‘Se sentia excluído’: mãe conta como filho ficou após ter matrícula negada em colégio militar de Goiânia
Após a transferência educativa determinada pelo colégio, Gislene decidiu não matricular o filho em outra unidade
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O adolescente que teve a matrícula negada no Colégio Estadual da Polícia Militar de Goiás (CEPMG) Vasco dos Reis, em Goiânia, em 2025 passou meses sem frequentar a escola. Durante o período, segundo a mãe, Gislene Ferreira, ele continuou sendo acompanhado fora do ambiente escolar, com terapia e atendimento psicopedagógico. Ao Mais Goiás, ela contou que o filho se sentia excluído por estar afastado das atividades e da convivência com os demais estudantes.
Nesta sexta-feira (14), após uma decisão do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) determinar o retorno do adolescente ao colégio, Gislene efetivou a matrícula do filho. A previsão é que ele volte às aulas na próxima segunda-feira (17).
A decisão foi proferida na terça-feira (11), durante o julgamento de um recurso apresentado pela família. O tribunal entendeu que a escola não havia esgotado as medidas de inclusão antes de determinar a transferência do estudante, que tem diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e Transtorno Opositivo Desafiador (TOD).
Apesar de comemorar o retorno, Gislene afirma que a volta do filho também marca o início de uma nova preocupação. Como o adolescente perdeu parte do ano letivo, a mãe teme que o período afastado prejudique seu desempenho acadêmico e sua recuperação dos conteúdos.
Adolescente ficou meses sem estudar
Após a transferência educativa determinada pelo colégio, Gislene decidiu não matricular o filho em outra unidade. Segundo ela, a escolha ocorreu porque a família já discutia judicialmente a permanência do adolescente no CEPMG Vasco dos Reis e a matrícula em outra escola poderia, na avaliação dela, prejudicar o processo.
“Eu deveria assinar uma transferência e perder o processo? A responsabilidade não é só minha. O Judiciário não me deu uma liminar de tutela de emergência, não garantiu o direito dele de estudar até o julgamento do processo”, afirmou.
De acordo com a mãe, o processo levou cerca de nove meses para ser julgado. Durante esse período, o adolescente permaneceu em casa e não teve a rotina escolar regular. Gislene afirma que também não quis abrir mão da permanência no colégio militar porque o filho já estava adaptado à instituição, aos professores e aos colegas e contava com acompanhamento de profissional de apoio.
O período sem escola também provocou mudanças na rotina da família. Gislene afirma que não tinha uma rede de apoio para ajudá-la a cuidar do adolescente e, por isso, precisou deixar o trabalho para permanecer em casa com ele.
Após a matrícula, Gislene afirmou que a decisão representa uma vitória, mas ressaltou que não é contrária às regras e à disciplina da instituição. “O que eu não aceito é a humilhação e a negligência que meu filho sofreu por parte das autoridades que deveriam acolhê-lo”, disse ao Mais Goiás.
Segundo ela, o período longe da escola ocorreu em meio à discussão sobre a necessidade de adaptação e suporte ao adolescente. “Por causa dessa falta de preparo e de apoio, ele perdeu praticamente metade do ano letivo. Eu lutei e vou continuar lutando até o fim por ele, mas essa vitória de hoje não é só nossa”, afirmou.
A mãe também disse que pretende continuar defendendo a inclusão de estudantes com necessidades específicas no ambiente escolar. “Eu estou aqui por todos os alunos que têm laudo, que precisam de inclusão de verdade, e que acabam sendo expulsos e negligenciados pelo sistema. A inclusão é um direito deles, não um favor”, afirmou.
O Mais Goiás tentou contato com o Comando de Ensino da Polícia Militar de Goiás, responsável pela instituição, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.
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