Terça-feira, 28 de Julho de 2026
Investigação

Delegado revela motivo do ataque que terminou com a morte do jornalista Delson Carlos

Polícia Civil ouve testemunha-chave de homicídio no Setor Bueno e afasta tese de premeditação; velório do jornalista ocorre no Setor Coimbra

Da Redação
Por - Goiânia, GO
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Suspeita de matar Delson Carlos se apresenta como advogada, mas não possui registro na OAB Jornalista foi encontrado com golpes de faca

O pedido de devolução de um imóvel no Setor Bueno teria sido o motivo para o ataque que terminou com a morte de Delson Carlos, na última sexta-feira (24), em Goiânia. Segundo o delegado Vinícius Teles da Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH), a suspeita Renata Oliveira, proprietária do apartamento onde a vítima morava sem pagar aluguel, queria que o jornalista deixasse o local.

“A suposta autora desejava a sua restituição, uma vez que havia emprestado o imóvel. Houve um desentendimento nesse sentido […] elas argumentaram que eles se excederam na ingestão de bebida alcoólica e o assunto voltou à tona, e ela teria atacado ele com uma faca”, disse o delegado em entrevista à TV Anhanguera.

O investigador detalhou o depoimento prestado pela principal testemunha, a namorada da suspeita, que tentou intervir na agressão antes que o jornalista desfalecesse no 5º andar do edifício. O delegado ressaltou a dinâmica do ataque relatada pela testemunha: “Ela argumenta que interveio no momento da agressão. Segundo ela, a Renata desferiu um golpe na região do tórax, do peito, e aí ela entrou no meio, segurou a mão da namorada e, nesse momento, sofreu uma lesão no ombro (…) e cortou o antebraço. E aí ela alega que, nesse momento em que ela conseguiu se desvencilhar, os dois correram.”

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Empresária Renata Oliveira - (Foto: reprodução)
Empresária Renata Oliveira – (Foto: reprodução)

Após o crime, a investigada se trancou no apartamento e recusou a se entregar. A negociação com a Polícia Militar durou mais de três horas e exigiu o uso de um artefato explosivo para arrombar a porta e efetuar a prisão em flagrante. Na audiência de custódia realizada no sábado, a Justiça converteu a prisão em preventiva para garantir a ordem pública e proteger a integridade da testemunha-chave.

A Polícia Civil trabalha para concluir o inquérito no prazo de 10 dias. O delegado Vinícius Teles pontuou que pretende realizar uma nova oitiva com a investigada assim que reunirem mais elementos técnicos: “Eu vou tentar reinquiri-la. Depois que nós colhermos esses novos depoimentos e que nós consigamos entender melhor a dinâmica, nós vamos tentar, até porque é uma forma dela dar a versão dela e talvez ela possa esclarecer melhor as coisas.”

Delson Carlos: família apresenta documentos e corpo de jornalista morto em Goiânia é liberado
Delson Carlos: família apresenta documentos e corpo de jornalista morto em Goiânia é liberado (Foto: Reprodução)

Polícia afasta tese de crime planejado

Sobre o perfil da investigada e a origem das armas, o delegado ponderou sobre os indícios sem cravá-los como premeditação: “Há indícios de fotografias que nós recebemos de que ela colecionava facas e já teria levado na mochila pelo menos duas facas. Nós não podemos descartar nada e tudo está sendo investigado. Mas o que narraram as duas testemunhas não indicam premeditação.”

O corpo do jornalista foi liberado pelo IML após a resolução de divergências na documentação civil do jornalista. O velório foi marcado para esta terça-feira (28/07), a partir das 8h, na Pax Universal, no Setor Coimbra. O sepultamento está agendado para as 11h, no Cemitério Vale da Paz.

A defesa da investigada, acompanhada inicialmente pela Defensoria Pública, ainda avaliará se permanecerá com a representação estatal ou se assumirá um advogado particular.

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