Lutador de Goiânia é indiciado por tentativa de homicídio após dar mata-leão em adolescente
Polícia Civil concluiu inquérito e indiciou lutador de jiu-jitsu por tentativa de homicídio qualificado por asfixia e corrupção de menores
O lutador de jiu-jitsu e instrutor de muay thai, Rafael Gomes Pereira, foi indiciado pela Polícia Civil pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado por asfixia e corrupção de menores. A conclusão do inquérito foi divulgada nesta segunda-feira (22) após a investigação sobre a agressão contra um adolescente de 17 anos que ficou desacordado após receber um golpe de mata-leão durante uma discussão na Praça das Artes, no Jardim Goiás, em Goiânia.
Segundo a investigação conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), o adolescente foi imobilizado pelo lutador durante uma confusão registrada no dia 30 de maio. Conforme os depoimentos, o golpe de estrangulamento foi mantido até que o jovem desmaiasse. Testemunhas também relataram que a vítima teria recebido chutes quando já estava inconsciente.
Agora, o procedimento será encaminhado ao Ministério Público, que vai analisar o caso e decidir sobre eventual denúncia na Justiça.
Adolescente relata agressões e perda de consciência
Em depoimento divulgado pela família, o adolescente afirmou que estava jogando futebol com amigos e o irmão quando a confusão começou. Segundo ele, a bola saiu da quadra e, ao se aproximar para buscá-la, foi questionado pelo lutador sobre supostos olhares direcionados a ele.

O jovem relatou que não respondeu às provocações e que, em seguida, passou a ser agredido com socos e chutes. Ainda de acordo com a vítima, o lutador teria afirmado que iria matá-lo antes de aplicar o golpe de estrangulamento.
“Eu tentava respirar, mas não conseguia. Tive uma visão em que estava dentro de um mar negro, tentando nadar, mas sem conseguir respirar. Eu vi minha mãe e meu pai. Depois disso eu não lembro de muita coisa porque perdi a consciência”, destaca o jovem.
Prisão, liberdade provisória e nova detenção
Logo após a agressão, Rafael Gomes Pereira foi preso em flagrante, mas obteve liberdade provisória após passar por audiência de custódia. Na ocasião, a Justiça determinou uma série de medidas cautelares, incluindo a proibição de se aproximar da vítima e de locais frequentados por ela, mantendo uma distância mínima de 300 metros.
Dias depois, a Polícia Civil informou que o investigado teria descumprido as determinações judiciais. A suspeita surgiu após familiares do adolescente denunciarem que o lutador estaria em um apartamento próximo à Praça das Artes, área frequentada pela vítima. Além disso, o lutador também rompeu a tornozeleira eletrônica.

Com base nas informações apresentadas, foi solicitado novamente a prisão preventiva. Rafael voltou a ser preso após se apresentar na delegacia de Trindade. Desde então, o lutador permanece detido e teve a prisão mantida após nova audiência de custódia.
Defesa de lutador nega descumprimento de medida judicial
A defesa de Rafael Gomes Pereira contesta as acusações de descumprimento das medidas cautelares. Os advogados afirmam que o lutador não esteve na praça e que permaneceu em sua residência durante todo o período.
Segundo os defensores, as imagens registradas mostram Rafael na sacada do próprio apartamento, localizado nas proximidades da praça. A defesa sustenta que a decisão judicial não obrigava o investigado a deixar sua casa e argumenta que eventual redução da distância entre as partes teria ocorrido por iniciativa da própria vítima.
Os advogados também afirmam que Rafael agiu ao perceber o filho envolvido em uma briga e negam qualquer violação das determinações impostas pela Justiça.
Histórico de agressões
A repercussão do caso trouxe novamente à tona uma ocorrência registrada em 2023, quando Rafael foi acusado de agredir dois adolescentes dentro de um shopping em Goiânia. Na época, os familiares dos jovens afirmaram que não havia qualquer desentendimento prévio entre eles e o lutador.

O lutador também já teria agredido o próprio pai em duas ocasiões, entre 2023 e 2026. De acordo com a irmã, após se envolver em uma briga, Rafael teria se mudado para a casa dos pais, em Uberaba (MG), onde, durante um desentendimento, agrediu o pai e empurrou a mãe. Ela afirma ainda que, anos depois, ao retornar na casa da família, o lutador voltou a se desentender com o pai e repetiu a agressão.