‘Não quero vingança, quero justiça’, diz irmão de Davi Sebba na véspera de júri aguardado em Goiânia
Pedro Ivo fala sobre os 14 anos de espera pelo julgamento dos três policiais acusados pela morte do advogado em Goiânia
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“Eu não quero vingança, eu quero justiça. Mas espero que saiam de lá todos condenados”. A frase resume o sentimento de Pedro Ivo Sebba, irmão do advogado Davi Sebba, morto com um tiro no peito em julho de 2012, em Goiânia. Quatorze anos depois, a família finalmente acompanha o julgamento de dois policiais e um ex-policial acusados pelo crime. O Tribunal do Júri está previsto para começar nesta quinta-feira (1º), na capital, e deve durar dois dias.
Para Pedro Ivo, a espera pelo julgamento tornou a dor da família ainda mais difícil de suportar. Segundo ele, não se trata apenas de lidar com a perda de um irmão, mas de conviver durante anos com o que considera uma morte sem explicação e com a demora para que o caso chegasse ao Tribunal do Júri.
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“É muito importante que as pessoas entendam nossas dificuldades nesses 14 anos. Não se trata apenas de uma perda familiar, por mais que qualquer perda seja muito dolorosa. Quando alguém perde um parente por acidente ou doença, há uma razão e a nossa mente consegue entender e processar. Na morte do Davi, não há sentido racional”, afirma.
Davi Sebba foi morto em 5 de julho de 2012, no estacionamento de um supermercado da Vila União. Na época, a esposa do advogado estava internada para dar à luz o filho do casal. Ele havia saído para comprar fraldas quando foi baleado, segundo a família.
Pedro Ivo contesta a versão de que o irmão estaria armado no momento da abordagem. “Eles disseram que o Davi estava armado, mas a perícia já comprovou que ele não estava”, afirma.
A família também enfrentou uma longa batalha judicial até que os três acusados — o tenente da PM Edinailton Pereira de Souza, o sargento Luiz Frederico de Oliveira e o ex-PM Jonathas Atenevir Jordão — fossem levados ao júri. Em 2017, Edinailton e Luiz Frederico haviam sido absolvidos, enquanto Jonathas foi mandado a júri por homicídio simples. Recursos apresentados pela acusação modificaram o cenário nos anos seguintes. Em 2022, o Tribunal de Justiça de Goiás reconheceu a qualificadora relacionada à dificuldade ou impossibilidade de defesa da vítima e, em 2023, a Justiça determinou que os três policiais fossem julgados pelo Tribunal do Júri.
Para Pedro Ivo, o caminho até o julgamento foi marcado também por ameaças e intimidações contra familiares e pessoas próximas. Ele afirma ainda que o inquérito policial demorou a avançar e relata um episódio em que, segundo ele, um delegado teria expulsado os advogados da família de uma delegacia com uma arma em punho.
“Enfrentamos ameaças, intimidações à família e amigos. O inquérito policial não andava. A falta de impunidade e julgamento só agravam ainda mais a nossa dor”, pontuou.
Agora, com a realização do júri, o irmão de Davi afirma que espera que a família finalmente tenha respostas. Para ele, o julgamento representa também uma demonstração de que o Estado reconhece a condição de vítima de Davi e de seus familiares.
“Chegar ao Tribunal do Júri 14 anos depois significa receber respostas, e ver o Estado agindo para defender a vítima. O Davi foi a vítima fatal. Os pais, os irmãos, os amigos e seu filho, todos são vítimas que sofreram consequências”, afirma.

Pedro Ivo também amplia o significado da morte do irmão para além da família. Na avaliação dele, crimes dessa natureza afetam a sensação de segurança de toda a sociedade.
“Estamos em 2026 e não dá para concordar que alguém faça justiça com as próprias mãos. Uma pessoa não pode decidir sobre a vida de outra sem seguir as leis e o direito de defesa”, afirma.
Apesar de dizer que não busca vingança, Pedro Ivo deixa clara sua expectativa em relação ao resultado do julgamento. “Quero um julgamento em que esses policiais possam se defender. Mas espero que saiam de lá todos condenados”, afirma.
