Justiça manda prender de novo Raphael Sousa, dono da Choquei
Defesa do influenciador e proprietário da página Choquei afirma que vai recorrer ao TRF e até ao STJ para 'reestabelecer a Constituição'
A Justiça mandou prender de novo o influenciador Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei, na tarde desta quinta-feira (23). Também voltarão para cadeia MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e outros investigados por envolvimento em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro.
A prisão preventiva foi decretada em resposta a um pedido feito pela Polícia Federal à Justiça Federal de São Paulo, depois de o Superior Tribunal de Justiça (STJ) conceder um habeas corpus que pôs todos em liberdade. No HC, o ministro Messod Azulay Neto, relator do caso no STJ, considerou ilegal o decreto de prisão temporária por 30 dias. Segundo ele, a própria Polícia Federal havia solicitado prazo de apenas cinco dias, período que já havia se encerrado.

A PF, por sua vez, argumenta que há elementos suficientes para converter as prisões temporárias em preventivas (veja no fim da matéria a lista completa de investigados afetados pela decisão do dia 23 de abril).
O advogado criminalista Pedro Paulo de Medeiros, que defende Raphael, afirma que “vai recorrer imediatamente ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, ao Superior Tribunal de Justiça e, se necessário, ao Supremo Tribunal Federal, para restabelecer a Constituição”.
- Saiba mais: ‘Recorrer imediatamente’, diz defesa de dono da Choquei após novo decreto de prisão preventiva
O advogado criminalista Pedro Paulo de Medeiros afirma que a nova decisão “repete vícios já apontados pela defesa desde a decretação da prisão temporária, especialmente pela ausência de fundamentação individualizada em relação a Raphael Sousa Oliveira, pois o juiz sequer menciona o nome dele na decisão”.

Segundo a defesa, a decisão “não apresenta elementos concretos e específicos que justifiquem a imposição da medida extrema em relação ao investigado”.
Pedro Paulo de Medeiros sustenta que a decretação da prisão preventiva mantém a mesma ausência de fundamentos concretos já questionada pela defesa e viola a exigência constitucional e legal de motivação das decisões que restringem a liberdade, sobretudo pela falta de individualização dos motivos atribuídos a Raphael Sousa Oliveira.
A defesa também argumenta que “a decisão não demonstra, de forma específica, por que a prisão preventiva seria necessária no caso concreto, nem apresenta fundamentos individualizados que autorizem a custódia cautelar”.

A investigação
Raphael Sousa foi preso inicialmente no dia 15 de abril de 2026, no âmbito de uma operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) em Goiás e em outros oito estados, chamada de Narco Fluxo.
As informações preliminares apontam que Raphael fazia parte de uma organização criminosa que teria movimentado R$ 1,6 bilhão por meio de criptoativos, empresas de fachada, apostas ilegais e rifas digitais.
A mesma investigação que levou Raphael à cadeia no dia 15 de abril resultou tambémo na detenção de MC Ryan. A PF aponta que o funkeiro teria papel central em um suposto esquema que lavaria dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O papel de Raphael e da Choquei, que até a tarde de quinta-feira (23) tinha mais de 27 milhões de seguidores, seria o de atuar como operador de mídia da organização, atuando para ‘limpar a imagem’ dos envolvidos e atuar em determinadas ações de gerenciamento de crise.
Presídio de segurança máxima
Depois de preso pela PF, Raphael, que tem 31 anos, passou dois dias na sede da polícia em Goiânia e foi alojado, no dia 17, em uma unidade de segurança máxima no Núcleo Especial de Custódia do Complexo Prisional Policial Penal Daniella Cruvinel, em Aparecida de Goiânia.

O criador da Choquei foi informado de que teria direito a café da manhã, almoço, jantar e ceia, duas horas de banho de sol diárias e a receber até duas visitas por mês.
No presídio estão investigados em operações especiais, como é o caso de Raphael, além de presos de alta periculosidade, como lideranças de facções criminosas e presos com distúrbios mentais.
A CPP também foi a “casa” do médium João de Deus.
Raphael e mais 35: a lista de investigados afetados pela decisão da Justiça
Com a decisão judicial, Raphael Sousa, da Choquei, e mais 35 investigados tiveram suas prisões temporárias convertidas em prisões preventivas e 3 em prisões domiciliares. São eles:
- Rodrigo de Paula Morgado: prisão preventiva. Apontado como contador e operador-chave;
- Ryan Santana dos Santos: prisão preventiva. Conhecido como MC Ryan SP, apontado como líder e beneficiário final;
- Tiago de Oliveira: prisão preventiva. Braço-direito e gestor financeiro de Ryan;
- Alexandre Paula de Sousa Santos: prisão preventiva. Conhecido como “Belga” ou “Xandex”;
- Lucas Felipe Silva Martins: prisão preventiva;
- Sydney Wendemacher Junior: prisão preventiva;
- Arlindma Gomes dos Santos: prisão preventiva. Vulgo “Nene Gomes”;
- Raphael Sousa Oliveira: prisão preventiva. Criador da página “Choquei” e operador de mídia;
- Marlon Brendon Coelho Couto da Silva: prisão preventiva;
- Diogo Santos de Almeida: prisão preventiva;
- Vinicius dos Reis Pitarelli: prisão preventiva;
- Rodrigo Inacio de Lima Oliveira: prisão preventiva;
- Luis Carlos Custodio: prisão preventiva;
- Jose Ricardo dos Santos Junior: prisão preventiva;
- Ellyton Rodrigues Feitosa: prisão preventiva;
- Caroline Alves dos Santos: prisão preventiva;
- Mateus Eduardo Magrini Santana: prisão preventiva;
- Henrique Alexandre Barros Viana: prisão preventiva;
- Mauro Jube de Assunção: prisão preventiva. Contador;
- Chrystian Mateus Dias Ramos: prisão preventiva;
- Luis Henrique Matos Maia: prisão preventiva;
- Orlando Miguel da Silva: prisão preventiva;
- Sun Chunyang: prisão preventiva;
- Xizhangpeng Hao: prisão preventiva. Controlador da empresa Golden Cat;
- Sergio Wegner de Vargas: prisão preventiva;
- Thiago Barros Cabral: prisão preventiva;
- Vitor Ferreira da Cruz Junior: prisão preventiva;
- Yuri Camargo Francisco: prisão preventiva;
- Leticia Feller Pereira: prisão preventiva;
- Alex Lima da Fonseca: prisão preventiva;
- Jiawei Lin: prisão preventiva;
- Thadeu José Chagas Silveira: prisão preventiva;
- Renan Costa da Mota: prisão preventiva;
- Marcus Vinicius Rodrigues de Assis: prisão preventiva;
- Guilherme Ricardo Fuhr: prisão preventiva;
- Jonatas Cleiton de Almeida Santos: prisão preventiva;
- Fernando de Sousa: prisão domiciliar;
- Débora Vitória Paixão Ramos: prisão domiciliar;
- Estefany Pereira da Silva: prisão domiciliar.