Grupo suspeito de golpe do falso investimento movimentou R$ 188 milhões, diz polícia
Operação cumpriu 18 mandados em sete cidades de Pernambuco; investigação começou após uma vítima de Goiás perder mais de R$ 640 mil
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A Polícia Civil investiga um grupo suspeito de aplicar golpes por meio de falsas plataformas de investimento e movimentar mais de R$ 188 milhões em dois anos. A organização teria usado empresas de fachada, contas bancárias de terceiros e carteiras de criptomoedas para receber, transferir e ocultar os recursos.
A segunda fase da Operação Dark Wallet ocorreu na quinta-feira (23) e cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em Pernambuco. As ordens judiciais alcançaram endereços no Recife, Olinda, Paulista, Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho, Goiana e Caruaru.
A Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), da Polícia Civil de Goiás, coordenou a operação. A ação contou com o apoio da Polícia Civil de Pernambuco e do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Além das buscas, a Justiça autorizou o sequestro de bens e valores, a quebra dos sigilos bancário e telemático e o acesso aos dispositivos eletrônicos apreendidos. Ninguém foi preso nesta fase.
As informações foram confirmadas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Vítima de Goiás perdeu mais de R$ 640 mil
A investigação começou em 2022, depois que uma vítima de Goiás procurou a Polícia Civil e relatou prejuízo superior a R$ 640 mil. Ela teria recebido uma proposta para aplicar dinheiro em uma suposta plataforma internacional, que prometia rentabilidade acima da praticada pelo mercado.
Segundo a polícia, os investigados criavam sites e aplicativos que simulavam investimentos. Os painéis virtuais mostravam rendimentos que não existiam e davam aparência de regularidade às operações.
No início, o grupo autorizava saques de valores menores. A estratégia aumentava a confiança da vítima e a convencia a realizar novos depósitos. Os valores exigidos cresciam conforme os supostos rendimentos apareciam na plataforma.
A Polícia Civil apura se outras pessoas de Goiás e de diferentes estados também sofreram prejuízos. A análise dos aparelhos e documentos apreendidos poderá indicar o número total de vítimas.
R$ 188 milhões representam movimentação, não prejuízo confirmado
O valor de R$ 188 milhões representa o volume financeiro que passou por contas e empresas ligadas aos investigados durante dois anos. O montante não corresponde, necessariamente, ao prejuízo total causado às vítimas.
Até agora, a perda individual divulgada pela polícia supera R$ 640 mil. Em termos comparativos, a movimentação identificada equivale a cerca de 294 vezes o prejuízo relatado pela vítima que deu origem à investigação.
A análise bancária mostrou que três empresas investigadas receberam mais de R$ 188 milhões. Segundo a polícia, elas estavam formalmente registradas, mas não apresentavam atividade econômica compatível com os valores movimentados.
O dinheiro passou por dezenas de milhares de transações. Os recursos saíam das contas de passagem e eram distribuídos entre pessoas, outras empresas, corretoras e carteiras de criptomoedas. A sequência de transferências dificultava a identificação da origem e do destino dos valores.
Grupo teria divisão de funções
A investigação identificou uma estrutura com divisão de tarefas. Um núcleo mantinha contato com as vítimas e apresentava as falsas oportunidades de investimento. Outro administrava os sites, aplicativos e informações exibidas nas plataformas.
O núcleo financeiro recebia os depósitos, recrutava titulares de contas e distribuía os recursos entre empresas e pessoas ligadas ao esquema. A polícia investiga quem controlava cada setor e quem ficava com o dinheiro arrecadado.
As empresas de fachada funcionavam como contas de passagem. Após receberem os depósitos, elas realizavam sucessivas transferências para dar aparência de legalidade aos recursos e dificultar o rastreamento.
O nome Dark Wallet, que significa “carteira escura”, faz referência ao uso de estruturas financeiras ocultas, contas de passagem e empresas sem atividade compatível com os valores recebidos.
Primeira fase prendeu três pessoas
A primeira etapa da operação ocorreu no fim de 2025. Na ocasião, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca, prisões temporárias e ordens de quebra de sigilo bancário contra pessoas e empresas relacionadas ao esquema.
Três pessoas foram presas temporariamente naquela fase. Elas apareciam como titulares de contas bancárias que recebiam os valores depositados pelas vítimas.
A análise dos dados obtidos na primeira etapa permitiu identificar uma estrutura financeira maior e fundamentou a segunda fase da operação. As informações sobre as prisões anteriores e as cidades alcançadas pelas buscas foram detalhadas pelo Diario de Pernambuco.
Investigação busca novas vítimas
A Polícia Civil analisará celulares, computadores, documentos e dados bancários apreendidos durante a operação. O trabalho pretende identificar outros integrantes, localizar novas vítimas e estabelecer o destino dos R$ 188 milhões.
A polícia também busca bens, imóveis, veículos e valores que possam ter sido adquiridos com recursos provenientes das fraudes. Parte do patrimônio poderá ser usada para ressarcir as vítimas, caso a origem ilícita seja confirmada e a Justiça determine a devolução.
Os investigados podem responder por estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As penas máximas, se somadas, ultrapassam 26 anos de prisão. A investigação e as medidas cautelares não representam condenação.
Defesa
Os nomes dos investigados não foram divulgados. Por esse motivo, não foi possível localizar as respectivas defesas. O espaço permanece aberto para manifestação.