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“Eu tentava respirar, mas não conseguia”, diz adolescente agredido por lutador em Goiânia

Jovem de 17 anos relata que perdeu a consciência durante mata-leão. Caso ganhou novos desdobramentos após descumprimento de medida judicial

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Lutador de jiu-jitsu e instrutor de muay thai Rafael Gomes Pereira é investigado por agredir um adolescente de 17 anos (Foto: Reprodução)

O adolescente de 17 anos agredido pelo lutador de jiu-jitsu e instrutor de muay thai, Rafael Gomes Pereira, falou publicamente sobre a violência que sofreu durante uma confusão ocorrida na última sexta-feira (30), no Jardim Goiás, em Goiânia. Em um vídeo enviado pela família ao Mais Goiás, o jovem descreveu os momentos que antecederam a perda de consciência durante um mata-leão e afirmou que ainda enfrenta dores intensas, dificuldades para dormir e problemas para retomar a rotina após o episódio.

“Eu e meu irmão estávamos jogando futebol com os nossos amigos. Quando a bola saiu, eu vi o Rafael e ele já começou a me questionar sobre porque eu estaria olhando para ele. Eu não respondi nada e ele começou a me agredir”, contou.

Segundo o jovem, as agressões começaram com socos e chutes e envolveram também o filho mais velho do lutador. “Ele falou que ia me matar e começou a me dar socos e chutes. Depois me pegou num estrangulamento e começou a apertar muito forte o meu pescoço.”

Preso em flagrante e liberado após audiência de custódia, Rafael é investigado por ter imobilizado o adolescente com um “mata-leão”. Segundo o Ministério Público, o golpe foi mantido até que a vítima desmaiasse. Testemunhas também relataram que o jovem teria sido chutado quando já estava inconsciente. O lutador afirma que agrediu porque acreditava que o rapaz estivesse armado.

“Eu tentava respirar, mas não conseguia. Tive uma visão em que estava dentro de um mar negro, tentando nadar, mas sem conseguir respirar. Eu vi minha mãe e meu pai. Depois disso eu não lembro de muita coisa porque perdi a consciência”, destaca o jovem.

A narrativa coincide com a conclusão preliminar apresentada pelo Ministério Público, que sustenta que o mata-leão foi mantido até que a vítima desmaiasse.

Recuperação ainda preocupa a família

Dias após a agressão, o adolescente afirma que ainda sofre com as consequências físicas do ataque. Ele relata dores constantes no pescoço, nas costelas, nos braços e nas pernas: “Meu pescoço está muito sensível. Só de falar já dói. Meu corpo inteiro ainda está muito dolorido”, afirmou.

Segundo o estudante, a recuperação também tem afetado sua rotina escolar.

Imagem da agressão
Homem espanca adolescente por causa de futebol e foge após jovem convulsionar na Capital (Foto: cedida ao Mais Goiás)

“Não estou conseguindo ir para o colégio. Estou à base de remédios e ainda sinto muita dor. Não estou conseguindo dormir e nem raciocinar direito. Está sendo muito difícil passar por tudo isso”, reforça.

Novo pedido de prisão

O caso ganhou novos desdobramentos nesta semana após a família denunciar que Rafael teria descumprido as medidas cautelares impostas pela Justiça para permanecer em liberdade.

De acordo com a mãe do adolescente, a servidora pública Vivian Pereira Cunha, o lutador e um de seus filhos foram vistos em um apartamento localizado próximo à Praça das Artes, no Jardim Goiás, região frequentada pela família da vítima.

Imagens registradas por moradores mostram Rafael na sacada do imóvel observando a área. Segundo Vivian, o local oferece visão ampla da praça e da quadra esportiva utilizadas pelo adolescente.

“Isso mostra que ele continua frequentando a região e descumprindo completamente a decisão judicial”, afirmou.

A medida cautelar imposta durante a audiência de custódia determina que o investigado mantenha distância mínima de 300 metros do jovem e dos locais frequentados por ele.

Após a nova ocorrência, a Polícia Civil representou pela revogação das medidas cautelares e pediu a prisão preventiva de Rafael. O pedido ainda aguarda análise da Justiça.

Histórico de outra agressão contra adolescentes

adolescentes x agressão x lutador

O episódio também trouxe à tona uma investigação anterior envolvendo Rafael Gomes Pereira. Em 2023, ele foi acusado de agredir dois irmãos, então com 14 e 16 anos, dentro de um shopping de Goiânia.

Segundo o pai dos adolescentes, Rodrigo Guimarães, os jovens estavam com amigos após uma sessão de cinema quando Rafael começou a filmar um deles. “Meu filho não conhecia o Rafael, nunca tinha visto ele antes. Não existia desentendimento anterior nem provocação. Foi uma situação completamente inesperada”, afirmou.