Quinta-feira, 01 de Outubro de 2026
ÚLTIMA ALTERNATIVA

Corrida contra o tempo: família tem até dia 6 para conseguir remédio para mulher com leucemia

Jaqueline Maria da Costa, de 40 anos, tem leucemia mieloide aguda e precisa do venetoclax, segundo a família; pedido à SES-GO já foi negado por falta do medicamento em estoque

Rafael Oliveira
Por - Goiânia, GO
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Jaqueline da Costa tem 40 anos, é casada, mãe de dois filhos, e precisa de um medicamento de alto custo para lutar pela vida (Foto: arquivo pessoal)

A família de Jaqueline Maria da Costa, de 40 anos, tenta conseguir o medicamento Venetoclax para dar continuidade ao tratamento contra uma leucemia mieloide aguda (LMA) na Santa Casa de Misericórdia em Goiânia. Segundo a irmã da paciente, Jaine Jandira dos Santos, o remédio foi indicado pelo médico como alternativa para evitar que Jaqueline precise passar por uma terceira quimioterapia. O medicamento, segundo a família, pode salvar a vida de Jaqueline. Ela tem 40 anos, é casada e mãe de dois filhos.

“Em dezembro, ele se torna obrigatório pelo SUS. Eles têm até dezembro para colocar. Mas não podemos esperar até lá. É a única esperança da médica e nossa”, conta Jaine.

A irmã afirma que Jaqueline passou por duas sessões de quimioterapia e está em casa se recuperando da mais recente, realizada na semana passada. O medicamento precisa ser obtido até 6 de outubro, segundo os familiares, que agora tentam uma solução junto à Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO).

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A documentação médica apresentada à reportagem confirma que Jaqueline tem diagnóstico de LMA e que o tratamento foi considerado necessário diante da resposta insuficiente à primeira estratégia adotada. O relatório médico aponta que ela foi submetida à indução convencional com daunorrubicina associada à citarabina, mas não apresentou resposta esperada, sendo caracterizada como portadora de doença refratária. 

Diante desse cenário, a médica indicou uma mudança de estratégia, com a associação de azacitidina e venetoclax. O relatório aponta que o objetivo é controlar a doença, reduzir a carga leucêmica e buscar uma remissão hematológica que possa permitir, posteriormente, a avaliação de tratamentos potencialmente curativos, como um transplante de células-tronco hematopoéticas. 

m nota, a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) informou que a Azacitidina já faz parte da lista de medicamentos destinados ao tratamento oncológico pelo SUS. O remédio é adquirido pelos hospitais habilitados em oncologia, como os Centros de Alta Complexidade em Oncologia (CACONs) e as Unidades de Alta Complexidade em Oncologia (UNACONs), que posteriormente são ressarcidos pelo Ministério da Saúde.

Já o Venetoclax foi incorporado recentemente ao SUS, mas ainda não está sendo disponibilizado diretamente aos pacientes pela rede estadual. Segundo a SES-GO, ainda é necessário definir, na Comissão Intergestores Tripartite (CIT), como será o modelo de fornecimento do medicamento.

A secretaria afirmou, porém, que, enquanto essa definição não ocorre, a unidade de saúde responsável pelo tratamento da paciente deve fornecer os medicamentos necessários para o tratamento.

Pedido feito à SES

A família formalizou o pedido dos medicamentos à SES-GO em agosto. O processo administrativo recebeu o número 202600010068424. No requerimento, Jaqueline solicitou azacitidina 120 mg/dia e venetoclax 400 mg/dia. 

Em parecer emitido em 19 de agosto, a Gerência de Assistência Farmacêutica da SES-GO reconheceu a indicação médica e detalhou o histórico da paciente. O documento, porém, informou que os medicamentos solicitados não estavam disponíveis em estoque para dispensação à paciente naquele momento. Por isso, a secretaria concluiu que não poderia atender ao pedido. 

A resposta foi encaminhada à família em ofício de 25 de agosto. O documento informa que o parecer da Gerência de Assistência Farmacêutica havia sido ratificado pela área responsável da secretaria. 

A documentação também registra que o caso chegou à Justiça. Segundo o histórico do tratamento, o processo judicial busca justamente o acesso aos medicamentos e houve solicitação de documentos complementares pelo Núcleo de Apoio Técnico do Judiciário (NATJUS). 

Avanço da doença

Enquanto a família busca o medicamento, exames realizados em setembro mostram alterações importantes no quadro hematológico. Em 18 de setembro, por exemplo, Jaqueline apresentava pancitopenia confirmada.

Uma nova prescrição, datada de 24 de setembro, registra o uso de venetoclax e azacitidina. Para o venetoclax, a receita indica quatro comprimidos de 100 mg por dia durante 14 dias, seguidos de intervalo de 16 dias, com previsão de tratamento por oito meses. 

Jaine Jandira dos Santos, irmã de Jaqueline, afirma que a família está mobilizada para conseguir o medicamento antes do prazo informado pela equipe médica.

“A gente está correndo contra o tempo para conseguir esse medicamento para ela”, afirma Jaine.

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