PM descarta material radioativo em antiga clínica abandonada no centro de Goiânia
Relatório técnico encontrou aparelho de raio X em imóvel abandonado no Setor Central, mas afirma que não foi constatada a presença de material radioativo; PM recomenda avaliação dos equipamentos
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Um relatório técnico da Polícia Militar de Goiás aponta que não se constatou a existência de material radioativo no imóvel onde funcionava a Escola Brasileira de Implantes Dentários (Ebide), na Alameda dos Buritis, no Setor Central de Goiânia. No local, os policiais encontraram um aparelho de raio-X, além de outros equipamentos e estruturas que pertenciam à antiga clínica.
As atividades da escola foram suspensas em dezembro de 2024 pelo Procon Goiás por não finalizar implantes dentários dos clientes. O órgão afirmou, na época, que recebeu mais de 20 reclamações de pacientes.
O levantamento foi realizado após denúncias sobre a situação do imóvel e depois de furtos registrados nas proximidades. O documento, produzido pela Agência Local de Inteligência do batalhão em 10 de agosto, descreve o prédio como abandonado, vulnerável à entrada de terceiros e com sinais de ocupação irregular.

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Apesar de não identificar material radioativo, a corporação recomenda que os equipamentos sejam avaliados pelos órgãos técnicos competentes. A preocupação está relacionada ao abandono, à deterioração e ao risco de retirada, desmontagem ou destinação inadequada de componentes.
A conclusão técnica também esclarece uma diferença entre documentos produzidos pela própria Polícia Militar. No ofício encaminhado à Secretaria Municipal de Eficiência (Sefic) em 10 de agosto, a PM havia informado que permaneciam no imóvel “materiais e equipamentos radioativos” e pedido providências urgentes diante do risco de manipulação inadequada.

Já o relatório técnico elaborado na mesma data faz uma distinção: registra a existência de um aparelho de raio X, mas afirma expressamente que o objetivo do levantamento não era apontar a existência de material radioativo no imóvel.
Na conclusão, o documento é direto: “Embora não tenha sido constatada a existência de material radioativo”, a presença do aparelho de raio X em condições de abandono ainda exige atenção das autoridades.
Fonte radioativa permanente
Segundo o próprio relatório, aparelhos convencionais de raio X não constituem, por si só, fontes radioativas permanentes.
A preocupação da PM está relacionada principalmente às condições do imóvel. O equipamento está em um prédio abandonado, onde já foram identificados sinais de retirada e furto de componentes. A corporação considera que aparelhos ou peças podem ser removidos ou desmontados sem que sejam observados os procedimentos técnicos necessários.
Por isso, a recomendação é que os equipamentos sejam submetidos à avaliação técnica e tenham a destinação adequada definida pelos órgãos competentes.
Imóvel acumula equipamentos, lixo e entulho
O relatório descreve um cenário de deterioração no prédio da antiga clínica. Parte dos equipamentos possui elevado valor patrimonial e tecnológico, mas está exposta à ação do tempo, à falta de manutenção e à possibilidade de novos furtos. A PM também identificou indícios de que equipamentos e componentes já foram retirados do local.
Além dos equipamentos odontológicos e médico-hospitalares, foram encontrados lixo, resíduos sólidos e entulhos. O documento aponta que a falta de conservação contribui para a degradação do imóvel e facilita a ocupação irregular.
Fotografias anexadas ao relatório mostram salas da antiga clínica ainda com cadeiras odontológicas, equipamentos, armários e outros materiais abandonados. Em uma das imagens, há ainda um ambiente com grande quantidade de materiais armazenados em prateleiras.

Cinco furtos registrados
De acordo com o ofício da PM, foram registrados cinco furtos entre julho e agosto de 2026, envolvendo o imóvel da antiga clínica e um escritório de advocacia localizado nas proximidades. Entre os itens levados estavam fiação elétrica, cobre, condensadoras de ar-condicionado e outros componentes das instalações.
A PM informou que as diligências foram intensificadas após informações de que um possível autor dos furtos poderia estar utilizando as dependências da antiga EBIDE como local de esconderijo.
Uso do prédio para drogas
O relatório também registra informações e denúncias recorrentes de que o imóvel seria utilizado para consumo e comercialização de entorpecentes, além de possível ocultação ou armazenamento de objetos provenientes de furtos.
A PM ressalva que se trata de informações e denúncias levantadas durante o trabalho de inteligência. O documento também menciona relatos de moradores e transeuntes sobre movimentação frequente de usuários de drogas nas proximidades.