Sexta-feira, 07 de Agosto de 2026
INVESTIGAÇÃO

Ex-funcionária desviou quase R$ 1 milhão de empresa e gastou até com tatuagem, em Goiânia

Polícia Civil aponta que assistente administrativa teria feito 199 transferências para contas de terceiros e usado contratos falsos para retirar dinheiro da empresa

Por - Goiânia,GO
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carros x concessionaria

Uma ex-funcionária de um grupo de concessionárias de veículos é investigada por suspeita de desviar R$ 966 mil da empresa onde trabalhava, em Goiânia. De acordo com a Polícia Civil, o esquema teria funcionado durante um ano e envolvido quase 200 transferências bancárias para contas de terceiros, incluindo familiares, pessoas próximas e prestadores de serviço.

As investigações apontam que os desvios começaram em janeiro de 2024. Nesse período, a suspeita, que ocupava o cargo de assistente administrativa, teria realizado 199 transferências para mais de 30 contas diferentes. O nome da investigada e o grupo de concessionárias onde ela trabalhava não foi divulgado.

Segundo delegado Guilherme Prudente, responsável pelo caso, a mulher era considerada uma funcionária de confiança pelos gestores da empresa. Em algumas ocasiões, ela chegava a ficar responsável pelas senhas de autorização do sistema financeiro quando os superiores saíam de férias. Ela tinha acesso a uma conta bancária utilizada pela empresa e aproveitava essa autorização para movimentar os valores.

Falsos contratos de seguros

O esquema consistia na criação de contratos falsos para contratação de seguros em nome de clientes. Após registrar o suposto pagamento no sistema, ela informava, no dia seguinte, que o consumidor havia desistido do serviço. Com isso, era realizado um estorno, mas o dinheiro era enviado para contas indicadas pela própria investigada, e não para os clientes.

A polícia identificou que parte desses valores foi transferida para contas de pessoas que, segundo o delegado, teriam sido utilizadas como laranjas. Entre elas estão a mãe da ex-funcionária, o ex-marido e o atual namorado. Também foram encontrados pagamentos destinados diretamente a prestadores de serviço.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o patrimônio adquirido pela suspeita durante o período em que trabalhava na concessionária. De acordo com Prudente, os bens são incompatíveis com a renda de uma assistente administrativa, cujo salário girava em torno de R$ 3 mil.

Apartamento, carro, joias e até tatuador

Entre os gastos identificados estão a compra do ágio de um apartamento, a aquisição de um veículo avaliado em cerca de R$ 100 mil que foi comprado na própria concessionária onde ela trabalhava, além de joias.

As empresas contratadas para realizar serviços na residência da suspeita também teriam recebido pagamentos feitos com recursos da concessionária. Entre elas estão marcenarias responsáveis pela instalação de armários, uma marmoraria que fez a troca do piso da casa, empresas de cosméticos, lojas de eletrônicos, fornecedores de festas e até um tatuador.

Segundo a polícia, durante os pagamentos, a investigada informava aos prestadores de serviço que era funcionária da concessionária e alegava que os valores seriam quitados pela empresa.

Até o momento, a Polícia Civil não identificou a participação de outros funcionários no esquema. As investigações continuam.

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