortalecimento físico.

O trabalho envolve repetição e atenção aos detalhes técnicos. Clarice conta que gosta muito da variação de La Fille mal gardée e se sente bem ao dançá-la. Entre os movimentos que precisou treinar com mais frequência está o fouetté, que exige prática, controle corporal e boa postura.
“Os ensaios se intensificaram, tenho focado bastante na minha variação e eu também faço aula de fortalecimento e pilates”, explica.
Por trás dos treinamentos, a organização familiar tem papel importante. Os horários das aulas e dos ensaios interferem na rotina de todos, e a preparação exige conciliar compromissos, deslocamentos e as necessidades próprias da idade. Viviane afirma que esse equilíbrio é um desafio constante, mas que a paixão da filha pela dança ajuda a enfrentar as exigências.
A mãe ressalta que, apesar da dedicação ao balé, a família procura preservar os momentos em que Clarice pode simplesmente brincar e aproveitar a infância. O descanso também é tratado como parte importante da rotina.

“Como ela ama o que faz, tudo fica mais fácil. Ela ainda brinca muito e consideramos esses momentos sagrados, tentamos preservar ao máximo, assim como o descanso”, afirma.
O custeio das competições é outro desafio. Parte das despesas fica sob responsabilidade dos pais, enquanto a Associação de Pais e Mestres do Basileu França promove eventos e busca patrocínios para ajudar os estudantes. A iniciativa procura ampliar as possibilidades de participação de bailarinos com diferentes condições financeiras.
Segundo Viviane, a família também procura apoio para viabilizar a participação da filha em eventos como o YGP. A mobilização é importante para que os custos não impeçam os estudantes de aproveitar oportunidades de desenvolvimento artístico.
O sonho de chegar a uma companhia profissional
A final nacional do Youth Grand Prix também representa uma oportunidade de ampliar os horizontes da formação de Clarice. A possibilidade de conquistar bolsas de estudo internacionais está nos planos da família, que considera a hipótese de ela estudar fora do Brasil caso surja uma oportunidade. Viviane explica, porém, que uma decisão desse tipo será avaliada no momento certo, em conjunto com a escola.
A bailarina já tem um objetivo definido para o futuro: integrar uma companhia profissional. Ela também sonha em estudar na Royal Academy of Dance, instituição internacional dedicada ao ensino e à formação em dança.
Apesar da rotina intensa, Clarice mantém interesses fora dos estúdios. Gosta de desenhar, principalmente figurinos de balé, e de fazer trabalhos manuais, como origamis. Nos momentos difíceis, diz encontrar apoio na família e na fé.
Para Viviane, a participação na competição já é um dos momentos mais marcantes da trajetória da filha. Mais do que o resultado, ela espera que Clarice aproveite o contato com profissionais renomados, as aulas e a experiência de apresentar sua arte.
“Queremos que ela se sinta feliz por vivenciar a experiência, com aulas de profissionais renomados e, principalmente, mostrar a sua arte, o que consideramos o mais importante”, destaca a mãe.
A própria Clarice está animada para subir ao palco e viver as diferentes experiências proporcionadas pelo evento. Para outras crianças que sonham em seguir a dança, ela deixa um conselho que reflete a dedicação necessária para continuar aprendendo: “Para não desistir e, mesmo que alguma coisa não dê certo, que não fique triste, porque, se é isso que você gosta, você tem que se esforçar para continuar”.
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