Segunda-feira, 21 de Setembro de 2026
ABRIGO DE ANIMAIS

Forçada a mudar de local por causa da venda do imóvel, dona de abrigo com 250 animais faz rifas para cobrir custos

Abrigo Anjos da Silvia enfrenta dificuldades para deixar o atual espaço e precisa de recursos para a mudança

Por - Goiânia, GO
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Vários cães acolhidos descansando juntos num ambiente protegido e cheio de carinho

Quase 250 animais precisam deixar o imóvel onde vivem atualmente, em Goiânia. O espaço foi vendido, e Silvia Clemente, responsável pelo Abrigo Anjos da Silvia e pelos cuidados dos animais, busca recursos para conseguir transferi-los para um novo local. Em entrevista ao Mais Goiás, ela contou que a mudança depende de transporte, mão de obra e da construção de estruturas para acomodar os animais.

Sem renda fixa e vivendo atualmente de doações e rifas, Silvia afirma que a situação se tornou ainda mais difícil depois que o imóvel ficou sem energia elétrica. Segundo ela, o fornecimento foi interrompido nos últimos dias e o medidor foi retirado. A falta de energia prejudica atividades básicas, como lavar roupas, conservar alimentos e cuidar dos animais durante a noite.

“Não é uma mudança comum. É difícil para achar terreno, é difícil para achar moradia, é tudo caro. Mudança pesada é cara”, relatou Silvia ao Mais Goiás.

Quase 250 animais dependem dos cuidados

A rotina do abrigo envolve cerca de 90 quilos de ração por dia, além de medicamentos para animais que estão em tratamento. Silvia afirma que não está mais resgatando novos bichos e que tenta concentrar os recursos nos animais que já estão sob seus cuidados.

Quase 250 animais vivem no local e precisam ser retirados após a venda do imóvel (Vídeo: Arquivo pessoal)

“Não estou pegando mais, mas os que eu possuo, tenho que dar conta”, afirmou.

De acordo com a responsável pelo abrigo, o novo espaço já foi encontrado, mas ainda não foi possível realizar a mudança por falta de recursos. O local precisa receber adaptações para acomodar os animais, e a transferência deve envolver equipes trabalhando tanto no imóvel atual quanto no novo endereço.

A estimativa é de que somente a acomodação dos animais no novo espaço custe mais de R$ 4 mil. Também será necessário contratar caminhão, pessoas para auxiliar no transporte e outros serviços durante os dois ou três dias previstos para a mudança.

Além da estrutura para os animais, Silvia afirma que precisa manter despesas básicas da casa, como alimentação, gás e medicamentos, enquanto tenta garantir ração e remédios para os bichos.

Imóvel foi vendido e mudança virou corrida contra o tempo

Silvia contou ao Mais Goiás que o imóvel onde os animais estão foi vendido e que passou a sofrer pressão para deixar o local. Ela relata episódios de agressões verbais e afirma que pessoas teriam subido no muro durante a noite. Também conta que bombas foram soltas nas proximidades, o que teria deixado os animais agitados.

“Estão usando de todas as forças possíveis. Além de agressão verbal, colocaram uns quatro moços para subir no muro e soltaram bomba de madrugada para os cachorros ficarem doidos”, contou.

A falta de energia aumentou a dificuldade. Silvia relata que, durante a noite, precisa sair para acudir os animais quando eles brigam ou ficam agitados e que acaba tropeçando pela falta de iluminação.

Sem energia há dias, responsável enfrenta dificuldades para manter os cuidados com os animais (Foto: Arquivo pessoal)

Ela também afirma que uma vela chegou a cair entre os pertences do imóvel e quase provocou um incêndio. A preocupação é maior porque há um idoso no local que, segundo ela, tem pânico do escuro.

Silvia conta que a situação também afetou a conservação de alimentos. Sem energia elétrica, ela afirma que até mesmo o uso de gelo não tem sido suficiente para manter os produtos conservados.

Dívidas e problemas de saúde dificultam mudança

Silvia conta que sempre gostou de animais e que passou a se dedicar ainda mais à causa depois de enfrentar problemas pessoais. Antes da pandemia, ela trabalhava, cuidava de uma loja e também participava de feiras. Com o fechamento do comércio, perdeu a fonte de renda e passou a depender de doações para manter os animais.

Comida preparada por Silvia para complementar a alimentação dos animais do abrigo (Foto: Arquivo pessoal)

Atualmente, ela afirma ter uma dívida superior a R$ 200 mil, acumulada com particulares, casas de ração, clínicas, hospitais e bancos. Parte do débito está relacionada aos gastos para manter os animais.

Além das dificuldades financeiras, Silvia relata ter passado por problemas de saúde e afirma que já fez cirurgia na coluna e teve embolia pulmonar e trombose. Segundo ela, essas condições também dificultam a rotina necessária para cuidar dos animais e organizar uma mudança desse tamanho.

Para realizar a transferência, será necessário preparar o novo espaço, transportar os animais e contar com pessoas para ajudar na organização. Silvia estima que o processo deve levar entre dois e três dias.

“Tem que arrumar recurso para tentar pagar a chácara. Precisa de pessoas aqui, pessoas lá, no dia da mudança”, explicou ao Mais Goiás.

Como ajudar

Para conseguir realizar a transferência, o abrigo precisa de ajuda com o aluguel e a preparação do novo espaço, transporte, mão de obra, ração, medicamentos e produtos de limpeza.

O Abrigo da Silvia recebe doações para a compra de ração e manutenção dos animais. As contribuições em dinheiro podem ser feitas pela chave Pix 76085821115, em nome de Silvia Pereira de Freitas. Também são aceitas doações de ração para os animais.

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